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Diretor indicado pelo PMDB é suspeito de espionar Petrobras

Senha usada para copiar era exclusiva de Jorge Luiz Zelada, indicação do deputado Fernando Diniz, com a chancela amiga do governo Lula.

Espiões tiveram acesso ao Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, que descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração.

Documentos foram parar nas mãos da holandesa SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira.

Fonte: O Globo

A senha: ‘SG9W’

Coluna do José Casado

Alguns dos maiores segredos da Petrobras vazaram numa operação de espionagem realizada por brasileiros, entre eles um diretor da estatal indicado por deputado do PMDB

Parece formigueiro quando se observa da janela, no alto da torre desenhada como plataforma de petróleo. A massa serpenteia, quase atropelando vendedores de ilusões lotéricas, espertos do carteado e ambulantes de afrodisíacos à volta dos prédios. Na paisagem se destaca um paletó preto surrado. Bíblia na mão direita e “caixa-para-doações” na esquerda, ele bacoreja: “Irmãos, o apocalipse está chegando!”

Naquela quinta-feira, 7 de abril de 2011, seu palpite ecoava numa cidade perplexa com a carnificina de 12 estudantes em insano ataque numa escola de Realengo, na Zona Norte.

No alto da torre, porém, o mundo era outro. Emoções oscilavam entre a euforia das renovadas promessas de óleo fator sob a camada do pré-sal e a depressão com o rombo de caixa bilionário provocado pelo “congelamento” do preço da gasolina. Recém-chegada à Presidência, Dilma Rousseff culpava suspeitos de sempre, os anônimos “inimigos externos”.

No alto da torre, de porta fechada e solitário na sala refrigerada, ele apertou quatro teclas no computador: “SG9W”. Foi como abrir um cofre: abriu-se o acesso a valiosos papéis da Petrobras.

Procurou um documento específico (“E&P-PRESAL 21/2011”). Era novo e dos mais sigilosos da empresa naqueles dias. “Confidencial”, advertia a etiqueta na capa. Concluído três semanas antes, consolidava o “Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos”. Descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração de “uma nova fronteira petrolífera com elevado índice de sucesso exploratório, contendo grandes acumulações de petróleo de boa qualidade para a geração de derivados”.

O relatório com dois anexos foi copiado às 15:40:34. No dia seguinte, começou a ser analisado por um grupo de especialistas em Amsterdã. Na segunda-feira, 18 de abril, 11 dias depois, quando a diretoria da Petrobras se reuniu na sede da Avenida Chile, no Centro, para aprovar o secreto plano para o pré-sal, cópias já circulavam em Londres, Mônaco e na holandesa Schiedam, onde está instalada a SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira. Nos meses seguintes, vieram outros três documentos sigilosos.

Nessa operação de espionagem vazaram alguns dos maiores segredos da Petrobras no governo Dilma Rousseff. Por trás, não havia nenhum serviço de informações estrangeiro, o “inimigo externo”, embora naquele abril de 2011 a americana Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) estivesse trabalhando com idêntico objetivo.

Foi uma ação de brasileiros. A senha usada para copiar era exclusiva — de uso pessoal — de Jorge Luiz Zelada, que há três anos ocupava a Diretoria Internacional da Petrobras por indicação do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), com a chancela amiga do governo Lula. A remessa ao exterior foi realizada por Julio Faerman, agente da holandesaSBM no Rio e responsável pela distribuição de US$ 102,2 milhões em propinas a “funcionários do governo brasileiro”, como confessou a SBM à Justiça da Holanda e à dos EUA.

Há pelo menos oito meses o governo e o comando da estatal sabem das ações de Zelada e Faerman, entre outros. Dilma Rousseff, no entanto, continua na praça pregando contra anônimos “inimigos externos” da Petrobras.

Lula é isolado na formação do novo ministério de Dilma

Ao afastar ministros lulistas, Dilma reacendeu no PT a velha disputa das correntes internas. Cada vez menos ideológicas e mais fisiológicas.

PT centra fogo amigo na presidente Dilma

Fonte: O Globo 

Disputa por cargos acirra divisões no PT

Dilma prestigia nomes da corrente rival de Lula, que quer reforçar seu grupo no comando do partido

Ao afastar do núcleo palaciano os ministros lulistas, a presidente Dilma Rousseff reacendeu no PT a velha disputa das correntes internas. Cada vez menos ideológicas e mais fisiológicas, as tradicionais tendências petistas saíram a campo disparando “fogo amigo” contra a nova composição do governo. A queixa veio do grupo que sempre comandou a sigla e é encabeçado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Construindo um Novo Brasil (CNB), que se ressentiu da opção de Dilma por dois ministros ligados à sua principal rival nas disputas internas, a Democracia Socialista (DS), que integra o campo Mensagem ao PT.

Os gaúchos Miguel Rossetto, da Secretaria-geral, e Pepe Vargas, das Relações Institucionais, são considerados escolhas de Dilma por afinidade: são seus amigos e originais do estado onde a presidente consolidou sua carreira política. Mas, por serem da DS, desencadearam no PT pelo menos duas semanas de lamúrias. Pesou ainda o fato de os dois ocuparem posições no Palácio que antes pertenciam a lulistas da CNBGilberto Carvalho e Ricardo Berzoini, respectivamente. A DS compõe hoje um campo petista chamado Mensagem ao PT, que nasceu em meio à crise do mensalão para tentar fazer um resgate ético, uma vez que nomes importantes da CNB havia sido arrastados para o epicentro do escândalo, como José DirceuJosé Genoino e Delúbio Soares.

Um dos nomes da Mensagem é o do ex-governador gaúcho Tarso Genro que, ao assumir a presidência petista no auge da crise, falou até em “refundação do partido”. A tese foi logo abandonada, mas a Mensagem se consolidou como principal adversária da corrente majoritária. Por outro lado, a CNB se aliou a outras correntes, como Novo Rumo, do presidente Rui FalcãoPT de Luta e de Massa e Movimento PT. Assim, atingiu a maioria tanto na direção executiva como na instância máxima do partido, o diretório nacional.

Apesar do discurso de confronto de correntes feito “para fora” do partido com o objetivo de pressionar a presidente Dilma por mais cargos, internamente, passado o anúncio do Ministério, os dirigentes petistas admitem que as divisões ideológicas estão cada vez mais enfraquecidas no PT. O partido, agora, se organiza muito mais em torno de lideranças e de mandatos parlamentares e executivos, do que em torno de ideias. Foi-se o tempo em que os petistas se debruçavam sobre longos debates acerca do socialismo e do papel do Estado.

Lideranças do partido ouvidas pelo GLOBO admitem que a DS saiu fortalecida com a nomeação dos dois ministros, mas não acreditam que, de fato, seja uma escolha ideológica da presidente Dilma até mesmo porque essa corrente tem uma visão desenvolvimentista da economia, mais próxima do estilo de Guido Mantega e mais crítica ao recém-nomeado ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

— As tendências estão exauridas, precisam ser reformadas e produzir. Não se pode organizar tendências só por interesse. No passado, elas foram decisivas nas grandes formulações do PT — avalia o vice-presidente do partido e dirigente da CNB, o deputado José Guimarães (CE), para quem é preciso “repaginar a vida dessas tendências”.

Um dos principais nomes da Mensagem, o deputado Paulo Teixeira (SP) também vê uma diminuição no papel das tendências no partido. Para ele, é preciso que as correntes “recuperem sua dimensão ideológica e formuladora”. Teixeira nega que a Mensagem seja “dilmista” e não “lulista”.

— Nós somos lulistas, dilmistas e, antes de tudo, petistas.

PAPEL DE JAQUES WAGNER

Uma das queixas petistas também recai sobre a ida de Jaques Wagner para a Defesa. No final da eleição, ele era considerado um “coringa” do governo e se esperava que ele ocupasse um cargo mais próximo da presidente. Há uma leitura interna, no entanto, de que o Planalto não poderia contar com dois “perfis altos” como o de Wagner e o de Mercadante sem gerar mais incômodos do que soluções para a presidente.

O fato é que, com poder reduzido no Planalto, o ex-presidente Lula quer turbinar a CNB no comando do partido. Ele tem dito que nomes como Gilberto Carvalho e Marco Aurélio Garcia, seus aliados mais próximos, fazem falta na direção da legenda.