• Agenda

    julho 2020
    S T Q Q S S D
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031  
  • Categorias

  • Mais Acessados

    • Nenhum
  • Arquivo

  • Minas em Pauta no Twitter

    Erro: Assegure-se de que a conta Twitter é pública.

Deputados do PT pedem investigação contra Aécio por lista fraudada de Furnas

Gravações feitas pela Polícia Federal chegaram a flagrar o deputado petista Rogério Correia negociando com o falsário Nilton Monteiro a confecção da Lista Fraudada de Furnas.

Denúncia do MP de Minas já tinha identificado como age o estelionatário que falsificou a Lista de Furnas envolvendo políticos tucanos e mostrou uma série de golpes contra empresários e espólios milionários

Alegação dos parlamentares petistas é de que depoimentos do doleiro Alberto Youssef na Lava Jato reforçam indícios de participação de Aécio no desvio de recursos na estatal

Fonte: Jogo do Poder O Estado de Minas

Lista fraudada de Furnas: PT cria factóide e pede investigação contra Aécio

Deputados do PT criam ‘factóide’ contra Aécio Neves em investigação da lista fraudada de Furnas produzida por um estelionatário já conhecido da Justiça. Foto: Antonio Cruz/ABr

Lista de Furnas: MP comprova falsidade de documentos

Lista fraudada de Furnas: estelionatário Nilton Monteiro tinha apoio de Marco Aurélio Flores Carone, editor do jornal eletrônico “Novo Jornal”.

Com a chegada do ano eleitoral no final de 2014, políticos de diversas colorações partidárias se transformam no alvo preferencial daquele que o Ministério Público de Minas Gerais define como o “Midas da falsificação”. Trata-se de Nilton Antônio Monteiro, um antigo conhecido das delegacias de estelionato que costuma trafegar com enorme desenvoltura no eixo Minas-Rio-Brasília e que nos últimos 13 anos teria, segundo o promotor André Luiz Garcia de Pinho, movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão com seus golpes e achaques.

Leia mais http://www.jogodopoder.com/blog/politica/lista-de-furnas-mp-comprova-falsidade-de-documentos/

PT em desespero – Lista de Furnas pode respingar em Lula, partido tenta desqualificar laudo de perito americano

Desesperado, PT mente sobre perícia na Lista de Furnas

Maior especialista do mundo em fraude de documentos, Larry F. Stewart nunca mentiu sobre perícias. Não se pode dizer o mesmo do PT, que…

Leia mais: http://www.jogodopoder.com/blog/politica/pt-em-desespero-lista-de-furnas-pode-respingar-em-lula-partido-tenta-desqualificar-laudo-de-perito-americano/

Mais detalhes

Deputados pedem a Janot investigação contra Aécio por “lista de Furnas

Fonte: Estado de Minas

Os deputados federais Adelmo Leão e Pedro João, do PT de Minas Gerais, e o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), encaminharam uma representação à Procuradoria-Geral da República pedindo que seja aberta investigação para apurar a eventual participação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na chamada “lista de Furnas”.

A alegação dos petistas é de que depoimentos do doleiro Alberto Youssef no âmbito da Operação Lava Jato reforçam indícios de uma suposta participação de Aécio no desvio de recursos em contratos de Furnas. As descobertas tornadas públicas com a Lava Jato, escrevem os deputados, indicam a necessidade de a PGR “aprofundar as investigações” sobre o caso.

“Veja-se, Senhor Procurador-Geral da República, que muito embora Vossa Excelência já tenha feito algum juízo de valor em relação à possibilidade de abertura de inquérito sobre determinadas pessoas mencionadas nas colaborações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato, notadamente em relação ao atual Senador Aécio Neves, é imprescindível que novas investigações sejam entabuladas e aprofundadas acerca dos vultosos desvios de recursos públicos em ambas as empresas (Cemig e Furnas) no período de 1994 a 2002″, escrevem os parlamentares.

Ao encaminhar os pedidos de investigação de parlamentares ao Supremo Tribunal Federal (STF), no início do mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o arquivamento da citação a Aécio Neves. Janot não viu elementos suficientes para abertura de inquérito contra o senador e presidente nacional do PSDB.

Além de alegar que os fatos eram diversos dos investigados na Lava Jato – que apura esquema de corrupção na Petrobras -, Janot apontou na ocasião que as afirmativas de Youssef são “muito vagas” e fundamentadas no que ouviu por intermédio de terceiros.

Informações complementares sobre a montagem da fraude da Lista de Furnas

Aécio não descarta participação nas manifestações de domingo

Senador repetiu o discurso de que, quanto menor a vinculação com partidos políticos, maior legitimidade terão as ações contra o governo nas ruas.

Aécio afirmou que, embora hoje o impedimento da presidente não seja uma pauta do partido, o desenrolar das investigações sobre a corrupção na Petrobras pode levar o PSDB a “discutir o assunto”.

Fonte: Folha de S.Paulo 

Aécio Neves (PSDB-MG) deixou em aberto a possibilidade de participar dos atos contra o governo da presidente Dilma Rousseff.  Divulgação

Aécio Neves (PSDB-MG) deixou em aberto a possibilidade de participar dos atos contra o governo da presidente Dilma Rousseff. Divulgação

Aécio diz que pode ir a ato anti-Dilma se tiver ‘rompante’

Partidos de oposição declaram apoio a manifestações de domingo, mas afirmam não apoiar impeachment

Para senador tucano, avanço da investigação sobre a Petrobras pode criar ‘condições’ para ‘discutir’ impedimento

“Sou um cara de rompantes. Quem sabe na hora eu não resisto?” Foi com essa frase, entre risos, que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) deixou em aberto a possibilidade de participar dos atos contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) programados para domingo (15).

Rival de Dilma na eleição de 2014 e principal rosto da oposição hoje, o senador tucano tem sido ambíguo quando questionado sobre sua participação nos protestos.

Na tarde desta quarta (11), em entrevista em Brasília, ele disse que não participaria das manifestações. No início da noite, em entrevista à rádio Jovem Pan, o tucano fez questão de lançar uma dúvida sobre o que fará no domingo.

Inicialmente, o senador repetiu o discurso de que, quanto menor a vinculação com partidos políticos, maior legitimidade terão as ações contra o governo nas ruas.

Depois, disse que não queria “colocar a azeitona na empadinha que o PT quer levar ao forno” e estimular a teoria de que vem fragilizando o governo Dilma para forçar um “terceiro turno”. No fim da fala, entretanto, definiu-se como um “cara de rompantes”.

A declaração foi dada no mesmo dia em que os dois principais partidos de oposição, PSDB e DEM, decidiram dar apoio público aos atos contra o governo. Ambos disseram que não apoiam, neste momento, os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff, principal bandeira das manifestações.

Na entrevista à rádio, assim como deixou uma brecha sobre a possibilidade de comparecer aos atos, Aécio afirmou que, embora hoje o impedimento da presidente não seja uma pauta do partido, o desenrolar das investigações sobre a corrupção na Petrobras pode levar o PSDB a “discutir o assunto”. “Se essas condições se criarem, temos que, com muita serenidade, discutir essa questão”, disse.

O tucano afirmou que um processo de impeachment depende de dois fatores, um político e outro jurídico. Para ele, o caldo político vem engrossando com gestos de descontentamento com o governo, mas o fator jurídico não existe. “Pode ser até que se configure [com a evolução das investigações]”, disse. “Mas não vamos antecipar.”

Aécio incentivou a população a ir às ruas. “As pessoas que tiverem com esse sentimento, esse nó na garganta, devem, sim, ir às ruas”, afirmou. Ele também rebateu acusações de que os protestos seriam “golpistas”. Para o senador, os petistas acreditam que “o povo só pode se manifestar sobre os temas que ele [PT] considera adequados”.

Ao contrário do DEM e do PSDB, o Solidariedade –partido controlado pelo deputado Paulinho da Força (SP)– vai lançar nesta quinta (12) uma campanha pelo impeachment da presidente. Será a primeira lançada oficialmente por um partido.

Minha Casa, Minha Vida: Dilma deixa programa abandonado em Minas

Enquanto Dilma inaugura hoje 920 casas do Minha Casa, Minha Vida na Bahia, conjuntos que seriam erguidos em Minas com recursos do programa federal estão abandonados.

PT abandona Minas

Fonte: Estado de Minas 

Minha Casa, Minha Vida: Governo Dilma abandonou programa em Minas

Jaqueline Rosário da Silva com os dois filhos numa das unidades do conjunto em Quartel Geral: as casas deveriam ter sido concluídas em maio. Foto: Estado de Minas

Governo federal inaugura casas enquanto moradias inacabadas deterioram em Minas

O cabo de guerra entre governo federal, prefeituras, bancos e empreiteiras disputado há quase um ano deixa as casas do programa Minha casa, minha vida inacabadas em duas cidades mineiras. Na pequena Paineiras, cidade de 4,6 mil habitantes na Região Central, a corda arrebenta do lado mais fraco. Contemplada com uma das 37 casas, Adriana Alves da Silva, de 31 anos, esperava ter se mudado em maio do ano passado, quando a placa na entrada do conjunto habitacional previa o prazo para a conclusão das obras. Adriana cria sozinha dois filhos, um de 8 anos, que é autista, e outro de 14, que, segundo ela, ainda não teve um diagnóstico fechado, mas sabe-se que tem atraso mental. “Meu sonho é minha casa”, afirma a mulher, que poderia pagar, segundo seus cálculos, exames para os filhos com o dinheiro do aluguel (R$ 300). Enquanto as obras das casas de Paineiras estão abandonadas, hoje, em Feira de Santana, na Bahia, a presidente Dilma Rousseff (PT) entregará 920 moradias do programa. O ato faz parte da estratégia da presidente de criar uma agenda positiva diante das sucessivas denúncias de corrupção na Petrobras. Na segunda-feira, durante cerimônia de posse como presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior anunciou que será lançada uma nova etapa do programa, com a construção de 3 milhões de novas moradias.

“Está demorando demais”, lamenta Adriana, que recebe um salário mínimo mensal relativo à pensão do filho autista e diz que em alguns meses chega a faltar dinheiro para comida. “A sorte é que o pessoal da cidade sempre me ajuda com cesta básica”, destaca. De três em três meses ela procura um advogado para cobrar a pensão alimentícia do marido. “O pai deles é alcoólatra, esteve preso e tem muita dificuldade para conseguir emprego em Belo Horizonte, onde vive”, detalha. Adriana não pode trabalhar, pois os filhos exigem atenção o tempo todo. “O mais novo tem autismo e não conversa, usa fralda e preciso ficar com ele até para levá-lo ao banheiro”, explica.

No conjunto habitacional onde Adriana e seus filhos deveriam estar morando desde maio – caso o prazo estabelecido tivesse sido cumprido –, o que chama a atenção é o mato, que cresce até no piso do que deveria ser um banheiro. Portas foram arrombadas e as esquadrias da janela estão completamente empenadas. Materiais usados na obra, como areia e brita, estão abandonados no matagal. No cenário de desalento, o único som que se ouvia ontem ao meio – dia era de uma porta depredada movimentando-se com o vento.

O prefeito de Paineiras, Osman de Castro (PR), diz que tentou contato com a empreiteira Paralelo SOS e também com o Ministério das Cidades, mas não teve resposta. Castro argumenta que a responsabilidade da prefeitura era preparar o terreno e que isso foi cumprido. “Os futuros moradores me procuram. Alguns dizem que vão invadir e algumas portas já foram estouradas”, explica o prefeito.

Responsável pelas obras do Minha casa, minha vida em cinco municípios mineiros, entre eles Paineiras e Quartel Geral, o empreiteiro Sérgio de Oliveira e Silva, dono da construtora Paralelo SOS, atribui o atraso nas obras à falta de repasses de recursos pelo Ministério das Cidades, por meio do Bicbanco. Segundo Silva, a demora é de quase 50 dias para receber, enquanto o acordo previa, no máximo, 30 dias. “Cheguei a comunicar o problema ao Ministério das Cidades. A gente acaba tendo que dispensar funcionários e fica sem credibilidade junto aos fornecedores”, afirma.

O empreiteiro ressalta que conseguiu concluir somente 26,6% das obras em Paineiras e 18,4% em Quartel Geral. Os trabalhos estão parados desde novembro e outubro, respectivamente. “Para mim, não é interessante atrasar. Tudo aumenta. Somos contratados por um preço baixo (R$ 25 mil a unidade) e ainda tem a morosidade para receber. Mas se avanço a obra e não recebo, fico devendo e tenho que pagar juros”, reclama Silva, que afirma que o próximo repasse estava prometido para depois do carnaval.

Em nota, o Bicbanco respondeu que “não comenta eventuais negócios com clientes ou possíveis clientes”. O Ministério das Cidades informou que a equipe técnica está ocupada com o evento de Feira de Santana, na Bahia, e não poderia esclarecer ontem as razões do atraso nas obras nos municípios mineiros.

Sem telhado

Na pequena Quartel Geral, de 3,3 mil habitantes, na Região Centro-Oeste, a situação é pior. Das 39 casas previstas, apenas oito foram levantadas, sendo que uma está sem telhado. A obra envolve o mesmo banco e construtora de Paineiras. As casas deveriam ter sido entregues em maio do ano passado, quando Jaqueline Rosário da Silva, de 24, ficou grávida de seu segundo filho. No dia 6 deste mês nasceu Whitney e as obras seguem paradas. O mato cresce nos cômodos, algumas paredes foram rabiscadas e as telhas de algumas casas foram removidas por uma ventania.

Jaqueline cuida de sua filha recém-nascida e de seu primeiro filho, Patrick, de 6 anos, sozinha. Paga R$ 200 de aluguel e está em licença-maternidade do emprego em uma fábrica de sapatos na cidade vizinha de Abaeté. “Não sei se vou esperar mais. Pago R$ 200 de aluguel e o dinheiro poderia ajudar muito nas despesas da casa. Já falei com o pessoal da prefeitura que estou pensando em ir para lá com a casa sem acabar”, afirma Jaqueline.

O engenheiro civil Elder Augusto, da Prefeitura de Quartel Geral, explica que o prefeito da cidade já colocou à disposição máquinas para carregarem material, mesmo não sendo essa uma função da prefeitura. “Ele tem medo de o mandato acabar e não terminar as casas e as pessoas colocarem a culpa nele”, afirma o engenheiro.

Presente de grego

Mais de 900 casas de três conjuntos habitacionais, construídas dentro do programa Minha casa, minha vida, estão prontas em Montes Claros (Norte de Minas), mas vão continuar vazias pelos próximos meses. O motivo é a falta de infraestrutura dos conjuntos. O sorteio para a entrega dos imóveis estava marcado para hoje, mas ontem o prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PRB), anunciou o adiamento. Segundo ele, entregar agora as unidades seria como “dar um presente de grego para os moradores”.

De acordo com Ruy Muniz, nos conjuntos habitacionais Vitória II, Rio do Cedro e Monte Sião IV faltam escolas, unidades básicas de saúde, postos policiais, praças, quadras poliesportivas cobertas, linhas de transporte coletivo e espaços reservados para o comércio. O chefe do Executivo disse que, além de cancelar o sorteio dos novos conjuntos, a administração municipal decidiu não conceder o “habite-se” (liberação para a ocupação) dos imóveis. A intenção do prefeito é exigir do governo federal a liberação de recursos para escolas, postos de saúde e outras obras estruturais nos conjuntos. Ele anunciou que, no mês de março, terá uma reunião com a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, para cobrar uma solução para o problema.

Diretor indicado pelo PMDB é suspeito de espionar Petrobras

Senha usada para copiar era exclusiva de Jorge Luiz Zelada, indicação do deputado Fernando Diniz, com a chancela amiga do governo Lula.

Espiões tiveram acesso ao Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, que descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração.

Documentos foram parar nas mãos da holandesa SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira.

Fonte: O Globo

A senha: ‘SG9W’

Coluna do José Casado

Alguns dos maiores segredos da Petrobras vazaram numa operação de espionagem realizada por brasileiros, entre eles um diretor da estatal indicado por deputado do PMDB

Parece formigueiro quando se observa da janela, no alto da torre desenhada como plataforma de petróleo. A massa serpenteia, quase atropelando vendedores de ilusões lotéricas, espertos do carteado e ambulantes de afrodisíacos à volta dos prédios. Na paisagem se destaca um paletó preto surrado. Bíblia na mão direita e “caixa-para-doações” na esquerda, ele bacoreja: “Irmãos, o apocalipse está chegando!”

Naquela quinta-feira, 7 de abril de 2011, seu palpite ecoava numa cidade perplexa com a carnificina de 12 estudantes em insano ataque numa escola de Realengo, na Zona Norte.

No alto da torre, porém, o mundo era outro. Emoções oscilavam entre a euforia das renovadas promessas de óleo fator sob a camada do pré-sal e a depressão com o rombo de caixa bilionário provocado pelo “congelamento” do preço da gasolina. Recém-chegada à Presidência, Dilma Rousseff culpava suspeitos de sempre, os anônimos “inimigos externos”.

No alto da torre, de porta fechada e solitário na sala refrigerada, ele apertou quatro teclas no computador: “SG9W”. Foi como abrir um cofre: abriu-se o acesso a valiosos papéis da Petrobras.

Procurou um documento específico (“E&P-PRESAL 21/2011”). Era novo e dos mais sigilosos da empresa naqueles dias. “Confidencial”, advertia a etiqueta na capa. Concluído três semanas antes, consolidava o “Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos”. Descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração de “uma nova fronteira petrolífera com elevado índice de sucesso exploratório, contendo grandes acumulações de petróleo de boa qualidade para a geração de derivados”.

O relatório com dois anexos foi copiado às 15:40:34. No dia seguinte, começou a ser analisado por um grupo de especialistas em Amsterdã. Na segunda-feira, 18 de abril, 11 dias depois, quando a diretoria da Petrobras se reuniu na sede da Avenida Chile, no Centro, para aprovar o secreto plano para o pré-sal, cópias já circulavam em Londres, Mônaco e na holandesa Schiedam, onde está instalada a SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira. Nos meses seguintes, vieram outros três documentos sigilosos.

Nessa operação de espionagem vazaram alguns dos maiores segredos da Petrobras no governo Dilma Rousseff. Por trás, não havia nenhum serviço de informações estrangeiro, o “inimigo externo”, embora naquele abril de 2011 a americana Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) estivesse trabalhando com idêntico objetivo.

Foi uma ação de brasileiros. A senha usada para copiar era exclusiva — de uso pessoal — de Jorge Luiz Zelada, que há três anos ocupava a Diretoria Internacional da Petrobras por indicação do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), com a chancela amiga do governo Lula. A remessa ao exterior foi realizada por Julio Faerman, agente da holandesaSBM no Rio e responsável pela distribuição de US$ 102,2 milhões em propinas a “funcionários do governo brasileiro”, como confessou a SBM à Justiça da Holanda e à dos EUA.

Há pelo menos oito meses o governo e o comando da estatal sabem das ações de Zelada e Faerman, entre outros. Dilma Rousseff, no entanto, continua na praça pregando contra anônimos “inimigos externos” da Petrobras.

Jorge Hage diz houve má-fé mesmo na compra de Pasadena

Ministro da CGU, Jorge Hage, fala sobre a investigação da compra de Pasadena: “Não foi mau negócio nem erro de gestão. Foi má-fé mesmo”

Refinaria no Texas deu prejuízo de US$ 659,4 milhões (R$ 1,8 bilhão)

Fonte: O Globo

Para ministro Jorge Hage, condutas foram intencionais, e envolvidos serão proibidos de voltar ao serviço público

O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, dispensa meias palavras ao falar sobre a investigação da compra da refinaria de Pasadena: “Não foi mau negócio nem erro de gestão. Foi má-fé mesmo”. Ontem, auditoria apresentada pelo órgão constatou que a Petrobras teve um prejuízo de US$ 659,4 milhões (R$ 1,8 bilhão) na compra da refinaria, no Texas.

O relatório deixa claro que, com os alertas feitos, a Petrobras tinha tudo para não fechar esse negócio de Pasadena.

Sem dúvida. Não se tratou de mau negócio ou de erro de gestão. Houve má-fé, mesmo. Foram condutas intencionalmente cometidas. A Petrobras optou por estimativas futuras em vez de levar em conta a situação da empresa à época.

Esse prejuízo, de US$ 659,4 milhões, representa o caso mais rumoroso investigado pela CGU?

É até possível que seja, não tenho certeza. De memória não saberia dizer com segurança se é o maior caso isolado. Há casos de auditorias de grande valor, mas são várias juntas.

Sobre as conclusões e recomendações, o que sr. tem a dizer?

Vamos instalar 22 processos contra as pessoas identificadas na investigação. Tem processo que pode levar à demissão de quem ainda está na empresa. Os comprovadamente envolvidos serão proibidos de voltar ao serviço público.

Petrobras: Sérgio Gabrielli é acionado por superfaturamento

Petrolão: MP (RJ) entrou com ação civil pública contra José Sérgio Gabrielli, Renato Duque, e 6 outros gerentes e funcionários da empresa.

Ação proposta é por improbidade administrativa nas obras de ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) e do Centro de Processamento de Dados da Petrobras.

Fonte: Folha de S.Paulo

ESCÂNDALO NA PETROBRAS

Promotoria aciona ex-presidente da estatal por superfaturamento

Ministério Público também pediu bloqueio de bens de José Sérgio Gabrielli e outros acusados

Promotores veem indício de que houve irregularidades em obras realizadas pela Andrade Gutierrez

Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com ação civil pública contra o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o ex-diretor Renato Duque, e seis outros gerentes e funcionários da empresa –entre eles, o delator da Lava Jato Pedro Barusco–, por improbidade administrativa nas obras de ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) e do Centro de Processamento de Dados da companhia.

Os promotores responsáveis pelo caso também pediram o bloqueio de bens e a quebra de sigilos bancários e fiscais relativos aos períodos em que ocuparam os cargos.

Segundo o Ministério Público, foram analisados, nesta primeira etapa, quatro contratos firmados com a Andrade Gutierrez, para obras realizadas entre 2005 e 2010. Foi encontrado superfaturamento de R$ 31,4 milhões.

A construtora também foi denunciada. A investigação partiu de fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas da União.

Reportagem da Folha publicada em outubro revelou que auditorias internas da Petrobras já haviam apontado, desde 2008, irregularidades nas contratações das obras do Cenpes.

Sob a gestão de Duque, a ampliação do Cenpes levou seis anos para ser concluída e seu orçamento saltou de R$ 1 bilhão para R$ 2,5 bilhões.

De acordo com o Ministério Público, a Andrade Gutierrez foi escolhida sem licitação para substituir outra empreiteira. A mesma empreiteira foi contratada para remoção de entulhos de forma irregular, com concorrências restritas a poucos participantes.

Um das contratações levou apenas seis dias para ser concluída. Em geral, os processos levam alguns meses. “É uma perplexidade técnica”, definiu a promotora Gláucia Santana, à frente do caso.

Segundo o Ministério Publico, no cálculo do custo da remoção de entulho, ficou comprovada irregularidades no uso de parâmetros técnicos para o cálculo do preço dos volumes removidos.

Para o Ministério Público, Gabrielli, como gestor da empresa, sonegou informações para a fiscalização do TCU.

Segundo a promotora, os problemas nasceram com a decisão da Petrobras de iniciar as licitações sem que o projeto básico tivesse sido concluído “”como tem sido detectado em todas as obras que apresentam problemas graves de superfaturamento.

Gabrielli foi presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, quando deixou a empresa e foi substituído por Graça Foster. A Petrobras e Gabrielli não quiseram comentar.

Renato Duque disse que os contratos assinados enquanto foi executivo da empresa passaram por análise da área jurídica e seguiram os trâmites processuais. A Andrade Gutierrez nega irregularidades e diz que “os contratos com a Petrobras foram realizados dentro dos processos legais”.

Petrolão: empreiteiros devem ser denunciados

Esquema de pagamento de propina e desvio de recursos resultará em acusações de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude a licitações.

Clube VIP vai responder a processo criminal

Fonte: O Globo

Lava-Jato: empreiteiros deverão ser denunciados na próxima semana

Procuradores vão passar sábado e domingo analisando últimas provas

Ministério Público Federal (MPF) prepara para apresentar à Justiça já na próxima semana as primeiras denúncias contra empreiteiros que integravam o clube de empresas beneficiadas pelo cartel que atuou na obtenção de contratos da Petrobras e que foram presos na etapa mais recente da Operação Lava-Jato, realizada em 14 de novembro. O esquema de pagamento de propina e desvio de recursos da estatal resultará em acusações de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude a licitações, entre outros. Os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava-Jato passarão o fim de semana analisando as últimas provas a serem incluídas nas denúncias. O plano é apresentar à Justiça todas as ações referente às empreiteiras nos próximos dias.

O foco principal são os acusados que permanecem presos em Curitiba. A OAS é a empreiteira com a maior quantidade de representantes presos de forma preventiva. Estão detidos desde a deflagração dessa fase da operação o presidente da empresa, José Aldemário Pinheiro Filho; o vice-presidente, Agenor Franklin Medeiros; o diretor Mateus Coutinho de Sá; e o funcionário José Ricardo Breghirolli. A Camargo Corrêa tem, por sua vez, três representantes presos: Dalton Avancini, presidente; Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente; e João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da empresa. A informação sobre a continuidade das prisões é da Justiça Federal no Paraná.

A lista de acusados presos inclui ainda donos e executivos da Galvão Engenharia, da Engevix, da UTC e da Mendes Júnior. A operação da PF deflagrada no dia 14 incluiu ainda os responsáveis pela construtora Queiroz Galvão e pela Iesa Óleo e Gás — eles conseguiram a liberdade no curso das investigações. As empreiteiras do chamado Juízo Final, nome dado à fase das investigações que desbaratou o clube formado pelas empresas para fatiar os contratos com a Petrobras, mediante pagamento de propina, serão o alvo das denúncias do MPF previstas para a próxima semana.

A suspeita central é de desvio de dinheiro de obras da estatal para o pagamento de propina a três partidos: PT, PP e PMDB. Às empreiteiras, cabia abastecer o esquema, muitas vezes por meio de empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef, em troca dos contratos principais para as grandes obras da Petrobras, em especial a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

MAIS DE UM ANO DE INVESTIGAÇÃO

Na esfera administrativa, a Controladoria Geral da União (CGU) já abriu processos contra as oito empreiteiras do clube formado para fatiar contratos da estatal. São as mesmas empresas cujos donos e executivos foram presos na operação da PF. O ministro da CGUJorge Hage, afirmou que os empreendimentos poderão ser enquadrados na Lei Anticorrupção.

Polícia Federal, por sua vez, já elenca a abertura de um total de 95 inquéritos a partir da Operação Lava-Jato e acredita que eles deverão prolongar as investigações por, pelo menos, mais um ano.

PF deve, no entanto, concluir em breve os inquéritos sobre as empreiteiras. Esta é considerada a parte mais impactante da operação, informou ao GLOBO uma autoridade que acompanha o caso.

Os inquéritos restantes deverão abordar aspectos periféricos do esquema de corrupção montada pelo doleiro Alberto Youssef e por outros operadores com a ajuda de ex-dirigentes da estatal.

Ainda assim, a PF estima que as investigações poderão resultar, no futuro, em pelo menos mais 15 operações. Em geral, as grandes operações da PF sempre deixam “resquícios” que servem de ponto de partida para novas investigações.

Oposição: propina em contas do PT é gravíssima

Líderes alegam que não há como Dilma se eximir de responsabilidade porque o candidato é o responsável por suas contas perante o TSE.

Segundo o delator Augusto Ribeiro Mendonça Neto, parte do dinheiro de propinas financiou campanhas do PT

Fonte: O Globo

Oposição considera ‘gravíssima’ denúncia de que propinas foram depositadas nas contas do PT

Líderes afirmam que não há como a presidente se eximir de responsabilidade

Líderes da Oposição consideraram gravíssima a informação de que parte da propina cobrada por Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, das empresas que prestavam serviços para a Petrobras foi paga na forma de doação oficial ao Partido dos Trabalhadores no período de 2008 a 2011. A informação consta no depoimento de delação premiada do executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que representou várias empresas desde a década de 90, entre elas a Setal Engenharia, depois transformada em Toyo Setal. Os líderes alegam que não há como a presidente Dilma Rousseff se eximir de responsabilidade, se a denúncia for comprovada, porque o candidato é o responsável por suas contas perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os líderes do PSDB se reuniram na tarde desta quarta-feira com o presidente do PSDBAécio Neves (MG), para discutir que providências tomar em relação a denúncia do executivo da Toyo Setal. Caberá ao líder do partido na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), fazer um pronunciamento na sessão do Congresso Nacional. Dizem que as denúncias estão chegando muito próximas da presidente Dilma: ontem com o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, na CPI do Senado; e hoje com a delação premiada de Augusto Ribeiro.

Aécio foi cauteloso em relação à possibilidade de as investigações do Ministério Público levarem a uma situação inevitável de pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas disse que o depoimento de Setal dizendo que fez depósitos de propinas do esquema de desvios da Petrobras em contas da campanha do PT em 2010, na época da eleição da presidente, é “extremamente grave e inédita no País”.

— Se isso for verdadeiro temos um governo ilegitimo no Brasil. Pela primeira vez estamos assistindo um dos dirigentes de empresas envolvidas nessa organização criminosa que tomou conta da Petrobras dizendo que fez depósitos para o PT em contas no exterior e doações oficiais para a campanha de 2010 — disse Aécio.

O senador tucano diz que não se lembra de ter visto até agora, em todo o processo do Petrolão, algo tão grave como as revelações feitas pelo dirigente da empreiteira Toyo Setal.

— A partir da palavra de um dos membros dessa organização criminosa, ficamos sabendo que empresas entregaram parcelas de recursos ao PT, em contas no exterior e na campanha do PT. Isso merece uma investigação extremamente profunda — disse Aécio.

Os líderes da oposição rejeitam o argumento dos governistas de que a Oposição tenta um “terceiro turno” com a possibilidade de articular um pedido de impeachment da presidente Dilma.

— É o dinheiro das propinas do Petrolão usado oficialmente na campanha da presidente Dilma. Naturalmente a própria presidente, com seu passado, está construindo uma situação de falta de legitimidade que a aproxima do impedimento. O conteúdo da delação do executivo da Toyo Setal, combinado com os outros indícios que apontam para o PT, é explosivo — disse Imbassahy.

O presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), disse que, nesse caso, se confirmadas as denúncias da delação do executivo da Toyo Setal, o PT ou Dilma não tem como se eximir de responsabilidade no esquema de desvios bilionário da Petrobras.

— O que aconteceu hoje é gravíssimo. Vamos ver que providência tomar. A técnica de dizer que não sabia como o PT captava o dinheiro para sua campanha não cabe para a presidente Dilma. O candidato é o único responsável por suas contas perante o Tribunal Superior Eleitoral — disse Agripino.

O deputado Miro Teixeira (PROS-RJ), mais cauteloso, diz ser necessário aguardar o desfecho das investigações. Diz que as declarações dos colaboradores precisam ter a subsistência necessária para a produção de provas.

— A confiança no Ministério Público é total. E a investigação tem que alcançar qualquer pessoa que tenha praticado ilegitimidades. Não há que se ter o conceito antecipado à manifestação do Ministério Público — disse Miro.

O vice-presidente do Senado, senador Jorge Viana (PT-AC) disse que a tradicional disputa governo e oposição virou uma tentativa de extensão da eleição de outubro. Alega que o esquema de desvios da Petrobras começou no governo Fernando Henrique Cardoso e envolve também parlamentares do PSDB.

— O senador Aécio teve até uma boa performance na disputa, mas a pior coisa é não saber perder. Esse caso da Petrobas está em boas mãos na CPMI, no Ministério Público, não dá para tirar conclusões precipitadas. Temos que esperar o desmembramento do processo. Não dá para antecipar nada. Do jeito que as coisas estão caminhando, vai sobrar até para o PSDB — disse Viana.

deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) disse que o delator tem obrigação de apresentar provas que liguem o pagamento das propinas com a doação para o PT, senão fica o dito pelo não dito, já que o partido pode alegar que as doações foram mesmo legais.

— Há que se provar que as doações são fruto de corrupção. Se provar a outra parte, do depósito de dinheiro em contas do partido no exterior, aí o PT é que tem que vir a público das as explicações —disse Lúcio.

Petrolão: Pelo menos 35 parlamentares estão envolvidos, diz Costa

Paulo Roberto Costa contou a dois deputados que, em seu depoimento, citou os nomes de 35 políticos que estariam envolvidos no esquema.

Corrupção na Petrobras

Fonte: O Globo

Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras participou de acareação na CPI mista

Em duas conversas em separado no final da sessão da CPI mista da Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa contou a dois deputados que, em seu depoimento no processo de delação premiada, citou os nomes de 35 políticos que estariam envolvidos no esquema. A conversa entre Costa e os dois foi bem rápida e quando se dava o encerramento. Foi o que os dois parlamentares revelaram ao GLOBO.

O ex-diretor confirmou que os partidos envolvidos são o PMDB, PP e PT.

A um deles, Costa perguntou:

— O senhor achou que eu colaborei?

No final da sessão, o autor do requerimento da acareação, deputado Enio Bacci (PDT-RS), fez um apelo a Costa, se poderia declinar o número de políticos envolvidos.

— Não precisa citar nomes nem nada. Mas é algo acima de 10, 20, 30, 50? Não há nenhum comprometimento. O senhor poderia me dar essa alegria, Paulo Roberto? – perguntou Bacci.

Rindo e olhando para seu advogado, João Mestieri, Costa respondeu:

— O senhor não pode me deixar aqui numa situação meio constrangedora, mas algumas dezenas (de políticos envolvidos).

— Ok, senhor presidente, me sinto mais tranquilo ainda por ter contribuído — agradeceu Bacci.

Paulo Roberto Costa participou de acareação com o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Durante a sessão, Costa disse que que confirma tudo o que falou no processo de delação premiada que firmou com a Justiça. Acusado de irregularidades na estatal, ele está colaborando com as investigações, com o objetivo de ter uma redução da pena.

Ele também disse estar arrependido e que decidiu participar da delação premiada por orientação da família. Isso teria lhe trazido “sossego à alma”. Paulo Roberto disse que todas as indicações para cargos de diretoria da empresa são políticas e que está arrependido de ter assumido o posto. Afirmou ainda que as irregularidades na Petrobras acontecem no Brasil inteiro, das rodovias às hidrelétricas.

Petrobras manteve empresa acusada de fraude

Petrobras recebeu, em 2005, denúncia de fraudes promovidas pela empresa Sanko-Sider. Empresa é acusada de fazer operações com doleiro.

Laudo da Polícia Federal na Operação Lava-Jato mostra que a Sanko-Sider repassou R$ 40,9 milhões para consultorias de fachada de Alberto Youssef

Fonte: O Globo

Petrobras recebeu acusação contra Sanko-Sider em 2005

Ouvidoria obteve denúncia de fraude, mas empresa foi mantida no cadastro de fornecedores

Petrobras recebeu em 2005 denúncia de fraudes promovidas pela empresa Sanko-Sider no fornecimento de materiais para a estatal. A acusação, à qual O GLOBO teve acesso, foi feita à Ouvidoria da Petrobras por uma pessoa que se identificou como funcionária da empresa. Mesmo assim, a Sanko-Sider não foi excluída do cadastro de fornecedores da estatal.

Laudo da Polícia Federal na Operação Lava-Jato mostra que a Sanko-Sider repassou R$ 40,9 milhões para consultorias de fachada do doleiro Alberto Youssef, após receber esse mesmo valor do consórcio chefiado pela Construtora Camargo Corrêa na refinaria de Abreu e Lima (Pernambuco).

A denúncia diz que a Sanko-Sider entregou 3.250 metros de tubos de aço carbono falsificados na obra da refinaria de Paulínea em 2005. Segundo o relato, a suspeita foi levantada por técnicos da Petrobras. A falsificação teria sido atestada pela fabricante dos tubos e informada à Petrobras por carta.

“O fabricante Confab Industrial S/A foi convocado a analisar a suspeita da Petrobras e ao inspecionar o material entregue pela Sanko-Sider, imediatamente confirmou a falsificação dos produtos (fraude esta para compensar o baixo preço unitário ofertado)”, escreveu a denunciante à Ouvidoria.

Há no relato a citação de outra licitação no qual a Sanko-Sider ficou na quinta posição, mas acabou contratada após a desqualificação das concorrentes e se comprometer a cobrir o preço da vencedora. A denúncia diz que em outra concorrência o preço oferecido era 16% abaixo do que o próprio fabricante cobrava. Segundo a denunciante, só era possível apresentar esse preço porque os produtos eram fraudados. A funcionária dizia que pediria demissão em breve e estaria disposta a apresentar os documentos à Petrobras.

Sanko-Sider continua no cadastro de fornecedores da Petrobras e foi subcontratada pelo consórcio liderado pela Camargo Corrêa na Abreu e Lima. Foi com a justificativa deste contrato que repassou recursos a título de “consultoria” para as empresas MO Consultoria e GFD Investimentos.

doleiro Alberto Yousseff já reconheceu que essas empresas não prestavam serviço algum e eram usadas apenas para recebimento de recursos. Laudo da PF atestou que a Sanko-Sider repassou integralmente R$ 40,9 milhões recebidos do consórcio entre 2010 e 2013. Procuradas, PetrobrasSanko-Sider e Camargo Corrêa não responderam os questionamentos.