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Gestão Eficiente: programa de desenvolvimento nutricional é lançado no Norte de Minas

Evento realizado pelo Consea-MG reuniu representante de 15 municípios

Rose Santana
Lançamento do Programa Estruturador Cultivar, Nutrir e Educar foi realizado em Taiobeiras
Lançamento do Programa Estruturador Cultivar, Nutrir e Educar foi realizado em Taiobeiras

Trabalhadores rurais, representantes do Governo de Minas e das prefeituras de 15 municípios da região Norte de Minas participaram, em Taiobeiras, no Norte do Estado, do Seminário de Lançamento do Programa Estruturador Cultivar, Nutrir e Educar. Promovido pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea-MG), o encontro foi encerrado nesta quinta-feira (12).

A região foi uma das quatro escolhidas para o lançamento do programa, que tem como um dos objetivos a garantia do direito à alimentação saudável, adequada e solidária para os alunos da rede pública de ensino no Estado. Ao todo, 45 municípios mineiros participam desse projeto, que está em sua primeira fase. O programa tem como público alvo os alunos da rede pública, agricultores familiares e representantes de associações e cooperativas de agricultores familiares, além de profissionais da educação, saúde e agricultura.

Para os participantes, o lançamento do programa na região Norte de Minas significou uma oportunidade de ampliar as políticas públicas nos municípios que sofrem com as constantes variações do clima e que, consequentemente, enfrentam dificuldades na ampliação de produção e escoamento dos produtos cultivados.

Segundo o presidente do Consea-MG, Dom Mauro Morelli, o Programa Estruturador Cultivar, Nutrir e Educar “é centrado no binômio indissolúvel de educação e nutrição” e adota como estratégia principal “a articulação com as Secretarias de Estado executoras e demais órgãos”. “Trata-se de um grande avanço para a construção de políticas intersetoriais e amplia o horizonte para que outras ações como esta surjam e se fortaleçam”, afirmou.

O subsecretário de Agricultura Familiar, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Edmar Gadelha, lembrou que “a realização deste primeiro seminário, em Taiobeiras, foi estratégico por se tratar de uma região com a presença muito forte de agricultores familiares”. “O programa vem justamente fortalecer a agricultura, buscando tecnologias que possibilitarão a melhoria da produção e, consequementemente, as escolas públicas terão alimentos com uma melhor de qualidade”, lembrou Gadelha.

O prefeito de Taiobeiras, Denerval Germano da Cruz, comentou que “essa é uma política estruturadora de grande importância, tanto para o município quanto para a região”. “Significa que o Governo de Minas está atento à nossa região, com a preocupação de trazer políticas públicas. O programa em si é uma base para a sustentabilidade regional e ambiental. É importante ressaltar que essa ação vai ampliar os programas que já estão inseridos no nosso município”, disse o prefeito.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Pardo de Minas, Elmy Pereira, compartilha da mesma opinião do prefeito de Taiobeiras. “Acredito que esse seminário vai propiciar a viabilidade da comercialização dos produtos da agricultura familiar. Assim, teremos uma alimentação cada vez melhor nas escolas”, disse.

Fonte: http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/programa-de-desenvolvimento-nutricional-e-lancado-no-norte-de-minas/

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“A superação da fome e da miséria, em Minas e no Brasil, não pode mais estar atrelada a programas assistencialistas”, defende Alberto Pinto Coelho

Combate à fome

A superação da fome e da miséria, em Minas e no Brasil, não pode mais estar atrelada a programas assistencialistas, mas deve ser reconhecida como direito constitucional

Fonte: Artigo de Alberto Pinto Coelho  – Estado de Minas

O jornalista Ivan Lessa cunhou a frase: “No Brasil, a cada 15 anos, esquecemos tudo o que aconteceu nos 15 anos anteriores”. É tempo de lembrar, portanto, que há 18 anos o sociólogo Herbert de Souza, o saudoso e sempre lembrado Betinho, afirmava que “democracia e miséria são incompatíveis”. Lançou, então, a Ação da cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, um dos mais inovadores e importantes movimentos sociais do Brasil.

No mesmo ano de 1993, o governo do presidente Itamar Franco criava o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea, convidando para presidi-lo dom Mauro Morelli, o que representou um marco histórico de compromisso do Estado brasileiro com o combate à fome. Seis anos depois, em 1999, já no governo de Minas Gerais, Itamar Franco criou o primeiro Conselho Estadual – o Consea/MG, tendo novamente dom Mauro Morelli a presidi-lo, como fiel escudeiro.

Dom Mauro Morelli, considerado nacionalmente um combatente histórico e exemplar dessa causa, desde a Ação da Cidadania, ao lado de Betinho, passando pelo trabalho que, no mesmo sentido, desenvolveu intensamente na Baixada Fluminense, como bispo emérito de Duque de Caxias, além de sua ação em todo o Brasil, vem prestando a Minas, na Presidência do CONSEA/MG, um serviço público e voluntário de notável grandeza humanística.

Ao instalar, em março, o Comitê Temático de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, que tenho a honra de integrar e que vai auxiliar o governo de Minas na articulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas e do seu respectivo Plano Estadual, o governador Antonio Anastasia deixou registrado seu reconhecimento ao “empenho, ousadia, empreendedorismo e, sobretudo, à credibilidade e à fé de dom Mauro, que tem modificado o panorama da desnutrição no Estado nos últimos 12 anos”.

Graças à sua liderança e capacidade de mobilização social, Minas Gerais se tornou, em suas próprias palavras, “o primeiro Estado das Américas a adotar uma posição fundamental, definindo que beber e comer para viver é um direito humano básico.” Com o mesmo pioneirismo no Brasil, o então governador e hoje senador Aécio Neves sancionou, em 2006, a lei 15.982, que dispõe sobre a Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, sendo realizada, em 2007, a quarta Conferência estadual sobre o tema.

Este balanço é feito para reafirmar o compromisso institucional de Minas, envolvendo todos os órgãos da administração pública estadual, de forma transversal e intersetorial, com este desafio ingente que se apresenta ao estado e à nação: de ver o direito à alimentação saudável e tudo que ela representa nos vetores da saúde, da educação e em outros direitos fundamentais à vida reconhecido como uma exigência ética, política e social irrenunciável.

É tempo de relembrar aqui, com a devida homenagem, que há 65 anos o humanismo de Josué de Castro, com sua obra Geografia da fome, quebrava mitos e preconceitos ao diagnosticar que a fome nos países do Hemisfério Sul, como o Brasil, assim como a má alimentação, não era um fenômeno natural, mas, sim, social. Esse foi o ponto de partida para lançar essa questão na sua devida dimensão política.

Agora, quando ocorre, em agosto, a 5ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, promovida pelo Consea/MG, depois da realização de 25 encontros regionais, tendo como tema central Alimentação adequada, saudável e solidária: direito humano básico, é momento de levar para o Brasil, como já assinalou dom Mauro, “o testemunho, o empenho, o compromisso e o trabalho de Minas Gerais na construção de uma sociedade livre da fome e da miséria”, expressão na qual busquei inspiração para este artigo.

Compreende-se, finalmente, que a construção dessa nova sociedade não corresponde simplesmente a um programa de governo, mas, sim, a uma política de Estado. Com isso, cresce a consciência cidadã de que o combate e a superação da fome e da miséria, em Minas e no Brasil, não podem mais estar atrelados a programas meramente assistencialistas ou caritativos, mas que devem ser reconhecidos e exigidos como direito constitucional. Esse pensamento – que é também um forte sentimento – preside nosso trabalho no Comitê Temático de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável.