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Polícia Federal descobre que Otílio Prado pode ter pago despesas pessoais de Pimentel

Despesas teriam sido pagas mesmo depois de Pimentel assumir o governo de Minas. PF interceptou trocas de mensagens entre Otílio Prado e Bené.

Nas mensagens, os dois discutem a realização de pagamentos e se referem a Pimentel como “chefe”.

Fonte: O Globo 

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Nos documentos obtidos aparecem, entre outros, recibos de pagamentos feitos por Otílio Prado para a reforma de um apartamento de luxo onde Pimentel morava. Reprodução.


PF encontra indícios de que ex-sócio e dono de empresa suspeita pagou contas pessoais do “chefe” Pimentel

Reportagem de O GLOBO mostra ainda trocas de mensagens entre Otílio Prado e Benedito de Oliveira, o Bené, que demonstram o alto grau de intimidade deles com o governador petista e com sua esposa, a primeira-dama Carolina Oliveira

A Polícia Federal encontrou indícios de que o ex-sócio e atual assessor da Secretária de Estado da Fazenda, Otílio Prado, pagava despesas pessoais do governador de Minas, Fernando Pimentel, e da primeira-dama Carolina Oliveira, mesmo depois do petista assumir o governo de Minas. É o que revela reportagem publicada no jornal O GLOBO do último fim de semana.

A matéria mostra também que durante a Operação Acrônimo, realizada em junho deste ano, a PF interceptou trocas de mensagens de celular entre Otilio Prado e Benedito de Oliveira, mais conhecido como Bené, suspeito de operado um milionário caixa dois na campanha de Pimentel ao Governo de Minas em 2014. Nas mensagens, os dois discutem a realização de pagamentos e se referem a Pimentel como “chefe”.

Otílio Prado é ex-sócio da Pimentel e, até o fim do último ano, era o dono da OPR Consultoria, empresa que recebeu pagamentos suspeitos de entidades patronais mineiras, entre 2013 e 2015. No fim de 2014, depois da eleição do governador petista, Otílio transferiu a empresa para o seu filho, Alexandre Allan Prado. Atualmente, Otílio é assessor especial da Secretaria estadual da Fazenda em Minas, onde recebe salário mensal de R$ 23 mil — que incluem salário e jetons de estatais mineiras.

Já o Bené, homem de confiança de Pimentel e suspeito de ter sido operador da campanha do petista ao governo de Minas em 2014, é acusado de fazer parte de uma organização responsável por lavagem de dinheiro por meio de sobrepreço e inexecução de contratos com o governo federal desde 2005.

“Chefe tá meio triste…”

Nos documentos obtidos por O GLOBO aparecem, entre outros, recibos de pagamentos feitos por Otílio Prado para a reforma de um apartamento de luxo na Rua do Ouro, no bairro Serra, em Belo Horizonte, onde Pimentel morava antes de se mudar para o Palácio dos Mangabeiras, residência oficial dos governadores do estado.

Além dos pagamentos comprometedores ao governador, a PF interceptou também mensagens de celular que demonstram o grau de intimidade entre Otílio, Bené e o “chefe”.

– “Chefe tá meio triste, brigou com a Carol”, escreveu Bené a Prado, em mensagem de novembro de 2013, referência que a PF acredita se tratar de Pimentel e a atual esposa. ‘Ele me disse, vou arrumar uma gatinha pra ele’, respondeu Prado.

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Operação Acrônimo: empresa recém criada ligada a Bené recebeu R$ 150 mil do PT de Minas

Durante o processo eleitoral ano passado, o PT de Minas pagou R$ 150 mil a  empresa de contabilidade sediada em Porto Alegre e criada 48 horas antes da data do pagamento.

Empresa seria ligada a José João Appel Mattos, um dos investigados pela Operação Acrônimo da Polícia Federal.

Fonte: Folha de S.Paulo

Ação suspeita: PT de Minas pagou R$ 150 mil a empresa recém criada ligada a Bené

O empresário Benedito Rodrigues, em foto de 2010, preso na Operação Acrônimo da Polícia Federal. Foto: Folhapress.

PT-MG pagou R$ 150 mil a empresa ligada a Bené criada dois dias antes

O PT de Minas Gerais pagou R$ 150 mil nas eleições a uma empresa de contabilidade sediada em Porto Alegre e criada 48 horas antes. Formada por três sócios, a Erfolg Consultoria e Contabilidade é ligada a José João Appel Mattos, um dos investigados pela Operação Acrônimo da Polícia Federal.

Appel não é um dos sócios da Erfolg, mas a firma foi aberta no dia 2 de setembro em nome de pessoas que trabalham para ele. Ela é registrada no mesmo local e com o mesmo telefone da empresa do contador, a AMC.

Na segunda (14), a Folha ligou para o número e perguntou se era da Erfolg, mas a atendente disse que não sabia de “empresa nenhuma com esse nome” no local, apenas da AMC.

A despesa do PT foi feita pelo comitê financeiro único do Estado, responsável pela campanha do governador Fernando Pimentel e outros candidatos da legenda, no dia 4 de setembro. Os dados estão na prestação de contas enviada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Tanto a Erfolg quanto o partido afirmam que tudo foi feito de acordo com a legislação eleitoral “”mas não responderam aos questionamentos da reportagem sobre os serviços prestados ou o motivo da criação e da contratação da empresa.

BENÉ

Conhecido por resolver problemas contábeis de protagonistas de escândalos de corrupção, Appel prestou serviço para quatro empresas de Benedito de Oliveira, o Bené, e foi diretor de uma delas.

Bené é o pivô da Acrônimo. No ano passado, foram encontrados R$ 113 mil em dinheiro vivo dentro de um avião turboélice que transportava o empresário, o que motivou as investigações da PF. A aeronave apreendida pertence a suas empresas.

Ele foi preso em maio deste ano e deixou a cadeia após pagamento de fiança.

Um dos objetivos da Acrônimo é apurar suspeitas de ligações entre Bené e Pimentel, que negam ter cometido irregularidades. Na operação, um dos mandados de busca e apreensão ocorreu no escritório de Appel.

OUTRO LADO

Em nota, o PT afirma que a Erfolg prestou serviços à campanha eleitoral e “obedeceu aos critérios determinados pela legislação”. O partido não detalhou as informações, embora tenha sido questionado pela reportagem.

Também não informou os motivos da escolha da empresa, criada dois dias antes e registrada no mesmo local de outra contabilidade.

Sócia-proprietária da Erfolg, a contadora Anelise Mendes afirmou, por e-mail, que presta “serviços de contabilidade absolutamente legítimos, dentro dos mais estritos parâmetros técnicos e legais”, mas não comenta a relação com clientes à imprensa. “Estamos à disposição do Poder Judiciário para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários”.

Ela também não quis falar sobre a criação da firma e a relação com a AMC.

A assessoria de Appel foi procurada, mas não se manifestou. Anteriormente, disse que Appel nunca foi processado nem condenado pelos casos em que atuou.

Sobre a Acrônimo, afirmou que a relação do contador com Bené era “meramente profissional”.

Petrobras: Sérgio Gabrielli é acionado por superfaturamento

Petrolão: MP (RJ) entrou com ação civil pública contra José Sérgio Gabrielli, Renato Duque, e 6 outros gerentes e funcionários da empresa.

Ação proposta é por improbidade administrativa nas obras de ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) e do Centro de Processamento de Dados da Petrobras.

Fonte: Folha de S.Paulo

ESCÂNDALO NA PETROBRAS

Promotoria aciona ex-presidente da estatal por superfaturamento

Ministério Público também pediu bloqueio de bens de José Sérgio Gabrielli e outros acusados

Promotores veem indício de que houve irregularidades em obras realizadas pela Andrade Gutierrez

Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com ação civil pública contra o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o ex-diretor Renato Duque, e seis outros gerentes e funcionários da empresa –entre eles, o delator da Lava Jato Pedro Barusco–, por improbidade administrativa nas obras de ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) e do Centro de Processamento de Dados da companhia.

Os promotores responsáveis pelo caso também pediram o bloqueio de bens e a quebra de sigilos bancários e fiscais relativos aos períodos em que ocuparam os cargos.

Segundo o Ministério Público, foram analisados, nesta primeira etapa, quatro contratos firmados com a Andrade Gutierrez, para obras realizadas entre 2005 e 2010. Foi encontrado superfaturamento de R$ 31,4 milhões.

A construtora também foi denunciada. A investigação partiu de fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas da União.

Reportagem da Folha publicada em outubro revelou que auditorias internas da Petrobras já haviam apontado, desde 2008, irregularidades nas contratações das obras do Cenpes.

Sob a gestão de Duque, a ampliação do Cenpes levou seis anos para ser concluída e seu orçamento saltou de R$ 1 bilhão para R$ 2,5 bilhões.

De acordo com o Ministério Público, a Andrade Gutierrez foi escolhida sem licitação para substituir outra empreiteira. A mesma empreiteira foi contratada para remoção de entulhos de forma irregular, com concorrências restritas a poucos participantes.

Um das contratações levou apenas seis dias para ser concluída. Em geral, os processos levam alguns meses. “É uma perplexidade técnica”, definiu a promotora Gláucia Santana, à frente do caso.

Segundo o Ministério Publico, no cálculo do custo da remoção de entulho, ficou comprovada irregularidades no uso de parâmetros técnicos para o cálculo do preço dos volumes removidos.

Para o Ministério Público, Gabrielli, como gestor da empresa, sonegou informações para a fiscalização do TCU.

Segundo a promotora, os problemas nasceram com a decisão da Petrobras de iniciar as licitações sem que o projeto básico tivesse sido concluído “”como tem sido detectado em todas as obras que apresentam problemas graves de superfaturamento.

Gabrielli foi presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, quando deixou a empresa e foi substituído por Graça Foster. A Petrobras e Gabrielli não quiseram comentar.

Renato Duque disse que os contratos assinados enquanto foi executivo da empresa passaram por análise da área jurídica e seguiram os trâmites processuais. A Andrade Gutierrez nega irregularidades e diz que “os contratos com a Petrobras foram realizados dentro dos processos legais”.

Oposição: propina em contas do PT é gravíssima

Líderes alegam que não há como Dilma se eximir de responsabilidade porque o candidato é o responsável por suas contas perante o TSE.

Segundo o delator Augusto Ribeiro Mendonça Neto, parte do dinheiro de propinas financiou campanhas do PT

Fonte: O Globo

Oposição considera ‘gravíssima’ denúncia de que propinas foram depositadas nas contas do PT

Líderes afirmam que não há como a presidente se eximir de responsabilidade

Líderes da Oposição consideraram gravíssima a informação de que parte da propina cobrada por Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, das empresas que prestavam serviços para a Petrobras foi paga na forma de doação oficial ao Partido dos Trabalhadores no período de 2008 a 2011. A informação consta no depoimento de delação premiada do executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que representou várias empresas desde a década de 90, entre elas a Setal Engenharia, depois transformada em Toyo Setal. Os líderes alegam que não há como a presidente Dilma Rousseff se eximir de responsabilidade, se a denúncia for comprovada, porque o candidato é o responsável por suas contas perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os líderes do PSDB se reuniram na tarde desta quarta-feira com o presidente do PSDBAécio Neves (MG), para discutir que providências tomar em relação a denúncia do executivo da Toyo Setal. Caberá ao líder do partido na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), fazer um pronunciamento na sessão do Congresso Nacional. Dizem que as denúncias estão chegando muito próximas da presidente Dilma: ontem com o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, na CPI do Senado; e hoje com a delação premiada de Augusto Ribeiro.

Aécio foi cauteloso em relação à possibilidade de as investigações do Ministério Público levarem a uma situação inevitável de pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas disse que o depoimento de Setal dizendo que fez depósitos de propinas do esquema de desvios da Petrobras em contas da campanha do PT em 2010, na época da eleição da presidente, é “extremamente grave e inédita no País”.

— Se isso for verdadeiro temos um governo ilegitimo no Brasil. Pela primeira vez estamos assistindo um dos dirigentes de empresas envolvidas nessa organização criminosa que tomou conta da Petrobras dizendo que fez depósitos para o PT em contas no exterior e doações oficiais para a campanha de 2010 — disse Aécio.

O senador tucano diz que não se lembra de ter visto até agora, em todo o processo do Petrolão, algo tão grave como as revelações feitas pelo dirigente da empreiteira Toyo Setal.

— A partir da palavra de um dos membros dessa organização criminosa, ficamos sabendo que empresas entregaram parcelas de recursos ao PT, em contas no exterior e na campanha do PT. Isso merece uma investigação extremamente profunda — disse Aécio.

Os líderes da oposição rejeitam o argumento dos governistas de que a Oposição tenta um “terceiro turno” com a possibilidade de articular um pedido de impeachment da presidente Dilma.

— É o dinheiro das propinas do Petrolão usado oficialmente na campanha da presidente Dilma. Naturalmente a própria presidente, com seu passado, está construindo uma situação de falta de legitimidade que a aproxima do impedimento. O conteúdo da delação do executivo da Toyo Setal, combinado com os outros indícios que apontam para o PT, é explosivo — disse Imbassahy.

O presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), disse que, nesse caso, se confirmadas as denúncias da delação do executivo da Toyo Setal, o PT ou Dilma não tem como se eximir de responsabilidade no esquema de desvios bilionário da Petrobras.

— O que aconteceu hoje é gravíssimo. Vamos ver que providência tomar. A técnica de dizer que não sabia como o PT captava o dinheiro para sua campanha não cabe para a presidente Dilma. O candidato é o único responsável por suas contas perante o Tribunal Superior Eleitoral — disse Agripino.

O deputado Miro Teixeira (PROS-RJ), mais cauteloso, diz ser necessário aguardar o desfecho das investigações. Diz que as declarações dos colaboradores precisam ter a subsistência necessária para a produção de provas.

— A confiança no Ministério Público é total. E a investigação tem que alcançar qualquer pessoa que tenha praticado ilegitimidades. Não há que se ter o conceito antecipado à manifestação do Ministério Público — disse Miro.

O vice-presidente do Senado, senador Jorge Viana (PT-AC) disse que a tradicional disputa governo e oposição virou uma tentativa de extensão da eleição de outubro. Alega que o esquema de desvios da Petrobras começou no governo Fernando Henrique Cardoso e envolve também parlamentares do PSDB.

— O senador Aécio teve até uma boa performance na disputa, mas a pior coisa é não saber perder. Esse caso da Petrobas está em boas mãos na CPMI, no Ministério Público, não dá para tirar conclusões precipitadas. Temos que esperar o desmembramento do processo. Não dá para antecipar nada. Do jeito que as coisas estão caminhando, vai sobrar até para o PSDB — disse Viana.

deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) disse que o delator tem obrigação de apresentar provas que liguem o pagamento das propinas com a doação para o PT, senão fica o dito pelo não dito, já que o partido pode alegar que as doações foram mesmo legais.

— Há que se provar que as doações são fruto de corrupção. Se provar a outra parte, do depósito de dinheiro em contas do partido no exterior, aí o PT é que tem que vir a público das as explicações —disse Lúcio.

Petrolão: Pelo menos 35 parlamentares estão envolvidos, diz Costa

Paulo Roberto Costa contou a dois deputados que, em seu depoimento, citou os nomes de 35 políticos que estariam envolvidos no esquema.

Corrupção na Petrobras

Fonte: O Globo

Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras participou de acareação na CPI mista

Em duas conversas em separado no final da sessão da CPI mista da Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa contou a dois deputados que, em seu depoimento no processo de delação premiada, citou os nomes de 35 políticos que estariam envolvidos no esquema. A conversa entre Costa e os dois foi bem rápida e quando se dava o encerramento. Foi o que os dois parlamentares revelaram ao GLOBO.

O ex-diretor confirmou que os partidos envolvidos são o PMDB, PP e PT.

A um deles, Costa perguntou:

— O senhor achou que eu colaborei?

No final da sessão, o autor do requerimento da acareação, deputado Enio Bacci (PDT-RS), fez um apelo a Costa, se poderia declinar o número de políticos envolvidos.

— Não precisa citar nomes nem nada. Mas é algo acima de 10, 20, 30, 50? Não há nenhum comprometimento. O senhor poderia me dar essa alegria, Paulo Roberto? – perguntou Bacci.

Rindo e olhando para seu advogado, João Mestieri, Costa respondeu:

— O senhor não pode me deixar aqui numa situação meio constrangedora, mas algumas dezenas (de políticos envolvidos).

— Ok, senhor presidente, me sinto mais tranquilo ainda por ter contribuído — agradeceu Bacci.

Paulo Roberto Costa participou de acareação com o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Durante a sessão, Costa disse que que confirma tudo o que falou no processo de delação premiada que firmou com a Justiça. Acusado de irregularidades na estatal, ele está colaborando com as investigações, com o objetivo de ter uma redução da pena.

Ele também disse estar arrependido e que decidiu participar da delação premiada por orientação da família. Isso teria lhe trazido “sossego à alma”. Paulo Roberto disse que todas as indicações para cargos de diretoria da empresa são políticas e que está arrependido de ter assumido o posto. Afirmou ainda que as irregularidades na Petrobras acontecem no Brasil inteiro, das rodovias às hidrelétricas.

Petrobras manteve empresa acusada de fraude

Petrobras recebeu, em 2005, denúncia de fraudes promovidas pela empresa Sanko-Sider. Empresa é acusada de fazer operações com doleiro.

Laudo da Polícia Federal na Operação Lava-Jato mostra que a Sanko-Sider repassou R$ 40,9 milhões para consultorias de fachada de Alberto Youssef

Fonte: O Globo

Petrobras recebeu acusação contra Sanko-Sider em 2005

Ouvidoria obteve denúncia de fraude, mas empresa foi mantida no cadastro de fornecedores

Petrobras recebeu em 2005 denúncia de fraudes promovidas pela empresa Sanko-Sider no fornecimento de materiais para a estatal. A acusação, à qual O GLOBO teve acesso, foi feita à Ouvidoria da Petrobras por uma pessoa que se identificou como funcionária da empresa. Mesmo assim, a Sanko-Sider não foi excluída do cadastro de fornecedores da estatal.

Laudo da Polícia Federal na Operação Lava-Jato mostra que a Sanko-Sider repassou R$ 40,9 milhões para consultorias de fachada do doleiro Alberto Youssef, após receber esse mesmo valor do consórcio chefiado pela Construtora Camargo Corrêa na refinaria de Abreu e Lima (Pernambuco).

A denúncia diz que a Sanko-Sider entregou 3.250 metros de tubos de aço carbono falsificados na obra da refinaria de Paulínea em 2005. Segundo o relato, a suspeita foi levantada por técnicos da Petrobras. A falsificação teria sido atestada pela fabricante dos tubos e informada à Petrobras por carta.

“O fabricante Confab Industrial S/A foi convocado a analisar a suspeita da Petrobras e ao inspecionar o material entregue pela Sanko-Sider, imediatamente confirmou a falsificação dos produtos (fraude esta para compensar o baixo preço unitário ofertado)”, escreveu a denunciante à Ouvidoria.

Há no relato a citação de outra licitação no qual a Sanko-Sider ficou na quinta posição, mas acabou contratada após a desqualificação das concorrentes e se comprometer a cobrir o preço da vencedora. A denúncia diz que em outra concorrência o preço oferecido era 16% abaixo do que o próprio fabricante cobrava. Segundo a denunciante, só era possível apresentar esse preço porque os produtos eram fraudados. A funcionária dizia que pediria demissão em breve e estaria disposta a apresentar os documentos à Petrobras.

Sanko-Sider continua no cadastro de fornecedores da Petrobras e foi subcontratada pelo consórcio liderado pela Camargo Corrêa na Abreu e Lima. Foi com a justificativa deste contrato que repassou recursos a título de “consultoria” para as empresas MO Consultoria e GFD Investimentos.

doleiro Alberto Yousseff já reconheceu que essas empresas não prestavam serviço algum e eram usadas apenas para recebimento de recursos. Laudo da PF atestou que a Sanko-Sider repassou integralmente R$ 40,9 milhões recebidos do consórcio entre 2010 e 2013. Procuradas, PetrobrasSanko-Sider e Camargo Corrêa não responderam os questionamentos.

Lava-Jato: órgão regulador o mercado de capitais americano notifica Petrobras

Executivos presos na Lava-Jato podem ser também processados nos EUA, já que a empresa tem ações negociadas na Bolsa de Nova York.

Maior escândalo de corrupção do Brasil

Fonte: O Globo 

Petrobras é notificada por órgão regulador americano

CVM e Securities and Exchange Commission trocam informações sobre a estatal

A Petrobras informou nesta segunda-feira ter recebido no dia 21 uma notificação da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano, requerendo documentos sobre a operação Lava-Jato. De acordo com a estatal, eles serão enviados após o trabalho com o escritório nacional Trench, Rossi e Watanabe Advogados e com o americano Gibson, Dunn & Crutcher, já contratados para fazer investigação interna independente.

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira, disse que o órgão já está trocando informações com a SEC, sobre as investigações de corrupção e desvio de recursos na Petrobras. Segundo ele, existe uma “via de duas mãos” entre as duas instituições, mas ele não detalhou quais informações já enviou ou recebeu da SEC. Pereira disse que a CVM está pedindo informações constantemente à Petrobras sobre as investigações. Logo após as denúncias do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, em outubro, o órgão regulador do mercado de capitais brasileiro abriu processo contra a estatal para também investigar os desvios de recursos na empresa.

— A colaboração com a SEC é contínua. Isso existe entre nós e todos os outros órgãos reguladores e acontece naturalmente. As informações sobre as investigações na Petrobras estão sendo repassadas à SEC, assim como eles também nos repassam informações. É uma via de duas mãos. Estamos pedindo informações constantemente à Petrobras sobre o caso — disse.

Os executivos da Petrobras presos na operação Lava-Jato podem ser também processados pela lei anticorrupção dos EUA, já que a empresa tem ações negociadas na Bolsa de Nova York. Em conferência na semana passada, a procuradora-geral assistente do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), Leslie Caldwell, responsável pelos casos de corrupçãofora do país, afirmou que existe a intenção de prender mais pessoas corruptas, em vez de punir companhias e seus acionistas, apelando para países parceiros colaborarem na busca dos protagonistas dos crimes. A Petrobras vem sendo acompanhada pelas autoridades dos EUA, que mantêm contato com o escritório Gibson, Dunn & Crutcher LLP, contratado pela própria estatal brasileira.

Pereira não quis comentar se a Petrobras pode sofrer algum tipo de sanção da CVM, caso publique seu balanço do terceiro trimestre sem a chancela de uma auditoria independente. A estatal promete divulgar no próximo dia 12 de dezembro um balanço não auditado, mas com algumas ressalvas.

— Cada caso é um caso. Todo balanço que vem com ressalvas a CVM vai lá e faz um supervisão diferenciada. Isso faz parte das atividades normais de supervisão da CVM. O balanço pode sair com ressalva, mas quando isso acontece tem que se entender o que está sendo feito para resolver o problema. A CVM tem que entender cada caso específico — afirmou Pereira.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO disseram que um balanço sem a rubrica de uma auditoria independente é “uma peça de ficção” para o mercado financeiro, gerando desconfiança sobre os números da empresa. Para esses especialistas, o melhor seria a Petrobras reconhecer prejuízos causados por desvio de recursos e corrigir o valor de seus ativos em balanços futuros.

Perguntado sobre como avaliava a criação de uma diretoria de compliance pela Petrobras, Pereira não quis comentar sobre o caso específico da estatal.

— Especificamente eu não posso comentar o que cada empresa faz, mas desde que eu entrei na CVM, em 2012, eu tenho falado sobre isso. Essa é uma das prioridades. É preciso ter demonstrações financeiras de qualidade, informações de qualidade, que são a base do mercado de capitais. É muito importante que os controles internos das empresas cada vez estejam mais fortes — disse o presidente da CVM.

Pereira participou em São Paulo do encerramento do XI Seminário Internacional de Normas Contábeis. Durante sua palestra, o presidente da CVM disse que não existe mercado de capitais sem a transparência das empresas, dando confiança aos investidores.

— Os investidores só são capazes de tomar uma decisão se tiverem informações das empresas de como elas serão capazes de sustentar seu negócio. Os investidores precisam se sentir seguros — afirmou Pereira.

Ele também defendeu, em sua palestra, as empresas de auditoria independente, que devem ter “eficácia e qualidade”.

Nesta segunda, a Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul bloqueou valores e sequestrou bens da Petrobras e da empreiteira Iesa para garantir o pagamento de funcionários que serão demitidos da empreiteira. O bloqueio será limitado a R$ 30 milhões.