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Ricardo Noblat: O governo que não foi: 30 anos sem Tancredo

Tancredo dizia: “Meu primeiro decreto terá um único artigo dizendo assim: ‘É proibido gastar’”. Queria dizer com isso que faria um governo austero, preocupado com o equilíbrio das contas públicas.

 Embora não fosse economista, Tancredo gostava de economia.

Fonte: O Globo

Ricardo Noblat: O governo que não foi: 30 anos sem Tancredo

O governo que não foi

Por Ricardo Noblat

Em um dia qualquer de julho de 1984, no seu apartamento do Bloco D, Quadra 709 Sul, em Brasília, o senador Marco Maciel (PE), um dos líderes da dissidência do PDS, partido da ditadura militar instalada no país há mais de 20 anos, recebia amigos e companheiros de aventura que haviam decidido apoiar a candidatura a presidente da República deTancredo Neves, 74 anos de idade, então governador de Minas Gerais.

A reunião no apartamento de Maciel serviria para sacramentar a candidatura a vice na chapa de Tancredo do senador José Sarney (MA), 54 anos, que renunciara, fazia pouco tempo, à presidência do partido da ditadura. Estavam ali, entre outros, os senadores Jorge Bornhausen (PDS-SC), Guilherme Palmeira (PMDB-AL) e Affonso Camargo (PMDB-PR). A campainha do apartamento soou e Everardo Maciel, economista amigo do anfitrião, foi abrir a porta.

O cheiro do fumo de cachimbo denunciou a entrada do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Saudado pelos demais, Simon, que era muito ligado a Ulysses, derramou-se numa poltrona, cruzou os braços atrás da cabeça e anunciou em voz alta: “Temos problemas. É que no Rio Grande do Sul, achamos que Sarney é corrupto”. Nem bem ele terminou de falar, Sarney levantou-se e gritou: “Renuncio, indignado, à minha candidatura”.

O sempre calmo Maciel, dessa vez aflito, socorreu Sarney: “Minha solidariedade, minha solidariedade”. Os demais senadores fizeram o mesmo. Espantado ou se fingindo que estava, Simon perguntou: “Fiz alguma coisa errada?” O estrago que ele fez só foi consertado depois de mais três ou quatro horas de reunião, e de se apelar por telefone a Tancredo e a Ulysses Guimarães, presidente do PMDB, que estavam na cidade. Sarney foi embora da reunião como vice de Tancredo.

Ulysses e Tancredo tocavam de ouvido. E, por sabedoria, às vezes desafinavam. Ulysses e Sarney, jamais. Atravessaram brigando o governo de Sarney. A todo o momento, Ulysses provocava Sarney para testá-lo. Até que ponto Sarney seria fiel à herança de Tancredo? Ou ele acabaria por traí-la quando se sentisse mais forte no cargo? No primeiro ano de governo, Sarney arranjou-se com os ministros escalados por Tancredo. No segundo ano, com os seus.

Um dos primeiros ministros a sair foi Francisco Dornelles, da Fazenda, sobrinho de Tancredo e homem da confiança dele. Tancredo dizia: “Meu primeiro decreto terá um único artigo dizendo assim: ‘É proibido gastar’”. Queria dizer com isso que faria um governo austero, preocupado com o equilíbrio das contas públicas. Embora não fosse economista,Tancredo gostava de economia.

Por fraqueza política, forçado pelo PMDB de Ulysses a mostrar serviço, Sarney substituiu no Ministério da Fazenda o ortodoxo Dornelles pelo heterodoxo Dílson Funaro. E aí aconteceram fatos que jamais ocorreriam com Tancredo. O Plano Cruzado, por exemplo, que congelou preços e salários. Ele fez de Sarney um deus reverenciado pela maioria dos brasileiros, e deu ao PMDB sua maior vitória nas eleições de 1986 para os governos estaduais.

O Plano Cruzado 2, que arquivou o congelamento, foi um desastre que empurrou a popularidade de Sarney para baixo e a inflação para cima. Sarney, mais tarde, deixaria o governo com uma inflação mensal (eu disse: mensal) de 80%. Este ano, a inflação anual (eu disse: anual) ficará em torno dos 8%. A esquerda delirou quando Sarney decretou a moratória da dívida externa. Deu errado. Não tinha como dar certo. Tancredo deve ter-se revirado em seu túmulo.

Uma coisa que Tancredo faria, Sarney fez: a legalização dos partidos comunistas. Acuado por Ulysses, Sarney concordou com a instalação da Assembleia Nacional Constituinte para remover “o entulho autoritário”, o conjunto de leis promulgadas pela ditadura. Não haveria hipótese de Tancredo bancar uma Constituinte “livre e soberana”. No máximo, encaminharia ao Congresso uma proposta conservadora de reforma da Constituição.

Nada de turbulências, repetia Tancredo. Paz e democracia. Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda de Ernesto Geisel, o penúltimo presidente da ditadura de 64, costumava alertar: “Cuidado! Não se metam com emendas à Constituição porque elas não concedem o direito de veto ao presidente”. A Constituição parida pela Constituinte reduziu o mandato original de seis anos de Sarney para cinco. Poderia ter sido pior.

O PMDB ameaçou aprovar o mandato de quatro anos. Sarney avisou aos partidos por meio do seu ministro da Justiça, Paulo Brossard, que se assim fosse renunciaria ao mandato. Não bastou. Ele então usou os ministros militares para assustar os constituintes. O risco de um golpe bastou. Sarney governou por cinco anos. Nada ganhou a mais com isso. Desceu a rampa do Palácio do Planalto acenando com um lenço branco para as poucas pessoas reunidas ali por perto.

Eleições 2014: Aécio recebe apoio de Maria Estela Kubitschek

Filha de Juscelino Kubitschek, Maria Estela Kubitschek, prestou homenagem a Aécio e leu carta de apoio ao ex-governador de Minas.

Aécio Neves: eleições 2014

Fonte: Jogo do Poder

Carta a Aécio Neves – Maria Estela Kubitschek

presidente do PSDBsenador Aécio Neves (MG), visitou nessa sexta (13/06), a cidade de São João del Rei, dando início à caminhada para a convenção nacional do partido, que será realizada amanhã, em São Paulo, e o indicará candidato à Presidência da RepúblicaAécio Neves se encontrou nesta amanhã com sua família e amigos na residência onde viveu seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves. Assim, Aécio repete o gesto de Tancredo, que visitava a cidade antes das grandes decisões.

A filha do ex-presidente da República Juscelino KubitschekMaria Estela Kubitschek, prestou homenagem a Aécio e leu carta de apoio e estímulo ao ex-governador de Minas.

Em respeito à legislação eleitoral, o senador Aécio Neves não discursou, fez apenas uma saudação pessoal aos amigos presentes.

Segue abaixo íntegra da carta de Maria Estela Kubitschek entregue ao senador Aécio Neves.

“Querido amigo, Senador Aécio Neves

Há 30 anos, Tancredo partiu de Minas, viajou por todo o Brasil, fazendo sua obstinada pregação em defesa da democracia e da justiça.

Cerca de trinta anos antes, outro mineiro, meu pai, Juscelino, ousou olhar para um futuro em que poucos acreditavam, e nos legou o grande e decisivo salto na direção da modernidade.

Ao que parece, de 30 em 30 anos, o espírito de Minas, de que nos falava Drummond, visita as razões da nacionalidade, para oferecer ao Brasil o que temos de melhor:

Nossa coragem;

Nossa sede de justiça;

Nosso compromisso com a construção um país íntegro e generoso, capaz de abrigar os sonhos de cada um dos brasileiros.

Mais uma vez, hoje, 30 anos depois de 1984, a história se repete.

Hoje, Aécio, depositamos em suas mãos limpas nossa confiança e nossa esperança, de que finalmente poderemos realizar o Brasil  que tantas vezes foi sonhado pelos nossos e que ainda permanece intocado.

Segue em frente, senador!

Com os compromissos e princípios que um dia orientaram os passos de Tancredo

Com a ousadia, a coragem e o inconformismo de meu pai, Juscelino.

Vamos fazer cumprir o destino.

Segue em frente, Aécio!

Com a bênção das montanhas de Minas,

Com a bênção de milhões de mineiros,

Segue em frente, Aécio!

Com Minas, pelo Brasil!

Maria Estela Kubitschek Lopes”

Aécio Neves: apoio em São João Del Rei

Inspiração: Nas vésperas da convenção nacional do PSDBAécio Neves viveu clima de campanha em visita a São João Del Rei. terra de Tancredo

Na caminhada rumo ao Planalto buscará apoio com as dissidências nos estados de partidos aliados à presidente Dilma Rousseff

Fonte: O Globo 

Aécio aposta em dissidências da base aliada de Dilma nos estados para fortalecer sua campanha

Tucano repete tradição do avô e visita São João Del Rei antes de convenção do PSDB, que acontece neste sábado

Às vésperas da convenção nacional do PSDB que confirmará o senador Aécio Neves como candidato à presidência, o tucano, viveu clima de campanha em sua visita, na manhã desta sexta-feira, à cidade São João Del Rei, a 184 km de Belo Horizonte. Em entrevista, ele disse que sua caminhada rumo ao Planalto se fortalecerá com as dissidências nos estados de partidos aliados à presidente Dilma Rousseff em nível nacional.

— No âmbito regional, a maioria dessas forças (PP, PMDB e PSD) estão se somando ao nosso lado. Elas querem mudanças. A presidente da República, com um esforço enorme com a oferta de cargos públicos a rodo hoje no Brasil, consegue ficar com mais tempo de TV, mas não ficará com o trabalho e com a crença desses partidos no seu projeto. Portanto, podem esperar que vamos ter dissidências cada vez mais amplas. Essas dissidências fortalecem a oposição porque elas representam o sentimento do Brasil, de uma mudança profunda — afirmou Aécio.

No Rio, por exemplo, Aécio conquistou o apoio da maior parte do PMDB, já que o partido não engoliu a pré-candidatura do senador Lindbergh Farias. Aécio vai para a convenção do partido sem escolher o vice para sua chapa, embora muitos nomes sejam cotados, como o do senador Aloysio Nunes (PSDB). O tucano lembrou que a data para o fechamento dos nomes da aliança é o dia 30 de junho.

— Temos o tempo. Felizmente, nosso caso é de abundância de nomes qualificados. Como a legislação permite que até o dia 30 essa decisão possa ocorrer, como ainda existem instabilidades em outras forças políticas, nós estamos aguardando que o cenário se desenhe de forma mais clara para vermos qual é o perfil mais adequado — declarou o senador, afirmando que o PSDB nunca esteve tão unido em torno de uma candidatura.

DILMA COLHE O QUE PLANTOU, DIZ AÉCIO SOBRE VAIAS

Depois de falar ontem que as vaias e xingamentos à presidente Dilma ontem no Itaquerão são um sinal de que ela está sitiada, o tucano voltou a usar a mesma expressão e completou:

— Ela (Dilma) colhe o que plantou ao longo dos últimos anos. (Ela é) Alguém que governou com um mau humor permanente, com enorme arrogância, sem dialogar com a sociedade, de costas para a sociedade brasileira, achando que ter a caneta na mão tudo pode, sem se preocupar com o que virou o governo do ponto de vista ético, com essas sucessivas denúncias de corrupção, querendo vender um Brasil que não existe, um país virtual, onde, na propaganda oficial a Petrobras é a melhor das empresa, a mais bem gerida do mundo, onde a saúde é de alta qualidade, onde não existe inflação — afirmou Aécio, dizendo que esse Brasil que a presidente mostra “não é real”.

Aécio lembrou que, ao longo do governo Dilma, sete ministros foram demitidos por denúncias de corrupção, e o governo não concluiu as investigações. E aproveitou o tema para falar novamente dos escândalos na Petrobras.

— Estamos vendo aí os sete ministros que foram afastados por denúncias de corrupção no início do governo. Estamos caminhando para o final e o que aconteceu? O que foi apurado pelo governo? Qual as consequências daquelas demissões? Estão aí as denúncias em relação à Petrobras que aviltam, trazem indignação para todos nós brasileiros. A nossa principal empresa pública hoje vale metade do que valia quando ela (Dilma) assumiu — declarou o candidato à presidência.

TRADIÇÃO DO AVÔ

O pré-candidato esteve em São João Del Rei para seguir uma tradição do avô, Tancredo Neves, que visitava o município antes de suas grandes decisões. Neste sábado vai acontecer em São Paulo a convenção do PSDB que proclamará Aécio Neves candidato à Presidência da República.

O senador tem mantido as tradições do avô: participa da Procissão do Enterro, em que carrega a lanterna de prata que foi de Tancredo, visita São João Del Rei em datas simbólicas e vai ao santuário da Serra da Piedade.

No Largo do Rosário, onde fica a residência da família do tucano em São João Del Rei, mineiros se concentraram para ver Aécio. O tucano apareceu na sacada ao lado de Maristela Kubitschek, filha do ex-presidente Juscelino. Ela leu uma mensagem para Aécio.

— Hoje, Aécio, depositamos em suas mãos limpas nossa confiança e nossa esperança, de que finalmente, poderemos realizar o Brasil que tantas vezes foi sonhado pelos nossos e que ainda permanece intocado — afirmou Maristela, num trecho da mensagem.

Em seguida, o pré-candidato falou brevemente aos mineiros na sacada e disse que, em respeito à legislação eleitoral, não discursaria.

— Esse é um dos momentos mais emocionantes da minha história — afirmou ele. — Saio a partir de hoje para caminhar pelo Brasil levando Minas Gerais sempre.

Ao fim, os presentes ao Largo do Rosário gritaram “Aécio, guerreiro, orgulho dos mineiros”. Nas casas e comércios em frente à residência da família Neves, haviam várias faixas de apoio, como: “Aécio é coragem para mudar o Brasil”, “Aécio com Minas pelo Brasil” e “Aécio, o coração de Minas bate pelo Brasil”. Moradores dos imóveis disseram ao GLOBO que a equipe que organizou o evento pediu autorização para colocar as faixas nas paredes.

Dois pequenos palcos foram montados no Largo e músicos tocaram algumas canções. Depois de fazer um breve discurso da sacada de sua casa, Aécio seguiu para a Igreja de Santo Antônio. Como faz em campanha, abraçou moradores e pegou crianças no colo. Na igreja, ganhou a bênção do padre. Depois, ele foi à Igreja de São Francisco e, em seguida, ao Teatro Municipal, onde encontrou amigos rapidamente.

De Minas, Aécio segue para São Paulo onde irá participar da convenção que legitimará sua candidatura.

Os jovens precisam saber mais sobre 1964, artigo Aécio Neves

Senador Aécio Neves comentou: “Foram anos penosos. Não era apenas a construção política que demandava reuniões varando as noites”.

50 anos do golpe militar

Fonte: Carta Capital 

Sociedade

Especial / 50 anos do golpe

A longa noite

Os jovens precisam saber mais sobre aqueles anos, para que esse conhecimento se reverta numa profissão de fé inabalável: o de que a liberdade é um bem insubstituível

por Aécio Neves

Em 1964, data do golpe militar que tirou do país duas décadas de liberdades, tinha apenas 4 anos. Somente bem mais tarde, já na adolescência, pude compreender a real dimensão da longa noite do regime de exceção que se abateu sobre a vida nacional. Mesmo ainda sem ter militância política, era impossível não respirar o clima de terror em vigência nos anos de chumbo. Para mim, particularmente, a ele acrescentavam-se as aflições do meu avô, Tancredo, na sua longa, paciente e determinada jornada em direção à redemocratização do País.

Foram anos em tudo penosos e angustiantes. Não era apenas a construção política que demandava reuniões varando as noites intermináveis. Lembro-me, ainda muito jovem, do telefone insistente e os pedidos de ajuda que se acumulavam.

Tancredo trabalhava diuturnamente cerzindo sua teia incomparável de contatos e, ao lado de outros muitos nomes prestigiados da intelectualidade, do clero e da própria política, tentava fazer valer apelos e argumentos em defesa de estudantes, artistas, ativistas de correntes diversas, quando não de seus familiares, atingidos em sua integridade pela fúria do totalitarismo militar.

Comecei minha atuação política na luta pela redemocratização do Brasil, no começo dos anos 80, quando as oposições viviam um grande impasse sobre o futuro imediato.

De um lado, já havia alguma abertura, a anistia e as eleições diretas para governadores de estado. Metalúrgicos, bancários, professores e outras categorias haviam reconquistado o direito de greve e se organizavam em centrais sindicais de expressão nacional. Os estudantes tinham reerguido a UNE. Exilados e banidos estavam de volta ao convívio de suas famílias e retomavam a militância. Uma profunda reorganização partidária começava a brotar da aglutinação de diferentes correntes de opinião.

De outro lado, o conflito de interesses demonstrava que os militares não deixariam facilmente o poder. Para quem não acreditava na determinação desse continuísmo, atentados como o da OAB e do Riocentro se incumbiram de dissipar a dúvida. A batalha pela democracia estava pela metade, inconclusa. Sem eleições diretas para presidente da República, o fim da ditadura militar, que assombrava o país desde 1964, seria uma miragem.

O caminho a seguir era o do fortalecimento crescente da unidade entre as oposições. E o de uma condução madura, para que a reconquista plena da democracia não desaguasse num banho de sangue, como ocorreu em tantos episódios na história das transições políticas – direção apontada, não sem polêmicas e dissensões, por brasileiros da grandeza de Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, para citar apenas dois nomes, por meio dos quais rendo homenagem a inúmeros combatentes daquelas jornadas.

Ao final, o golpe militar de 1964 impactou minha vida definitivamente. Foi na luta para sua superação – iniciada ainda na campanha de Tancredo ao Governo de Minas; depois na memorável campanha das “Diretas Já” e na vitória de Tancredo à Presidência –, que iniciei minha vida política, incorporando as grandes lições e aprendizados que me acompanham até hoje. Entre eles, a compreensão da política sem sectarismo, respeitando as diferenças e a contribuição que cada um pode dar ao país.

Acredito que o “Diretas Já” foi um movimento que deveria estar mais presente na nossa memória, pelo que ainda é capaz de nos ensinar. Lideranças como TancredoUlysses, Fernando Henrique CardosoLeonel BrizolaMiguel Arraes ou Luiz Inácio Lula da Silva reuniram suas melhores energias em torno de uma grande causa nacional. Tudo muito diferente do que acontece no Brasil de hoje, com o estimulo à intolerância política e as reiteradas tentativas de dividir o país entre “nós” e “eles”, como se o fato de ser oposição nos tornasse menos patrióticos.

Recuperar a história é sempre importante. Os jovens, sobretudo, precisam saber mais sobre aqueles anos, para que esse conhecimento se reverta numa profissão de fé inabalável – o de que a liberdade, em todas as suas dimensões, é um bem insubstituível e que a Pátria, como dizia Tancredo, é tarefa de todos os dias.

*Aécio Neves é senador eleito pelo PSDB. Seu relato faz parte da série de 50 depoimentos coletados para o especial Ecos da Ditadura, sobre os 50 anos do golpe civil-militar de 1964

Aécio: herdeiro do processo democrático

“A Aécio Neves o destino reservou a missão de levar adiante a tarefa de reconstruir o País desejado pelo avô”, escreve Pazzianotto.

Herdeiro do processo democrático

Fonte: O Estado de S.Paulo

‘É proibido gastar’

Almir Pazzianotto Pinto*

Nesta nação desmemoriada, em que persiste o analfabetismo, que engrossa a legião dos desonestos e alienados, é necessário remarcar, com insistência, episódios esquecidos. A crise do sistema de ensino, aliada à política de desinformação praticada pelo governo petista, relega ao esquecimento fatos da História e abre espaço a terroristascorruptos e picaretas, festejados como heróis.

Passadas três décadas desde a vitória de Tancredo Neves para a Presidência da República, milhões pouco sabem do período 1960-1990, sendo comum encontrar quem imagine ter sido o PT responsável pela derrota, em 15 de janeiro de 1985, do candidato oficial, Paulo Maluf.

Tancredo pertence a reduzido grupo de estadistas. Lançou-se na vida pública em São João del-Rei, em 1933, pelo antigo Partido Progressista, fundado por Olegário Maciel, Antonio Carlos Ribeiro de Andrade e Venceslau Brás. Vereador, deputado estadual, deputado federal, ministro da Justiça de 1951 a 1954, foi orador à beira do túmulo de Getúlio Vargas, em São Borja, cujo suicídio, no dia 24, gerou a crise que resultaria dez anos depois no movimento de 31 de março.

Grande ao longo da vida, Tancredo agigantou-se em 1984. Derrotada a emenda constitucional que restabeleceria eleições diretas para a Presidência, restou à oposição arriscada disputa no colégio eleitoral.

Discursos reunidos no livro Tancredo Neves – Sua Palavra na História revestem-se de atualidade. Os problemas levantados durante a breve campanha eleitoral permanecem como então se achavam: insolúveis. E 11 anos de petismo só fizeram agravá-los.

José Sarney recebeu o País em precárias condições econômicas e sociais. Fez o possível, sob o bombardeio de milhares de greves, que somaram milhões de horas de produção perdidas, e de serviços públicos interrompidos, em prejuízo da economia, dos salários, do povo. Tentou três vezes, mas não derrotou a inflação. Fernando Collor de Mello foi abatido mal havia decolado. Itamar Franco aplainou o terreno para o Plano Real, que estabilizou a moeda, conteve os preços, zerou a inflação.

Aécio Neves o destino reservou a missão de levar adiante a tarefa de reconstruir o País desejado pelo avô. Empenhou o futuro político no desfecho do próximo pleito.

Os derradeiros discursos de Tancredo consubstanciam, em linguagem serena e objetiva, autêntico programa de governo. Deixarei de lado parágrafos referentes a saúdeeducaçãotransporte, relações internacionais, austeridade, combate à corrupção, recuperação da economia para me deter na área do trabalho, prioridade máxima de governo consagrado à tarefa de repor o Brasil na rota do desenvolvimento e lhe devolver a industrialização e prestígio internacional.

Antes, porém, rápida parada no discurso proferido em 1984, na Convenção Nacional do PMDB (o antigo, não esse que está aí), ao se referir à formação da Aliança Democrática: “Temos de compreender a verdade essencial do nosso pacto político. Nós o estabelecemos em favor da nossa gente. O Brasil que amamos não é entidade abstrata, feita apenas de símbolos, por mais que os veneremos. O Brasil que amamos está em cada coração e em cada alma de seus filhos. Restaurar, em seus olhos, o orgulho da Pátria é a missão que nos cabe. A soberania do País é a soberania de seu povo; a dignidade do País é a dignidade de sua gente”.

Quão distinta dos negócios que se fazem agora, mediante a entrega de ministérios em troca de segundos de televisão.

No mesmo pronunciamento, a respeito da CLT observou Tancredo: “As relações entre capital e trabalho reclamam novo ordenamento jurídico. A Consolidação das Leis do Trabalho é um diploma envelhecido no arbítrio, que desserve aos empregados e não serve aos empresários. O código vigente só tem servido para iludir trabalhadores e intranquilizar empresas. Não há economia forte com sindicatos fracos. A autonomia sindical é imprescindível à construção democrática do País. Os sindicatos, quando no exercício das suas atividades legais, existem como legítimos instrumentos dos trabalhadores, e sem eles não há paz social”.

Falando ao País após a vitória no colégio eleitoral, dirigiu-se aos assalariados para afirmar: “Retomar o crescimento é gerar empregos. Toda a política econômica de meu governo estará subordinada a esse dever social. Enquanto houver, neste país, um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa”.

Já no discurso redigido para o dia da posse tratou da liberdade sindical, tendo a audácia de registrar: “Os sindicatos devem ser livres. A unidade sindical não pode ser estabelecida por lei, mas surgir naturalmente da vontade dos filiados. Sendo assim, tudo farei para que o Brasil adote a Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho. Os sindicatos não podem submeter-se à tutela do governo nem subordinar-se aos interesses dos partidos políticos. Se devemos ter uma política sindical, temos que evitar qualquer sindicalismo político”.

Escândalos decorrentes de relações promíscuas entre governo e sindicatos confirmam Tancredo e robustecem a necessidade da reforma sindical. O pelego entrava a geração de empregos, pois desencoraja aplicações em atividades geradoras de emprego.

Aécio deve dar continuidade ao projeto do “Estado moderno, apto a administrar a Nação no futuro dinâmico que está sendo construído”. Poderá adotar como emblema a frase “é proibido gastar“, encontrada no discurso do avô ao novo Ministério.

A Nação sabe que nunca se esbanjou tanto, e de maneira tão irresponsável, dinheiro do povo como em 11 anos de petismo. Vejam-se as viagens e os estádios da Copa.

Biografia: musa das Diretas de volta com Aécio Neves

Biografia: Fafá de Belém volta ao túnel do tempo, no passado o apoio a Tancredo, hoje ao lado de Aécio.

Biografia e eleições 2014

Fonte: Estado de Minas 

ELEIÇÕES

Solta a voz nos palanques

Musa da campanha Diretas Já nos anos 1980.

musa das Diretas, que virou no início dos anos 1980 uma espécie de cantora oficial do hino nacional brasileiro, está de volta aos eventos políticos. Três décadas depois de marcar presença em dezenas de comícios em que estiveram reunidas as mais diversas colorações partidárias, a cantora Fafá de Belém esteve este ano ao lado dos principais nomes cotados para disputar a Presidência da República em outubro de 2014. Sempre trazendo referência ao movimento que lutou pela redemocratização do país, a intérprete teve em novembro o mês mais intenso de participações.

Em Poços de Caldas, no Sul de MinasFafá participou de evento do PSDB em 18 de novembro, em comemoração aos 30 anos da Declaração de Poços, uma das primeiras manifestações dos então governadores de São Paulo, Franco Montoro, e Minas GeraisTancredo Neves, contra o autoritarismo e pelas eleições diretas para presidente. O encontro, com a presença do ex-presidenteFernando Henrique Cardoso e de todos os governadores tucanos, serviu de trampolim para afirmar a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República. Além de entoar o hino nacional, Fafá ajudou a reforçar o clima cantando Menestrel das Alagoas, música que se tornou símbolo da época.

No mesmo dia, Fafá seguiu para Belém do Pará, onde protagonizou cena considerada inusitada para um evento do Judiciário. Escolhida pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para cantar o hino no 7 º Encontro Nacional do Judiciário, a paraense deu um caloroso abraço no magistrado, dias depois de ele decretar a prisão dos condenados pelo chamado esquema do mensalão, protagonizado por petistas e aliados durante o primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Joaquim Barbosa é cotado para concorrer à Presidência ou mesmo ser candidato a vice em uma chapa de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Antes, porém, de estar com os tucanos e com Barbosa, a musa das Diretas participou de evento em Recife, onde deu um bom incentivo ao governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), outro pré-candidato à sucessão presidencial. Em uma cerimônia de entrega de prêmios da Unicef em que participava como “amiga da criança da Amazônia”, Fafá lembrou conversa que teve com o avô do “amigo Dudu”, o ex-governador Miguel Arraes, e declarou sua torcida. “Lindo governador, meu amigo Dudu, você aprendeu tudo. Tem feito por este estado e fará por este país”, afirmou.

No Senado FederalFafá participou em 29 de outubro de reunião especial em comemoração aos 25 anos da Constituição. Ela representou os artistas que se mobilizaram na época do movimento Diretas Já. Em Belo Horizonte, na Assembleia de Minas, a cantora apresentou o hino nacional e a música Coração de estudante durante a inauguração do Memorial do Legislativo mineiro. Na ocasião, foi informado que ela cobrou R$ 30 mil de cachê.

A última aparição da musa ao lado de políticos este ano foi no dia 18, com a presidente DilmaFafá cantou o hino em sessão solene no Congresso para a devolução simbólica do mandato de João Goulart (1919-1976), presidente cassado há 49 anos no golpe de Estado que iniciou o regime militar no Brasil. A cantora foi procurada pelo Estado de Minas, mas optou por não falar sobre sua relação com a política. A assessoria dela contou que a maioria das participações foi a convite e que ela não recebeu cachê. No caso da devolução do mandato de Jango, o pedido veio da própria presidente DilmaFafá estava em Portugal, de onde voltou para Brasília e ficou apenas por algumas horas em solo brasileiro antes de retornar para a Europa.

Além de Miguel Arraes e Tancredo Neves, estiveram nos palanques das Diretas os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-governador José Serra (PSDB) e nomes como Ulysses GuimarãesMário Covas e Leonel Brizola.

Aécio presidente: projeto 2014 será discutido com Eduardo Campos

Aécio e Campos falam em ser presidente em 2014. Segundo o senador as eleições 2012 consolidaram o PSDB como força opositora.

Aécio presidente 2014

 Aécio e Campos falam em ser presidente em 2014

Aécio e Campos falam em ser presidente em 2014 – Foto Diário de Pernambuco

Fonte: Folha de S.Paulo

Os políticos responderam às mesmas perguntas da Folha

O senhor é pré-candidato de seu partido à Presidência da República em 2014?

Eduardo CamposMuito cedo para saber isso. Mas, pelo andar da carruagem, o que se imagina é que a presidente Dilmatem as condições de fazer a disputa representando toda essa frente que hoje lidera.

Aécio Neves
É impossível impedir essa leitura [de que é pré-candidato]. Não enfraquece. Essas eleições consolidaram o PSDB como força opositora. Não chegou a hora, mas vai chegar uma hora em que o PSDB vai decidir o seu candidato. Posso ser eu? É uma possibilidade, e não posso fugir disso. Obviamente, se recair a mim a responsabilidade, vou estar preparado para isso.

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O senhor tem (Eduardo Campos ou Aécio Neves) como aliado paraa disputa presidencial em 2014?

Eduardo Campos
Desde a eleição de Tancredo [Neves], nunca mais estivemos em um mesmo palanque nacional. Aécio [Neves] hoje é oposição, e o PSB está na base da presidente Dilma. E temos essa relação [com o PSDB] à luz do dia. Por estar neste projeto [governo Dilma Rousseff], a gente vai deixar de ter relação com o PSDB? Não tem sentido.Aécio Neves
Tenho amizade fraternal com o Eduardo [Campos] de muito tempo. Tenho que respeitar a posição do Eduardo hoje, ele é do governo federal. Qualquer insinuação é dizer que ele está no campo errado. O PSB tem alianças conosco em vários Estados. Se terão um projeto deles ou conosco, só o PSB pode dizer.

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——————–Como vencer resistências internas e de líderes do seu próprio partido [como, por exemplo, Cid e Ciro Gomes no PSB e políticos paulistas no PSDB]?

Eduardo Campos
Eles [Cid e Ciro Gomes] ajudam no projeto PSB, são duas lideranças importantes do nosso partido.

Aécio Neves
Não sou candidato a qualquer preço, de forma alguma. Seria candidato da força majoritária do partido.

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O PT vai lançar Lula ou Dilma como candidato à Presidência em 2014?

Eduardo Campos
Não terminamos nem 2012, 2014 vamos decidir na hora certa. Ao passar o segundo turno, queremos ajudar a presidente Dilma a seguir ajudando o Brasil. É a tarefa que nos cabe neste momento. Agora, decidir hoje 2014, nem o PSB pode decidir nem ninguém tem isso decidido.
Nós não vamos olhar só os interesses do PSB na hora dessa decisão. Vamos olhar, primeiro, os interesses do Brasil.

Aécio Neves
O instituto da reeleição torna a recandidatura quase que impositiva. É da natureza do processo. A recandidatura é a confirmação de um governo que tenha ido razoavelmente bem. A decisão [de lançar Dilma ou Lula] é do PT.
Aécio: presidente 2014 – Link da matéria: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/71084-os-politicos-responderam-as-mesmas-perguntas-da-folha.shtml