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Consultor destaca inovação no sistema de saúde em Minas

Eugênio Vilaça fala da inovação do sistema de saúde de Minas, a partir da proposta de organizar o SUS sobre a forma de Redes de Atenção.

Entrevista

Fonte: PSDB-MG

Eugenio Vilaca Mendes: "Minas teve no governo Aécio Neves a melhor proposta de organização do SUS entre todas as secretarias de Estado do Brasil". Foto: Leo Melo

Eugênio Vilaça Mendes destaca saúde pública de Minas

Eugênio Vilaça Mendes é consultor em saúde pública com atuação em 20 países, em várias agências internacionais, em 25 estados e em mais de 200 municípios brasileiros.

Foi secretário-adjunto da Saúde de Minas Gerais, consultor da Organização Pan-Americana da Saúde, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, da PUC de Minas Gerais, da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais e da Faculdade de Medicina da Unimontes.

Autor dos livros “As redes de atenção à saúde” e “O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde”, Vilaça tem mais de uma centena de artigos publicados no Brasil e no exterior.

Nesta entrevista, Eugênio Vilaça fala da inovação do sistema de saúde em Minas, a partir da proposta de organizar o Sistema Único de Saúde (SUS) sobre a forma de Redes de Atenção à Saúde; dos indicadores que elegeram Minas como melhor rede do Sudeste e a quarta melhor no país; da ação estratégica de investir na atenção primária; da ampliação dos investimentos e da redução em 30% da mortalidade infantil, entre outros avanços na saúde mineira.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

Quais as estratégias alavancaram a saúde em Minas? O Choque de Gestão colaborou para isso?

Choque de Gestão foi fundamental nessa perspectiva de um Estado voltado para a sociedade. Foi a base do projeto de saúde do governo Aécio Neves que começa com uma concepção inovadora no Brasil e na América Latina a partir de uma proposta de organizar o SUS sobre a forma de Redes de Atenção à Saúde. A proposta que, recentemente, foi incorporada nacionalmente, e definiu algumas redes prioritárias, como as redes de Atenção à Mulher e a Criança, que é a Rede Viva Vida; de Atenção às Urgências e Emergências; Rede Hiperdia, de doenças crônicas, cardiovasculares, renal crônica e diabetes; e a rede Mais Vidade atenção às pessoas idosas. Para se construir esta rede fez-se uma regionalização em Minas Gerais. Os 853 municípios foram organizados em 75 microrregiões e 13 macrorregiões para que pudéssemos organizar racionalmente e distribuir os hospitais e os centros de especialidades nas micro e macrorregiões. Esta foi a concepção básica desse projeto inovador.

Minas, segundo o Índice de Desenvolvimento do SUS (Idsus 2012), do Ministério da Saúde, tem a melhor saúde da região Sudeste e a quarta melhor do Brasil. Na sua avaliação, a que se deve esta colocação?

Além de ser a melhor rede do Sudeste, Minas teve no governo Aécio Neves a melhor proposta de organização do SUS entre todas as secretarias de Estado do Brasil. O preponderante foram os resultados alcançados em função da estratégia desenvolvida na implantação das Redes de Atenção à Saúde em Minas.

A estratégia de Saúde da Família tem sido considerada pelo senhor como a principal forma de implantação do SUS por todo o país. Qual o mérito dessa estratégia?

Há inúmeros estudos internacionais e nacionais que mostram que os países que dispõe de bom sistema de saúde, são aqueles que organizaram bem a sua atenção primária. Uma das fortalezas do sistema de saúde mineiro nos últimos anos foi compreender isso. Houve um forte investimento na atenção primária à saúde. Tínhamos duas mil equipes em 2003 e, em 2010, chegamos a quatro mil equipes, o número dobrou. Isso significou que Minas fez, no governo Aécio Neves, o mais importante programa de infraestrutura na atenção primaria à saúde. Foram mais de 1.500 Unidades Básicas de Saúde construídas com recursos apenas estaduais, e por fim, Minas criou um programa de incentivo aos municípios para que melhorassem sua atenção primária com contrato de gestão e incentivo. Com esses investimentos, as regiões mais pobres recebiam incentivo per capita maior que as regiões mais ricas, portanto teve enorme impacto na equidade da atenção primária.

Qual a política em Minas sobre os Centros de Especialidades Médicas?

Minas desenvolveu uma política de construção de Centros de Especialidade Médicas inovadora que parte de uma organização dos centros a partir de uma relação íntima entre a atenção primária e o Centro de Especialidades. A partir daí, criou a Rede Viva Vida, os centrosMais Vida e os centros Hiperdia. A inovação está que a pessoa não é só encaminhada para fazer uma consulta ou exame, ela é encaminhada para uma equipe multiprofissional que faz um plano de cuidado e devolve à atenção primária à saúde. Há resultados, por exemplo, em Santo Antônio do Monte, que mostram que 77% dos diabéticos de alto risco e 92% dos hipertensos estão controlados, se tornando um resultado espetacular.

Governo de Minas reduziu a mortalidade infantil em mais de 30% entre 2003 e 2013, com a criação do programa Viva Vida, e investiu mais de R$ 1 bilhão nos 148 hospitais do ProHosp para superar os vazios assistenciais nas diversas regiões do estado. Quais os méritos desses programas?

O mérito do governo foi entender que não se pode organizar a saúde fragmentadamente com atenção primária para outro, centro de especialidade para outro. Por isso, a Rede organiza o sistema como todo. O governo então organizou a atenção primária em cada município e organizou centros de especialidades em cada microrregião. Os resultados aparecem quando, através do Prohosp, garantiu melhoria significativa dos hospitais de média complexidade em cada microrregião, os hospitais de alta complexidade em cada macrorregião. Outro exemplo foi o Sistema de Transporte em Saúde que ao final do governo Aécio estava presente em 50 microrregiões, beneficiando oito milhões de pessoas, e o Sistema de Telemedicina em mais de 600 municípios. Todas as ações caminham juntas e isto é único na experiência brasileira. A organização das redes é a marca fundamental do seu governo.

Quais os desafios futuros para Minas na área da saúde?

Os desafios da saúde em Minas são em dar continuidade a esses projetos, reforçar e ampliar. Sabemos que tudo isso foi feito no quadro de subfinanciamento federal, pois estado e municípios chegaram a seus limites e, aumentando-se o financiamento da saúde podemos dar continuidade e aprofundar nesses projetos que têm tantos resultados a comemorar, como a redução de morte infantil. Minas tem muito que comemorar a saúde como resultado dessas políticas.

Qual sua expectativa para Aécio Neves conduzir a saúde no Brasil?

Um governador que fez um governo inovador na saúde, certamente, poderá expandir vários destes programas, adaptando-os as distintas realidades dos diferentes estados brasileiros. A matriz aqui desenvolvida por ser expandida para todo o Brasil e isso significa uma melhoria na saúde dos brasileiros.

Artigo: Marcus Pestana, O papel central da estratégia de saúde da família

Gestão da Saúde em Minas, Gestão Eficiente

Fonte: Artigo do deputado federal Marcus Pestana – O Tempo

O papel central da estratégia de saúde da família

O caminho é longo e não há atalhos

Nunca é demais lembrar que as pesquisas de opinião pública identificam a saúde como principal preocupação dos brasileiros. Há, em geral, uma frustração de expectativas e uma avaliação negativa em relação ao SUS. É inegável que os avanços foram muitos e que a saúde hoje no Brasil é muito melhor que há 23 anos, quando a pedra fundamental do SUS foi lançada. Mas estamos longe de entregar aos cidadãos os direitos e princípios constitucionais.

É evidente que, para atender às cobranças da população, os gestores de saúde têm que se desdobrar em ações de curto prazo que gerem impactos imediatos no atendimento à população.

Mas, em longo prazo, numa perspectiva estratégica, o imediatismo e a pressa não construirão o sucesso. Só uma ação transformadora consistente, estruturante e sistêmica poderá produzir resultados satisfatórios. Isso implica em construir um consenso e uma convicção de que o avanço passa pela consolidação de redes de atenção integral à saúde das pessoas coordenadas fortemente por uma atenção primária qualificada e eficaz. Sem isso, o sistema parecerá permanentemente aos olhos dos cidadãos um caleidoscópio fragmentado, desconexo, quase indecifrável.

É fundamental dispor de bons hospitais, assegurar acesso a medicamentos, ter bons centros de diagnóstico e atenção especializada. Mas para defender a qualidade de vida das pessoas e melhorar a gestão e os resultados do sistema não há outro caminho. Sugiro a leitura de “As Redes de Atenção à Saúde”, de Eugênio Vilaça.

A estratégia da Saúde da Família foi o caminho escolhido para enfrentar o desafio. São mais de 30 mil equipes em todo o Brasil, sendo mais de 4.000 em Minas Gerais. Uma equipe multidisciplinar responsável por uma população e um território geográfico definidos, motivada e bem-treinada, produz um fantástico efeito organizador no sistema e uma forte melhoria nos níveis de saúde da população. A combinação de ações de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce, atendimento primário, acompanhamento das doenças crônicas pode deslocar, em grande parte, o centro de gravidade do sistema das portas de hospital e dos balcões de farmácia para os pontos de atenção da saúde da família.

Os problemas não são poucos. Vão desde traços culturais de desconfiança da população e de muitos profissionais do setor, o fascínio pela tecnologia até a difícil formação e fixação de médicos da família nas pequenas cidades, na periferia das grandes cidades e nas cidades mais pobres e distantes.

Daí a importância de iniciativas tomadas pelo governo de Minas, nos últimos anos, de desencadear uma série de ações no âmbito do Programa Saúde em Casa: a contratualização de metas, a qualificação da gestão da clínica através de protocolos e linhas guias, a construção de mais de 2.000 unidades de saúde, o Canal Minas Saúde, a Educação Permanente, o Tele Saúde, o Plano Diretor.

O caminho é longo, mas não há atalhos que valham a pena.