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Minas tem gás em volume capaz de garantir autossuficiência – reservas correspondem a 25% da distribuição diária do gasoduto

A nova energia de Minas

Fonte: Alberto Pinto Coelho, Vice-governador de Minas Gerais – Estado de Minas

Há 135 anos era criada, em Ouro Preto, a Escola de Minas, destinada a formar os primeiros profissionais de pesquisa nas áreas de geologia e mineração no Brasil. Quase um século depois, também em Ouro Preto, a Fundação Gorceix, vinculada à mesma escola, criou o Núcleo de Geologia do Petróleo (Nupetro), buscando estabelecer uma melhor avaliação do potencial petrolífero do Brasil. Fazendo jus ao seu nome, Minas Gerais tem dado, portanto, histórica contribuição ao desenvolvimento mineral do país. O que ninguém poderia supor, nem os pioneiros de 1876 e tampouco os precursores do Nupetro, hoje parceiro estratégico do governo de Minas, é que o estado surgiria, em pleno século 21, como um dos principais reservatórios de gás natural do Brasil. Coube ao governador Antonio Anastasia anunciar a boa-nova em outubro de 2010: Minas tem gás em volume capaz de garantir autossuficiência do estado numa fonte de energia limpa e considerada, na avaliação de especialistas, elo de transição da cultura do petróleo para um mundo onde haverão de prevalecer fontes de energia alternativas e sustentáveis.

O gás natural, com suas vantagens comparativas, lidera a matriz energética da Rússia (54%) e desponta como segunda principal fonte nos Estados Unidos (25%), com posição semelhante em países como a Alemanha, Inglaterra, França, Canadá e Irã. Já no Brasil, sua utilização, na mesma matriz, é de apenas 7,5%, enquanto o petróleo e seus derivados alcançam a taxa de 43%, contra a média mundial de 35%. Há no país, portanto, um grande potencial para o uso do gás natural na indústria e no consumo residencial, em processos de produção de calor e vapor. Até 2013, a Usiminas utilizará o gás natural fornecido pela Gasmig em toda a sua linha de produção, substituindo os derivados do petróleo.

Note-se que as reservas estimadas na bacia sedimentar do Rio São Francisco, de Morada Nova de Minas a Montalvânia, de Brasilândia de Minas a Paracatu, de Buritizeiro a Unaí e Paracatu, são de tal monta que, em Morada Nova de Minas, as reservas correspondem a 25% da distribuição diária do gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), ou seja, 7,5 milhões de metros cúbicos/dia. Já as reservas totais estimadas para a região, em prospecções feitas pelo consórcio Cobasf, que reúne a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig), a Cemig e os players privados Orteng, Delp e Imetame, com estudos conduzidos pela Schlumberger, gigante internacional prestadora de serviços na área petrolífera, apontam para um volume estimado da ordem de 195 bilhões de metros cúbicos de gás natural.

É com o exato objetivo de estabelecer um planejamento estratégico para a exploração e o melhor aproveitamento dessa extraordinária riqueza natural que aflora em Minas que o governo Anastasiaempossou, dia 1º, o Comitê Especial Mineiro de Gás e Petróleo. A missão deste comitê contém a diretriz central de incentivar a agregação de valor à cadeia de produtos mineiros, como também a de estimular o desenvolvimento da rede de fornecedores de equipamentos e serviços à Petrobras, no âmbito do pré-sal. No caso do gás natural, um produto nobre, todos os esforços convergem no sentido de que seu aproveitamento tenha o maior valor agregado possível, tanto na substituição de combustíveis como nas indústrias gasoquímica, siderúrgica, com aproveitamento do potencial de minério de ferro do estado, ou na produção de fertilizantes, no caso de amônia e ureia. E, ainda, como cogerador e ferramenta complementar da energia elétrica, contribuindo para fortalecer um setor estratégico do desenvolvimento brasileiro e que utiliza energia renovável, importante diferencial do país na matriz energética do mundo.

O comitê mineiro agrega, por sua vez, um valor institucional de primeira ordem: a par dos representantes dogoverno estadual, dele participam instituições de grande prestígio, como a Petrobras, e as mais expressivas entidades representativas da iniciativa privada, como a Fiemg, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip); a Associação dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abrip) e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Mas a melhor de todas as notícias, certamente, é a de que esta nova riqueza de Minas está localizada em uma região social e economicamente povoada por múltiplas demandas. Com essa verdadeira revolução econômica que se avizinha, ela desperta para uma nova etapa de desenvolvimento capaz de elevar, rapidamente, os indicadores de renda e de emprego no Noroeste são-franciscano. Com as bênçãos sagradas do Velho Chico.

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Jornal Estado de Minas: Meia Bolívia de gás em Minas

Estado de Minas: Meia Bolívia de gás em Minas

Fonte: Estado de Minas

Governo estima que reserva descoberta na Região Central produzirá ao menos 15 milhões de metros cúbicos

O gás natural descoberto em Morada Nova de Minas, na Região Central do estado, será explorado comercialmente a partir do ano que vem. O volume descoberto num único poço pode chegar à metade do fornecido ao Brasil pela Bolívia, estimou ontem o governador mineiro Antônio Augusto Anastasia. “O empresário Eike Batista diz que descobriu meia Bolívia de gás natural no Maranhão. A outra metade, se Deus quiser, está aqui”, frisou. O Brasil importa diariamente da Bolívia até 30 milhões de metros cúbicos do combustível. A descoberta ocorreu há uma semana e foi comunicada segunda-feira à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Desde a confirmação da existência do combustível, porém, os indícios do potencial da reserva durante a perfuração estão cada vez mais robustos, informou o governador. A presença de gás natural em Minas significa a redenção econômica para a Bacia do Rio São Francisco porque, além de atrair indústrias, representa a possibilidade de aumento de arrecadação para os pequenos municípios locais na forma de royalties, sem contar o fato de que o estado tem participação em cinco dos 43 poços licitados pela ANP na região.

Ainda vai levar 60 dias para que o consórcio que reúne Codemig, Orteng, Imetame Energia e Delp Engenharia no projeto de exploração do combustível divulgue o tamanho da reserva e a vazão do gás em Morada Nova de Minas. Serão mais 30 dias de perfuração a uma razão diária de 53 metros de profundidade, até chegar à meta principal, que é alcançar 2,5 mil metros de profundidade. O gás descoberto na semana passada foi encontrado a 1.440 metros da superfície. Em seguida, começa a ser feito o teste de formação de poço, que levará outros 30 dias até ser concluído. O que se sabe, de imediato, é que o gás poderá ser explorado por meio da construção de uma termelétrica vizinha ao poço ou da construção de um gasoduto, mas tudo depende do volume que será apurado. “O importante é que foi encontrado um volume considerável no primeiro furo de um bloco de 3 quilômetros quadrados. Essa descoberta nos dá garantia de que estamos no caminho certo”, disse o governador.

De acordo com ele, com a confirmação da existência do combustível, o gás natural ficará mais barato em Minas. Em junho, o preço do metro cúbico do combustível importado da Bolívia custava US$ 7,42 por milhão de BTUs, 35% a mais que o produzido no Brasil até agora. Na Europa, a mesma quantidade de gás custa em média US$ 3, informou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. “Esse gás mais barato servirá para todos os consumidores, especialmente os industriais, porque isso significa uma redução do custo da produção”, disse Anastasia.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Orteng, Robson Andrade, o gás será um atrativo a mais para novos projetos e a diversificação da indústria em Minas, como é o caso do setor petroquímico. “É a possibilidade de termos gás à disposição dentro da nossa casa”, comparou. Além do consórcio formado pela iniciativa privada e a Codemig, empresas como Petrobras, Shell e British Petroleum também são donas de blocos estão e desenvolvendo pesquisas na área licitada.

Segundo Oswaldo Borges da Costa Filho, presidente da Codemig, os blocos só foram licitados pela ANP a pedido do ex-governador Aécio Neves. “Ele questionou o motivo pelo qual as áreas onde havia indícios da existência do combustível não iam a leilão”. De acordo com Costa Filho, na época, a dúvida é se haveria empresários interessados em participar da disputa. “Hoje o gás é uma realidade. Mas essa foi uma ação planejada, não caiu do céu”.

A expectativa é que os royalties a serem arrecadados com a produção de gás natural em Minas fiquem entre 5% a 6% da produção. Além disso, o estado é dono de 49% da exploração, já que é essa a sua participação no consórcio. Os outros 51% estão nas mãos da iniciativa privada. “O gás é extremo indutor de crescimento industrial em qualquer país. Europa e Estados Unidos só conseguiram desenvolver sua indústria com a matriz energética do gás”, sustenta o secretário de Desenvolvimento Econômico Sérgio Barroso.