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Ricardo Noblat: O governo que não foi: 30 anos sem Tancredo

Tancredo dizia: “Meu primeiro decreto terá um único artigo dizendo assim: ‘É proibido gastar’”. Queria dizer com isso que faria um governo austero, preocupado com o equilíbrio das contas públicas.

 Embora não fosse economista, Tancredo gostava de economia.

Fonte: O Globo

Ricardo Noblat: O governo que não foi: 30 anos sem Tancredo

O governo que não foi

Por Ricardo Noblat

Em um dia qualquer de julho de 1984, no seu apartamento do Bloco D, Quadra 709 Sul, em Brasília, o senador Marco Maciel (PE), um dos líderes da dissidência do PDS, partido da ditadura militar instalada no país há mais de 20 anos, recebia amigos e companheiros de aventura que haviam decidido apoiar a candidatura a presidente da República deTancredo Neves, 74 anos de idade, então governador de Minas Gerais.

A reunião no apartamento de Maciel serviria para sacramentar a candidatura a vice na chapa de Tancredo do senador José Sarney (MA), 54 anos, que renunciara, fazia pouco tempo, à presidência do partido da ditadura. Estavam ali, entre outros, os senadores Jorge Bornhausen (PDS-SC), Guilherme Palmeira (PMDB-AL) e Affonso Camargo (PMDB-PR). A campainha do apartamento soou e Everardo Maciel, economista amigo do anfitrião, foi abrir a porta.

O cheiro do fumo de cachimbo denunciou a entrada do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Saudado pelos demais, Simon, que era muito ligado a Ulysses, derramou-se numa poltrona, cruzou os braços atrás da cabeça e anunciou em voz alta: “Temos problemas. É que no Rio Grande do Sul, achamos que Sarney é corrupto”. Nem bem ele terminou de falar, Sarney levantou-se e gritou: “Renuncio, indignado, à minha candidatura”.

O sempre calmo Maciel, dessa vez aflito, socorreu Sarney: “Minha solidariedade, minha solidariedade”. Os demais senadores fizeram o mesmo. Espantado ou se fingindo que estava, Simon perguntou: “Fiz alguma coisa errada?” O estrago que ele fez só foi consertado depois de mais três ou quatro horas de reunião, e de se apelar por telefone a Tancredo e a Ulysses Guimarães, presidente do PMDB, que estavam na cidade. Sarney foi embora da reunião como vice de Tancredo.

Ulysses e Tancredo tocavam de ouvido. E, por sabedoria, às vezes desafinavam. Ulysses e Sarney, jamais. Atravessaram brigando o governo de Sarney. A todo o momento, Ulysses provocava Sarney para testá-lo. Até que ponto Sarney seria fiel à herança de Tancredo? Ou ele acabaria por traí-la quando se sentisse mais forte no cargo? No primeiro ano de governo, Sarney arranjou-se com os ministros escalados por Tancredo. No segundo ano, com os seus.

Um dos primeiros ministros a sair foi Francisco Dornelles, da Fazenda, sobrinho de Tancredo e homem da confiança dele. Tancredo dizia: “Meu primeiro decreto terá um único artigo dizendo assim: ‘É proibido gastar’”. Queria dizer com isso que faria um governo austero, preocupado com o equilíbrio das contas públicas. Embora não fosse economista,Tancredo gostava de economia.

Por fraqueza política, forçado pelo PMDB de Ulysses a mostrar serviço, Sarney substituiu no Ministério da Fazenda o ortodoxo Dornelles pelo heterodoxo Dílson Funaro. E aí aconteceram fatos que jamais ocorreriam com Tancredo. O Plano Cruzado, por exemplo, que congelou preços e salários. Ele fez de Sarney um deus reverenciado pela maioria dos brasileiros, e deu ao PMDB sua maior vitória nas eleições de 1986 para os governos estaduais.

O Plano Cruzado 2, que arquivou o congelamento, foi um desastre que empurrou a popularidade de Sarney para baixo e a inflação para cima. Sarney, mais tarde, deixaria o governo com uma inflação mensal (eu disse: mensal) de 80%. Este ano, a inflação anual (eu disse: anual) ficará em torno dos 8%. A esquerda delirou quando Sarney decretou a moratória da dívida externa. Deu errado. Não tinha como dar certo. Tancredo deve ter-se revirado em seu túmulo.

Uma coisa que Tancredo faria, Sarney fez: a legalização dos partidos comunistas. Acuado por Ulysses, Sarney concordou com a instalação da Assembleia Nacional Constituinte para remover “o entulho autoritário”, o conjunto de leis promulgadas pela ditadura. Não haveria hipótese de Tancredo bancar uma Constituinte “livre e soberana”. No máximo, encaminharia ao Congresso uma proposta conservadora de reforma da Constituição.

Nada de turbulências, repetia Tancredo. Paz e democracia. Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda de Ernesto Geisel, o penúltimo presidente da ditadura de 64, costumava alertar: “Cuidado! Não se metam com emendas à Constituição porque elas não concedem o direito de veto ao presidente”. A Constituição parida pela Constituinte reduziu o mandato original de seis anos de Sarney para cinco. Poderia ter sido pior.

O PMDB ameaçou aprovar o mandato de quatro anos. Sarney avisou aos partidos por meio do seu ministro da Justiça, Paulo Brossard, que se assim fosse renunciaria ao mandato. Não bastou. Ele então usou os ministros militares para assustar os constituintes. O risco de um golpe bastou. Sarney governou por cinco anos. Nada ganhou a mais com isso. Desceu a rampa do Palácio do Planalto acenando com um lenço branco para as poucas pessoas reunidas ali por perto.

Vocalista do Capital Inicial defende jovem na política e critica defesa do PT pelo controle da imprensa: “Não sei o que eles têm em mente, se é algo à la Stalin”

Fonte: Julia Duailibi – Estado de S.Paulo

No palco do Rock, o grito de Dinho pela liberdade de imprensa

Experiente líder do Capital Inicial revitaliza debate sobre a politização dos jovens 

Em 1985, o Brasil assistia à primeira edição do festival de música Rock in Rio. No quinto dia do encontro, 15 de janeiro, enquanto bandas como AC/DC e Barão Vermelho se revezavam no palco da Cidade do Rock, o País vivia um momento de otimismo: Tancredo Neves e José Sarney eram eleitos pelo Colégio Eleitoral presidente e vice-presidente do País, depois de duas décadas de ditadura.

Passados quase trinta anos e seis eleições diretas para presidente, José Sarney voltou a aparecer como protagonista político na quarta edição brasileira do festival. Mas, dessa vez, as menções ao presidente do Senado ocorreram em contexto menos elogioso e de maneira mais direta.

“Essa daqui, velho, é para as oligarquias, cara, que parecem ainda governar o Brasil. Que conseguem deixar os grandes jornais brasileiros censurados durante dois anos, como o Estado de S. Paulo. Cara, coisas inacreditáveis… Essa daqui é para o Congresso brasileiro. Essa daqui é em especial para o José Sarney. Isso daqui se chama Que País é Este”, anunciou o vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, para uma multidão de cem mil pessoas, no dia 24.

Expoente da geração dos anos 80 do rock nacional, que usou a música como forma de protesto político, Dinho referia-se à censura de 793 dias a que o Estado está submetido desde que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal proibiu o jornal de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

Aos 47 anos, o músico cantou o clássico de Renato Russo, escrito em 1978, época em que o País vivia uma asfixia política e se preparava para ingressar no cenário de instabilidade econômica dos anos 80. Na plateia do Rock in Rio, milhares de jovens de uma outra geração. Pessoas que nasceram quando já se podia votar para presidente. Jovens que ouviram falar de “plano econômico”, “Cruzeiro” ou “Cruzado” pelos livros escolares e que usam as mídias sociais como forma de protesto, principalmente em questões comportamentais. Enquanto Dinho cantava para essa plateia, a multidão gritava: “Ei, Sarney, vai tomar…”.

Dinho, que diz já ter cogitado se candidatar e conta preferir ler a cobertura jornalística nacional à cultural, conversou sobre política com o Estado na sexta-feira, no Rio: “Está se caminhando para um Brasil moderno enquanto formas muito arcaicas de fazer política continuam enraizadas. Não é possível que o Brasil moderno possa coexistir com o Brasil desses coronéis e oligarcas neandertais”. Em seguida, ponderou: “Neandertais no sentido antigo, não no cerebral”.

Ele diz que são “alarmantes” as agressões à liberdade de imprensa na América Latina. “Quando se resumia a países menores, você conseguia caracterizar como, talvez, um espasmo patrocinado pelo Hugo Chávez (presidente da Venezuela)”, disse. “Mas fica mais grave quando você pega um país com as proporções da Argentina, país que até há pouco tempo era o mais desenvolvido da América do Sul. Aí começo a ficar preocupado. E o mais grave é que a Cristina (Kirchner, presidente) vai se reeleger”, completou.

Para o músico, “historicamente a América Latina tende a caminhar em manada”. “O que acontece num país frequentemente acontece nos outros: o regime militar, a redemocratização e até os movimentos de independência, se quiser ir mais longe”, avaliou. “Congressos do PT falando em controle da imprensa, em regulamentar a imprensa… Não sei o que eles têm em mente, se é algo à la Stalin. O que querem exatamente? A mim parece que as leis existem para coibir abusos: se você se sentir insultado, afrontado ou lesado por alguma notícia”, completou.

Geração. O jornalista e crítico musical Arthur Dapieve diz que a politização foi um marco da geração de Dinho, a dos anos 80, principalmente entre bandas como Legião Urbana e Plebe Rude. “A politização caiu muito com a democratização. Mais fácil ser politizado quando há um antagonista claro, como os militares, a ditadura”, disse. “Os jovens da atualidade não passaram por hiperinflação, por privações maiores, grande crises econômicas. E aquela coisa: se a economia vai bem, eles não veem maiores razões para protestar. Mesmo que façam coro com o Dinho na hora que toca Que País é Este. Há um certo entorpecimento que a boa fase econômica cria. Não só nos jovens, mas com boa parte da população”, avalia.

Para a secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, ligada à Presidência da República, não dá para fazer uma comparação entre as gerações. “Hoje a juventude tem um conjunto de pautas, e os grupos se articulam em favor das suas demandas. Não são bandeiras únicas. Então, aparentemente, dá a impressão de que há um processo de desmobilização”, afirmou. “Há jovens que não se organizam mais pelo sistema tradicional de partidos, sindicatos ou movimento estudantil. Mas a partir de seu grupo cultural, de sua comunidade, do movimento de periferia, nos grupos GLBT”, declarou.

Líder do movimento estudantil dos caras-pintadas, que foi às ruas pedir a queda de Fernando Collor em 1992, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) diz que a geração dele “não era melhor” do que a atual: “Essa é uma geração mais antenada, que aceita mais diversidade e tem mais senso ético. Não é correto dizer que está na rua ou é alienada. Para aglutinar, precisa de crise. Felizmente, não temos mais isso”, afirmou.

As conjunturas econômica, política e até educacional pesaram em outros lugares do mundo e levaram, neste ano, milhares de jovens, de realidades díspares, às ruas da Grécia, da Espanha, do Chile e, inclusive, em Wall Street, coração financeiro dos Estados Unidos. A “primavera árabe”, que derrubou ditadores do Oriente Médio, tornou-se símbolo político desses movimentos. Em reportagem publicada na semana passada, o New York Times disse que os jovens desta geração vão para as ruas porque não têm fé nas urnas e porque veem com “desconfiança e até desprezo os políticos tradicionais e o processo político democrático”.

O sociólogo Gabriel Milanez, da empresa de tendências Box 1824, coordenou a pesquisa O Sonho Brasileiro, com pessoas entre 18 e 24 anos, concluída em 2011 (leia acima). “Hoje a noção de política do jovem é menos partidária. Ele não pensa política pelo viés do partido ou da política institucional de Brasília. Expandiu a noção política para outras esferas.”

Veterano. Dinho Ouro Preto também acha que os jovens hoje são mais “despolitizados”. “Eles cresceram num País muito diferente do nosso. Isso favorece um distanciamento, ao menos dos garotos de classe média. Aliado ainda à percepção de que o País está crescendo, talvez os torne mais egoístas”, afirmou o músico. Ainda assim, ele diz que, como “veterano”, leva para a plateia “os temas políticos da semana”.

Foi o que fez no Rock in Rio, sábado passado. “Mas você pensa em falar alguma coisa e na hora não sai como você quer. Você está emocionado, tem muita gente gritando. Então, você acaba não sendo tão eloquente quanto gostaria de ter sido”, afirmou.

“Gostaria de ter dito mais. Você acaba soltando um apanhado do que gostaria de dizer. Não consegue o mesmo foco que seria necessário. Mas é um show de rock, não é um comício. O seu coração vai a 180 batimentos por minuto, sei lá a quanto vai”, contou.

As declarações do músico lhe renderam críticas. No Maranhão, Estado de Sarney, o deputado estadual Magno Bacelar (PV) disse que pedirá uma moção de repúdio contra Dinho. “Muitos dos metaleiros vão ali drogados, maconhados”, declarou o parlamentar.

Dinho disse ter achado o episódio “engraçadíssimo. “O cara que falou isso é do PV! O PV, na verdade, não é nada do que eu achava. É do Zequinha (Sarney), filho do cara. Me interessei pelo PV por causa do Gabeira, mas percebi que é um partido muito heterogêneo”, afirmou. O músico conta que votou na última eleição em Marina Silva, do PV. No segundo turno, anulou o voto. “Sempre votei no Lula. Parei depois do mensalão. Não acho o Lula corrupto, eu faço uma boa avaliação do governo dele. Mas o grande erro foi a condescendência com aliados e com a coalizão que o sustentou”, disse.

Dinho diz que o próximo CD do Capital terá conteúdo político. A riqueza das Nações, em referência ao pai do liberalismo, Adam Smith, trará o verso “vamos fazer uma revolução”. Tema atual, com certa dose de saudosismo.

Comissão de Constituição e Justiça do Senado vai apreciar proposta de Aécio Neves que altera rito de tramitação das medias provisórias

Parecer de Aécio que limita MPs será analisado amanhã

Fonte: Telmo Fadul – O Tempo

Rigidez. Senador impõe restrições ao rito de tramitação do ato normativo
Parecer de Aécio que limita MPs será analisado amanhã

Base aliada articula tática para manter a proposta original, de autoria de Sarney

http://www.otempo.com.br/capa/scripts/diminuator.php?arquivo=/otempo/fotos/20110426/foto_25042011231650.jpg&w=244Brasília. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) retoma amanhã a votação do parecer do senador Aécio Neves (PSDB) à proposta de emenda à Constituição (PEC), do presidente da Casa José Sarney (PMDB-AP), que altera o rito de tramitação das medidas provisórias (MPs). Parlamentares da base da presidente Dilma Rousseff (PT), porém, devem barrar as intenções do mineiro de tornar mais rígidos os critérios para adoção desse ato normativo.

Quando apresentou seu relatório, há duas semanas, Aécio sofreu contestações do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e do senador petista José Pimentel. Eles repudiaram as alterações que o tucano promoveu no projeto original, que apenas fixava prazos iguais de tramitação em cada uma das Casas Legislativas. Aécio sugere que a MP tenha força de lei somente após aprovação de admissibilidade por comissão mista de deputados e senadores.

Pelas regras atuais, as MPs entram em vigor assim que são editadas pela Presidência da República, podendo perder a eficácia caso não sejam referendadas pelo Congresso em um prazo máximo de 120 dias.Pela proposta de Aécio, as MPs nem terão vigência caso os parlamentares constatem que elas não cumprem os requisitos constitucionais de urgência e relevância.

“É bastante difícil aprovarmos essa matéria”, admitiu o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), “porque o governo do PT já se acostumou a governar apenas por MPs”. O tucano acredita que a base de apoio de Dilma Rousseff, “majoritária no Congresso Nacional”, irá se mobilizar para rejeitar a medida, “que, com certeza, colocaria um fim ao abuso”.

Texto original. Inicialmente, o senador José Sarney propunha apenas que Câmara e Senado tivessem 55 dias, cada, para apreciar as MPs. A mudança seria necessária, conforme o autor, porque a Câmara consome hoje quase a totalidade dos 120 dias que o Congresso tem para analisar as MPs, sobrando ao Senado um prazo muito exíguo, que impede os senadores de apresentarem mudanças substantivas.

A fixação de tempos iguais de análise para as Casas Legislativa era uma demanda antiga, que acabou vocalizada pela PEC de Sarney. “Não dá para Aécio propor uma mudança tão radical, que muda, completamente, o espírito da ideia original”, opinou José Pimentel. ”Seria o fim das MPs, porque todos sabemos que a comissão mista de deputados e senadores nunca se reúne”, disse.
De acordo com o petista, os parlamentares tentarão alterar a proposta já na CCJ. “O que não podemos é acabar com as Medidas Provisórias, se não o governo fica completamente engessado”, disse o petista.

“Mudança no rito é necessária”, afirma tucano
Brasília. O parecer do senador Aécio Neves alterou a PEC de José Sarney para estabelecer diferentes prazos de tramitação na Câmara e Senado. Enquanto a primeira disporá de 60 dias para deliberar, a segunda ficará com apenas 50. A mudança, explicou o mineiro na ocasião, “é necessária para dar um tempo maior aos deputados”, que são mais numerosos que os senadores.

Em quaisquer dos textos, porém, as MPs continuam perdendo a eficácia caso não sejam aprovadas num prazo máximo de 120 dias, entrando em regime de urgência e sobrestando a pauta de votações depois de 45 dias de tramitação, na Câmara, e 35, no Senado. Os últimos dez dias do prazo seriam aproveitados para analisar possível emendas apresentadas pelos parlamentares. (TF)

Aécio Neves apresenta proposta para acabar com a eficácia imediata das Medidas Provisórias – MPs passam a ter força de lei somente a aprovação da admissibilidade por uma comissão permanente de deputados e senadores

Fonte: Raquel Ulhôa – Valor Econômico

Aécio veda a edição de MP sobre criação ou transformação de cargos, empregos ou funções públicas e sobre criação ou transformação de ministérios, órgãos e entidades públicas

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) enfrentou forte reação de governistas ao apresentar ontem, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, substitutivo que muda o rito de tramitação das medidas provisórias e, como maior novidade, acaba com a eficácia imediata desse instrumento.

Pelo parecer – que altera a proposta original, de autoria do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) -, as MPs passam a ter força de lei somente após aprovação da admissibilidade por uma comissão permanente de deputados e senadores, que teria três dias úteis para tomar a decisão.

“A proposta inviabiliza totalmente o instrumento da medida provisória. Com essa redação, é preferível extinguir a MP. Oposição que apresenta uma proposta dessa não espera ser governo tão cedo”, disse o senador José Pimentel (PT-CE).

“Parece que vossa excelência não entendeu bem”, reagiu Aécio, negando que o objetivo fosse confrontar o governo. Ele lembrou que em 2001, quando era presidente da Câmara dos Deputados e participou da primeira reforma das regras de MPs, setores do governo – então também tiveram “reação histriônica”. Transformar o assunto em confronto entre oposição e governo, para ele, era “apequenar uma discussão séria”.

Pimentel exigiu “respeito” e a discussão foi encerrada pelo presidente da comissão, Eunício Oliveira (PMDB-CE), sob protestos de outros senadores, que queriam debater a proposta. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu vista e anunciou que vai discutir a matéria com os líderes da base governista e apresentar emendas. Eunício concedeu vista coletiva, e o assunto volta à pauta da CCJ na quarta-feira.

A PEC de Sarney mudando as regras de tramitação das MPs foi apresentada em resposta às queixas apresentadas pelos senadores, desde o início desta legislatura, de que a Câmara consome quase todo o prazo de tramitação – 60 dias, prorrogáveis por igual período – e, quando elas chegam ao Senado, não há tempo para discussão nem apresentação de emendas.

Isso porque, segundo a Constituição (no artigo 62), se a MP não for aprovada em 120 dias, ela perde a validade. Além disso, após 60 dias, ela tranca a pauta das duas Casas.

Em sua proposta, Sarney mantém a eficácia imediata da MP e divide o prazo de tramitação entre a Câmara e o Senado – 55 dias em cada Casa e, havendo emendas no Senado, mas dez para exame final dos deputados. Além disso, Sarney elimina a comissão mista prevista na legislação atual para decidir sobre uma MP. Esses colegiados não funcionam na prática.

Como relator, Aécio determina que a admissibilidade seja apreciada por comissão mista permanente (deputados e senadores), em prazo de três dias, com possibilidade de recurso ao plenário do Congresso. Somente após a admissão a MP terá força de lei.

O tucano divide o prazo de tramitação entre as duas Casas, dando um pouco mais para a Câmara (60 dias). O Senado fica com 50 dias e os outros dez são destinados a exame das emendas pelos deputados, se for necessário. Se não for votada nesse período, a MP perde a validade.

Além disso, Aécio veda a edição de MP sobre criação ou transformação de cargos, empregos ou funções públicas e sobre criação ou transformação de ministérios, órgãos e entidades públicas.

Segundo o tucano, o substitutivo garante “tranquilidade ao governo para usar a MP quando necessário e, ao mesmo tempo, a prerrogativa do Poder Legislativo de votar”.

As regras atuais de tramitação de MP foram aprovadas quando Aécio presidia a Câmara (2001 a 2002).Ontem, ele explicou que naquela época houve um avanço, já que, antes, as medidas nem sequer eram votadas. E eram sucessivamente reeditadas – o que hoje não é permitido. Segundo ele, hoje há necessidade de novas mudanças, para tornar o Legislativo “mais independente e altivo” e não continuar “a reboque” do Executivo.

Link para assinantes: http://www.valoronline.com.br/impresso/politica/100/413099/proposta-de-aecio-acaba-com-eficacia-imediata-das-mps

Aécio Neves assume vaga no Senado e defende agenda de reformas e recebe afagos de governistas

Aécio defende reformas e flerta com a base aliada

Fonte: O Tempo

Senado. Na posse dos 54 novos parlamentares, tucano adotou postura de liderança, com afagos a governistas

Na nova composição, os partidos ligados à Dilma representam 75% das cadeiras

Em estratégia para reforçar seu papel de líder oposicionista, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tomou posse ontem no Congresso determinado a reunir os três partidos de oposição e os dissidentes do PMDB em torno de uma agenda de reformas que mobilizem a sociedade e consigam constranger os governistas a apoiá-las.

Antes, porém, vai ter de cicatrizar as feridas do próprio PSDB. Apontado como incentivador da moção da bancada tucana na Câmara em favor da reeleição do agora deputado Sérgio Guerra na presidência do partido, Aécio minimizou a crise que envolveu o ex-governador José Serra pelo comando da legenda e disse que o prazo para definição será maio. “O grande ativo no PSDB que temos é a unidade”, disse.

Na seara parlamentar, a primeira investida será para ganhar o apoio dos prefeitos de todo o país a um projeto que impeça o governo federal de dar incentivos fiscais com a parcela dos impostos que, por lei, tem de ser repassada aos municípios. ”Se a gente não qualificar a oposição, seremos massacrados”, disseAécio aos demais senadores tucanos empossados ontem.

Já assumindo postura de liderança, Aécio disse que o Congresso esteve fragilizado nos últimos anos e que, para que isso não continue a acontecer, precisa ter uma agenda própria, e não ser pautado pelo Executivo. ”O Congresso esteve fragilizado, e em Congresso fragilizado a democracia está fragilizada. O grande desafio desse Congresso é de ter capacidade e altivez de construir a própria agenda”, concluiu.

Apesar de não ser o líder formal da oposição, cargo ocupado por Álvaro Dias (PSDB-PR), Aécio prometeu assumir “postura firme” no PSDB. “Sempre com disposição firme de votar as grandes reformas”, disse.

Posses Em cerimônia, ontem, no plenário do Senado, foram empossados 54 parlamentares, sendo 32 estreantes, 17 reeleitos e cinco que já foram senadores. São 61 senadores de partidos da base do governo federal, 16 integrantes da oposição e quatro parlamentares de legendas neutras – o que faz com que cerca de 75% da Casa esteja ao lado da presidente Dilma Rousseff (PT).

Além de Aécio, também foi empossado ontem, representando Minas Gerais, o senador Itamar Franco (PPS). Coube a Itamar ler o termo constitucional de posse.(Com Agência Estado)

PT rejeita 1ª secretaria e fica com vice-presidência
Brasília. Após eleger José Sarney (PMDB-AP) para mais um mandato na presidência do Senado, os senadores escolheram ontem a nova Mesa Diretora para os próximos dois anos.

Marta Suplicy (PT-SP) foi eleita primeira vice-presidente. O PT optou pelo cargo para evitar que o posto fique nas mãos da oposição ? que poderia presidir sessões no plenário da Casa em caso de ausência de José Sarney.

Os petistas chegaram a cogitar escolher a primeira-secretaria, responsável pela administração do Senado, mas optaram por uma função política que não represente insegurança ao governo federal no Senado.

A primeira-secretaria será ocupada pelo senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que terá como tarefa dar continuidade à reforma administrativa da Casa. O órgão foi alvo de uma série de escândalos nos últimos anos, como o dos atos editados de forma secreta.

PTB e PR chegaram a duelar por cargos na Mesa, mas as siglas chegaram em um acordo com a indicação do senador João Ribeiro (PR-TO) para a segunda secretaria e João Vicente Claudino (PTB-PI) na terceira secretaria da Casa.

Sarney não é o único peemedebista com cargo na Mesa Diretora. O senador Wilson Santiago (PMDB-PB) ficou com a segunda vice-presidência.

Manda-chuva
Pela 4ª vez, Sarney presidente
Brasília. O presidente do Senado, José Sarney, foi reeleito ontem para comandar a Casa pela quarta vez. Ele venceu o seu único opositor, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), por ampla maioria dos votos e ficará no cargo por dois anos.

Ele recebeu 70 dos 81 votos contra oito de seu adversário. Dois foram brancos e um, nulo. “Não queria, mas não pude fugir. Estou indo para o sacrifício”, destacou em seu discurso de posse.
José Sarney abriu ontem a primeira reunião preparatória para a abertura dos trabalhos da 54ª legislatura. Ele presidiu a cerimônia de posse dos 54 parlamentares eleitos em outubro.

Em seu discurso de abertura, Sarney destacou o papel do Senado no desenvolvimento do país. Também manifestou confiança na gestão de Dilma Rousseff à frente do Executivo e disse que pretende priorizar, no primeiro ano da nova legislatura, a reforma política.

“A minha experiência é de que aqui na Casa, se não votarmos a reforma política a partir do segundo ano, é impossível votarmos, porque a partir daí, de certo modo, os grupos corporativistas se manifestam e não permitem que isso ande”, disse o parlamentar peemedebista, que ocupa uma cadeira no Senado desde 1970.

Ex-cara-pintada dá abraço em Fernando Collor
A posse dos novos senadores protagonizou uma série de encontros inusitados. O mais emblemático deles foi entre os senadores Lindberg Farias (PT-RJ) e Fernando Collor (PTB-AL), que trocaram um afetuoso abraço no encerramento da cerimônia.

Há exatos 22 anos, eles estiveram no centro de um dos fatos mais marcantes da história do país. Lindberg Farias, então presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), comandou o movimento dos “caras-pintadas”, que culminou com o impeachment de Collor.

Alheios às divergências do passado, eles se cumprimentaram cordialmente. Outro detalhe que chamou a atenção é que, com a saída de Collor, em 1992, quem assumiu a Presidência foi Itamar Franco (PPS), que também foi empossado senador.