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2014: Aécio pode herdar 40% dos votos de Marina

2014: pelos dados da pesquisa Dilma Rousseff é rejeitada por 60% dos eleitores de Marina Silva.

Eleições 2014

Fonte: Monica Bergamo – Folha de S.Paulo

BALANÇA
A análise é de dirigentes do PSB, endossada por profissionais experientes da área de pesquisa: Marina Silva, ao menos oficialmente fora da disputa, deve murchar nas pesquisas presidenciais até o começo de 2014. Eduardo Campos, candidato declarado, ganhará visibilidade e deve inflar nas sondagens. Com isso, o percentual de intenção de votos dos dois candidatos (ela chegou a 26% no último Datafolha e ele, a 9%) pode se equilibrar.

NÃO CAI
No cenário acima, estaria afastada a possibilidade de pressões para que ela assumisse a cabeça da chapa presidencial pelo PSB.

ESPÓLIO
Cruzamento recente feito pelo Ibope é observado com lupa: do total de eleitores que diziam votar em Marina no mês passado, 40% admitiam poder votar em Aécio Neves, 36% admitiam migrar para Dilma Rousseff e 32%, para Eduardo Campos. A presidente, no entanto, é a mais rejeitada pelos marineiros: 60%, contra 31% de Aécio e 27% de Campos.

Aécio faz palestra para investidores em Nova York

Aécio: senador fala sobre gestão pública eficiente, competitividade e comenta sobre o cenário de baixo crescimento e inflação alta.

Aécio Neves: líder da oposição

Fonte: Jogo do Poder

Palestra senador Aécio Neves

BTG Pactual – XIV Brasil CEO Conference 2013

Principais trechos

Aqui compareço na condição de presidente do PSDB, a principal força de oposição ao governo federal no Brasil. Somos um partido de orientação social democrata que governou o país por oito anos com o presidente Fernando Henrique e construiu ali um novo arcabouço econômico e de políticas sociais empreendeu uma extensa agenda de reformas e de modernização do país.

Para quem ainda não está familiarizado com a política brasileira, o PSDB, o partido que presido nacionalmente hoje, governa oito estados e mais da metade da população brasileira, e algo em torno de 54% do Produto Interno Bruto nacional.

Trago à reflexão um pouco do Brasil do nosso tempo. Nossos avanços, nossas angústias, mais em especial os desafios que ainda temos de superar.

Com avanços inquestionáveis, mas também com déficits muito grandes, o Brasil se aproxima de uma nova encruzilhada, entre o nítido esgotamento do atual modelo de desenvolvimento e a necessidade da implementação de uma nova agenda, agora também reclamada pelas ruas do Brasil. Certamente os senhores e as senhoras acompanharam as manifestações populares recentes que tomaram conta das ruas das principais cidades brasileiras.

E, diferente da Primavera Árabe, do Occupy Wall Street ou mesmo dos Indignados da Espanha, houve o transbordamento da tolerância dos brasileiros com omissões do governo e  problemas estruturais que permanentemente têm sido adiados.

A partir daí, também, em razão do emblemático processo que ficou conhecido no Brasil como Mensalão, onde a mais alta Corte de Justiça puniu e condenou alguns dos principais líderes do partido atualmente no poder, em razão de desvios de recursos públicos, usados para sustentar sua base no Congresso. Houve uma conjunção de todos esses fatores.

A este sentimento, somou-se uma percepção latente sobre a grave insuficiência de serviços públicos de qualidade e a renitente ineficiência do Estado brasileiro. Reforçou-se a sensação contraditória entre o Brasil promissor e emergente e a realidade de um país onde tudo ainda está por ser feito.

O baixíssimo crescimento da nossa economia com inflação voltando a crescer impactou fortemente o otimismo nacional, os senhores, investidores que têm interesse no Brasil, percebem isso porque impactou também a disposição para o consumo e a segurança dos que investem.

A deterioração das condições para a retomada do crescimento é de tal ordem que voltamos, infelizmente, a discutir os fundamentos da estabilidade da moeda – uma agenda vencida há duas décadas! Há poucos dias, a presidente da República, em uma visita a Nova York, voltou a pregar aquilo que o candidato do PT, em 2002, pregava ao Brasil: respeito a contratos e estabilidade da moeda como pressupostos fundamentais da retomada do crescimento.

Portanto, ao invés de estarmos buscando mais produtividade, mais competitividade, investindo mais em inovação, tratando da sustentabilidade e buscando um novo lugar no mundo, as nossas preocupações convergem, agora, para o risco de perdermos algumas dessas conquistas que achávamos que seriam definitivas.

Legado do PSDB

Demos o mais vigoroso dos passos da nossa contemporaneidade. Domamos a hiperinflação, depois do fracasso de vários planos econômicos, estabilizamos a economia e criamos as condições básicas, fundamentais, para a construção do Brasil que somos hoje.

O sucesso da estabilidade legou ao PSDB, através do presidente Fernando Henrique, dois governos, governos que foram extremamente importantes, porque mesmo com crises sucessivas que sofremos, a mexicana, a crise dos Tigres Asiáticos, a crise Russa e ainda a crise Argentina, nós conseguimos naquele período crescer quase que o dobro que cresceu os nossos vizinhos na América do Sul.

Ali iniciou-se não apenas o processo de estabilidade da moeda, mas o início dos programas de transferência de renda. Foi ali que conseguimos construir o arcabouço institucional, a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu uma nova etapa nas administrações públicas brasileiras. Foi ali que iniciamos o processo de privatização, com privatizações extremamente necessárias. Um processo de modernização da nossa economia, a constituição do Proer. O saneamento das empresas e dos bancos estaduais.

Um conjunto de ações que conseguimos viabilizar apesar da oposição radical em todas essas as quais me referi por parte daqueles que hoje estão no poder. E que permitiu que esse próprio governo, de alguma forma, se sustentasse. Foi esse arcabouço, a partir da estabilidade da moeda, da Lei de Responsabilidade Fiscal, da criação dos novos marcos regulatórios, que permitiu que essa travessia se desse em condições razoáveis até aqui.

Tive a honra de naquele período, por quatro anos, liderar o partido do governo e, depois, presidir a Câmara dos Deputados.Naquele período, implantamos o tripé fundamental da nossa política macroeconômica que tem sido fragilizado pelo atual governo: metas de inflaçãocâmbio flutuante e superávit primário suficiente. Em paralelo a toda essa arrumação de política econômica, iniciamos os primeiros programas de transferência de renda, universalizamos o acesso à educação fundamental, desafio quase que inalcançável naquele tempo, e instituímos mecanismos perenes de financiamento da saúde.

Em paralelo a toda a arrumação da política econômica, iniciamos os primeiros programas de transferência de renda, universalizamos o acesso à educação fundamental,e instituímos mecanismos perenes de financiamento da saúde. Esses programas, que ajudaram a melhorar a distribuição de renda no Brasil, terão de ser mantidos e aperfeiçoados.

Trata-se de reformas que permaneceram praticamente intocadas nesses últimos dez anos, quando o imprescindível era ter avançado muito mais.

Governo Lula

Em seus primeiros anos, o governo do ex-presidente Lula deu continuidade à política econômica herdada e ampliou os programas sociais gestados e implementados por nós. Adicionalmente, houve algumas reformas microeconômicas na área de crédito que ajudaram a impulsionar o ciclo de crescimento que ocorreria nos anos seguintes.

Ciclo este, em grande medida, fruto da colheita das reformas liberalizantes anteriores, em associação com o fortíssimo vento a favor do longo período de prosperidade internacional e de alta das commodities.

Apesar dessa conjuntura econômica favorável, tanto a gestão do ex-presidente quanto a da atual presidente abdicaram de utilizar seu alto capital político para fazer o que era preciso ser feito: continuar as reformas estruturais.

Crise de 2008

Com a menor atividade do mundo desenvolvido, após a quebra do Lehman Brothers em 2008, o país buscou o fortalecimento do mercado interno, à base de expansão do crédito, queda dos juros e um sem número de desonerações tributárias pontuais para estimular o consumo.

Uma estratégia que até fazia sentido naquele momento específico e mais agudo da crise, mas que, equivocadamente, foi mantida e, depois, transformada e vendida, mundo afora, de forma arrogante, como um verdadeiro “ovo de Colombo”.

Mudanças internas

Essa estratégia nos levou a um crescimento da dívida bruta de mais de nove pontos do PIB e acabou por abalar os fundamentos da estabilidade macroeconômica. De forma crescente, a máquina estatal agigantou-se para abrigar o compadrio dos partidários do poder.

Os gastos públicos cresceram exponencialmente, em patamar muito superior ao dos investimentos. O investimento público do 
governo federal no Brasil continua na faixa de 1% do PIB e o do setor público consolidado situa-se pouco acima de 2%. Este ano, de janeiro a agosto, a despesa não financeira do governo federal aumentou o equivalente a US$ 29 bilhões e o investimento público caiu o equivalente a US$ 160 milhões.

O desapreço ao planejamento gerou baixa execução orçamentária e evidente multiplicação de custos, desperdícios e um extenso cemitério de obras abandonadas pelo caminho. A agenda da competitividade desapareceu e estamos assistindo à crônica anemia da nossa outrora pujante indústria da transformação.

Perdemos conexão com o mundo desenvolvido.

Política Externa

Estados Unidos e União Europeia articulam o acordo transatlântico e outros 543 acordos comerciais estão em negociação em todo o mundo. Nossos vizinhos firmaram a Aliança do Pacífico, vinculando-se de maneira acertada ao dinamismo econômico e comercial da Ásia.

Enquanto isso, o Brasil firmou apenas três acordos comerciais
em uma década: com Israel, Egito e Palestina. Ficamos adernados nas expectativas frustradas do Mercosul ou demos preferência à construção de agendas com países com os quais o atual governo detém inequívoca afinidade ideológica.

Na realidade, o Brasil adotou uma política de isolamento incompreensível. Também ficamos totalmente excluídos, por escolha própria, das cadeias produtivas globais.

Somos hoje a sétima maior economia do mundo, mas apenas o vigésimo quinto maior exportador. Estudo recente da Fundação Getulio Vargas mostra que o Brasil, para uma amostra de 122 países, está sempre entre as dez economias mais fechadas do planeta.

Gestão pública

O Brasil passa por um momento de desmonte de conquistas e iniciativas importantes que fizeram com que o país ascendesse de posição no cenário global nas últimas décadas. Cito algumas das consequências da má gestão pública que mais me preocupam: a ameaça à estabilidade da nossa moeda, o real; a interrupção da agenda de reformas estruturais; e o abandono de políticas que deram solidez a nossas instituições e melhoraram as condições de competitividade da nossa economia, como a responsabilidade fiscal e a atuação autônoma dos órgãos reguladores.

Política Econômica

Nos últimos cinco anos, o governo brasileiro passou a testar uma nova matriz econômica, baseada no incentivo ao consumo (que responde por 65% do nosso PIB); no aumento da intervenção do Estado na economia; na tolerância com a inflação e no uso de medidas artificiais de controle de preços.

Esta política também é caracterizada pela manipulação das contas públicas, reduzindo a transparência da política fiscal; pela expansão do papel do BNDES na intermediação do investimento e pelo uso dos bancos públicos na formação das taxas de juros; por uma política discricionária de incentivos a empresas escolhidas pelo governo para serem “campeãs nacionais” e supostamente transformarem-se em multinacionais; além do crescente isolamento da economia doméstica em relação ao comércio internacional e de mudanças constantes dos marcos regulatórios.

Sem medo de errar, afirmo: esta experiência fracassou. A atual política econômica apenas produziu espasmos de crescimento, como em 2010, um ano de recuperação após a queda de 2009 e ainda turbinado por eleições gerais no Brasil. Foram ensaios que se mostraram absolutamente insustentáveis em razão da fragilidade que hoje acomete alguns dos principais alicerces da nossa economia.

 Baixo crescimento e inflação alta

A realidade é que, desde 2011, o Brasil mergulhou num ciclo de baixo crescimento, cuja média anual não deve superar 2,5% no atual governo. Estamos hoje num patamar muito abaixo do de economias com características similares à nossa, abaixo da média do mundo e abaixo da média do continente sul-americano, onde, neste ano, só vamos crescer mais que a Venezuela!

Na realidade, no governo da presidente Dilma Rousseff o Brasil está crescendo, em média, cerca de um terço do que cresce o continente. Apenas para comparar: no governo do presidente Fernando Henrique, mesmo com todas as crises mundiais daquela época, o Brasil cresceu, em média, quase o dobro dos países sul-americanos.

A este baixo crescimento econômico, soma-se uma inflação elevada para os padrões vigentes nas economias mais organizadas. Há anos ela está estacionada ao redor de 6% anuais, alta sob quaisquer aspectos para um país que se pretende em desenvolvimento.

O atual governo não conseguirá atingir o centro da meta de inflação (4,5%) em nenhum dos seus 
quatro anos de mandato. 
Um agravante é que a carestia é muito maior nos preços dos alimentos e penaliza mais os brasileiros que ganham menos.

Vulnerabilidades

Uma das principais razões para que o Brasil esteja nesta encruzilhada é o descontrole dos gastos do governo. Ao mesmo tempo, os necessários investimentos, principalmente em infraestrutura, repito, não acontecem, colaborando para sufocar ainda mais nosso parque produtivo. É uma receita que não tem como dar certo.

Como agravante, a credibilidade das contas públicas tem sido colocada em xeque em razão das seguidas manipulações contábeis de que o governo brasileiro vem lançando mão para maquiar seus resultados fiscais.

Nem assim nosso desempenho fiscal melhorará: o superávit feito para pagar juros neste ano será inferior ao de 2012 e o de 2014 será ainda menor, descendo ao patamar mais baixo dos últimos 12 anos.

A realidade é que nos últimos dez anos o Estado brasileiro se agigantou, sem entregar o que são suas obrigações, e assumiu papéis que seriam muito melhor desempenhados pela iniciativa privada.

Em consequência deste estado de coisas, o Brasil exibe vulnerabilidades importantes: no setor externo, no comércio internacional, no desempenho fiscal, na competitividade e na produtividade de seus fatores de produção. Geramos poupança doméstica inferior a 17% do PIB, insuficiente para fazer frente aos nossos investimentos. Apenas para cotejar: em países como Chile e México, esta taxa é próxima de 25% do PIB, apesar de a carga tributária deles ser muito inferior à nossa.

Estamos voltando a nos tornar dependentes de poupança externa, com um déficit em conta corrente que já atingiu 3,6% do PIB nos últimos 12 meses, apesar de nossa taxa de investimento continuar muito baixa, inferior a 20% do PIB.

Pela primeira vez desde o ano 2000, nossa balança comercial corre risco de ser deficitária.

Competitividade

O Brasil tornou-se um país onde é muito caro produzir e gerar emprego. Temos perdido espaço em mercados relevantes, como os Estados Unidos e a União Europeia, porque nossos produtos estão perdendo competitividade.

Segundo o World Economic Forum, somos apenas o quinquagésimo sexto país mais competitivo do mundo. Nossa posição vem piorando, principalmente em um item em especial: qualidade geral de infraestrutura, no qual já caímos 30 posições desde 2010.
Também nos saímos mal nos rankings relativos a empreendedorismo – como o Doing Business, do Banco Mundial – e à corrupção, patrocinado pela Transparência Internacional.

Um dos motivos para este mau desempenho é a forma equivocada com que o governo destrói marcos regulatórios que funcionam e constrói marcos que não vão funcionar – seja por ideologia, por ignorância, por preconceito ou por uma mistura dos três.
Isso acontece, apenas para ficar nos exemplos mais evidentes, nos setores de energia, petróleo e ferrovias.

Este atraso cobra seu preço também na forma da perpetuação das más condições de vida experimentadas por milhões de brasileiros.

Desigualdade social

nível de escolaridade de nossas crianças é o mais baixo entre os sul-americanos, junto com o Suriname, e quase metade dos brasileiros não completam o ensino fundamental.

Os investimentos em saúde são insuficientes e a participação do poder público no financiamento do setor também.

Mais de 60% da população brasileira não tem esgoto tratado e 45 mil pessoas são assassinadas por ano no país – é mais do que em muitas guerras ao redor do mundo somadas.

Ainda somos, como consequência, o quarto país mais desigual da América Latina e Caribe.

Com este diagnóstico carregado de realismo e de dificuldades, não quero passar a impressão de que o Brasil seja um país sem futuro. Muito pelo contrário. Digo apenas que o Brasil precisa retomar o rumo e a trajetória de avanços dos quais se desvirtuou nos últimos anos.

Temos motivos para sermos otimistas com relação ao país: temos marcos legais e institucionais de nação desenvolvida e muito superiores aos demais países emergentes. Isso faz com que sejamos uma sociedade aberta.

Em particular, podemos mencionar entre as qualidades: 
a estabilidade política, sem sobressaltos ou ameaças à democracia; um Judiciário independente;  mecanismos eficientes de fiscalização e controle do Estado constituídos nas últimas décadas; e, por fim, uma imprensa livre, independente e muito atuante – e que queremos que continue sendo assim.

Estado eficiente

Nosso grande desafio é, portanto, aumentar a eficiência do Estado. Não é possível manter uma estrutura gigantesca como a que temos hoje, com mais de 22 mil funcionários em cargos de confiança e um número de ministérios que, em todo o mundo, só não é maior que o do Sri Lanka: são 39!

O aparato estatal deve ser posto a serviço de uma agenda de reformas estruturantes e de modernização do Estado, para que o país reencontre o caminho do desenvolvimento sustentado.

É preciso diminuir o aparelhamento do Estado, valorizar os funcionários públicos e a meritocracia no serviço público.

Entre os objetivos desta agenda de reformas estão melhorar a estrutura de tributos, oxigenar o mercado de trabalho, destravar o investimento privado e livrar nossos órgãos de regulação de qualquer influência política, dando-lhes a autonomia  necessária para garantir a qualidade na prestação dos serviços e um ambiente adequado para o investimento.

Planejamento

Para isso, é preciso planejamento. É preciso regras bem definidas, maior segurança jurídica, estabilidade institucional e confiança mútua – ou seja, tudo o que o atual governo não pratica, como ficou evidenciado, por exemplo, na truculenta quebra de contratos imposta às empresas de energia, na manipulação dos preços da gasolina e no tortuoso processo de concessão de infraestrutura recém-iniciado.

Este novo arcabouço modernizante – que inclui uma agenda de privatizações, concessões e parcerias público-privadas sem vedações ideológicas – permitirá que os investimentos privados voltem a acontecer, que mais e melhores empregos sejam gerados e que a produtividade da nossa economia volte a aumentar.

Será necessário, também, reconquistar o protagonismo que o Brasil já exerceu no continente latino-americano, aumentar o grau de abertura da nossa economia, incluir nossas empresas nas cadeias globais de produção.

Hoje, as importações brasileiras equivalem a apenas 14% do nosso PIB, enquanto no continente como um todo e na China, por exemplo, este percentual chega ao dobro.

Precisamos nos reaproximar de nossos parceiros comerciais estratégicos.

O Brasil tem de enfrentar o desafio de assumir a liderança em nossa região e repensar o processo de integração regional.Os interesses brasileiros devem vir antes de afinidades ideológicas e jamais a reboque dos demais parceiros. Até porque liderança não se proclama, se exerce.

O Mercosul tem experimentado forte retrocesso nestes últimos dez anos e encontra-se paralisado como acordo de liberalização de comércio. Precisamos nos libertar das amarras impostas pelo regime de união aduaneira e liberalizar o comércio com países que se disponham a, reciprocamente, abrir seus mercados ao Brasil.

Qualidade dos serviços públicos

Nosso país tem hoje uma enorme massa de famílias em ascensão social. Elas querem serviços públicos de maior qualidade, mas também querem ter mais oportunidades para tocar seu próprio negócio, traçar o seu próprio caminho e vencer na vida sem depender do Estado.

O desenvolvimento econômico é fruto do trabalho e das ações dos indivíduos. O Estado brasileiro deve ser um facilitador deste processo, ao criar condições para que as pessoas possam empreender e se desenvolver.

É este o papel que gostaríamos de vê-lo desempenhar, bem distinto do paternalismo que caracteriza o Estado brasileiro nos dias atuais.

No próximo ano, teremos eleições gerais no Brasil. Será o momento de um grande debate. Nossa proposta será reconstruir o que, infelizmente, vem sendo desmontado nos últimos anos.

Aspecto importante dessa agenda é a simplificação da burocracia e a redução da intervenção do Estado na economia. O custo Brasil, representado pela deterioração da infraestrutura, pela alta carga tributária, pelos altos custos de energia e mão de obra, também precisa ser atacado de frente e rapidamente.

As ações precisam ser feitas para deixar nossos custos de produção menos onerosos, de maneira que nossos produtos fiquem mais baratos e competitivos.

Para nós, é crucial tratar o dinheiro público com a seriedade e o respeito que o contribuinte merece, recuperar a responsabilidade fiscal e a capacidade de gestão do Estado.

Assim fizemos quando eu fui governador de Minas Gerais, como foi mostrado aqui hoje, e assim fazemos também em outros grandes estados brasileiros governados pelo PSDB, como São Paulo.

O investimento público deve ser orientado à saúde, à segurança, à educação, ao meio ambiente, à ciência e tecnologia, para garantir a melhora da qualidade dos serviços prestados, para estimular a produtividade, a competitividade e a inovação.

O setor externo será cada vez mais relevante para o Brasil e o governo terá de assumir responsabilidades adicionais e um crescente papel de liderança em temas globais, como meio ambienteenergiadireitos humanos e mudança de clima.

Nova agenda

O Brasil é uma terra de enormes oportunidades, que devem ser orientadas para melhorar a vida de sua gente. Porém, somos hoje um país sufocado, quase paralisado e envergonhado por recorrentes atentados à ética. Temos que mudar isso.

O meu partido, o PSDB, junto com seus aliados, vem apresentando à sociedade brasileira uma agenda renovadora e adequada aos novos desafios que se impõem ao país e que precisam ser transpostos para que nos tornemos, de fato, uma nação desenvolvida. Não podemos continuar a ser apenas uma promessa futura.

É esta nova agenda que levaremos à consideração dos brasileiros no ano que vem.

Uma agenda que, em resumo, restabeleça a confiança no 
país e destrave o investimento privado – que é parceiro e não adversário, como quer o atual governo brasileiro.

Que resgate os pilares da nossa economia, com estabilidade da moeda, responsabilidade fiscal e livre flutuação do câmbio.Que simplifique a legislação, reduza a carga de impostos, garanta respeito aos contratos e estabilidade de longo prazo. Que impulsione a inovação, promova maior inserção da economia brasileira no mundo e fortaleça nosso parque produtivo, em especial a nossa indústria.

Nós acreditamos que o país pode crescer muito mais do que cresce atualmente.

É possível implementar um programa de privatizações e concessões muito mais arrojado do que este que está em curso.

Também temos consciência de que não faremos a travessia para um novo patamar de desenvolvimento sem uma radical transformação da educação brasileira.

Tudo isso, somado, permitirá ao poder público concentrar-se naquilo que lhe é pertinente, ou seja, a promoção do bem-estar da população e a oferta de melhores serviços aos brasileiros que mais necessitam. E, sobretudo, dedicar-se a uma agenda voltada a superar o abismo da desigualdade social que ainda hoje subsiste no Brasil.

Esta é uma agenda ousada para os tempos difíceis que o Brasil vive hoje. Mas é plenamente factível pelas potencialidades que o país exibe e, principalmente, pelo muito que já conseguimos realizar no passado.

Como procurei mostrar aqui, a oposição tem um programa de políticas alternativas para o país, cujos elementos principais são a retomada das reformas modernizantes e a agenda da competitividade, em parceria com o setor privado.

Convido todos os empresários e investidores aqui presentes a participar desse esforço para recolocar o Brasil no lugar de destaque que já havia conquistado e que vem perdendo por falta de ousadia e pelos equívocos das atuais políticas públicas, agravadas pela crescente intervenção do Estado.

É um engano advogar a tese de que só o Estado é capaz de construir um projeto de nação ou gerar um sentimento nacional autêntico. O Estado não pode substituir os cidadãos e os seus sonhos como protagonistas de seu próprio destino e, assim, do destino do país.

Para nós, do Partido da Social Democracia Brasileira, é essencial o respeito à democracia, às liberdades públicas e privadas, assim como à regulação do mercado.Para nós, também é igualmente imprescindível a ação do Estado no desenvolvimento da economia e na distribuição de renda.É com esta convicção que apresentaremos um novo e ousado projeto de país, em que a eficiência e a ética possam caminhar juntas, inaugurando um novo ciclo de desenvolvimento no Brasil.

Obrigado.

Nova York: Aécio defende legado do PSDB em palestra

Aécio: investidores dizem que palestra foi positiva sobre o país, principalmente se houver uma mudança na agenda.

Aécio Neves: diagnóstico do Brasil

Fonte: Valor Econômico 

Aécio descarta candidatura ao governo de Minas

senador Aécio Nevespresidente nacional do PSDB e potencial candidato à Presidência pelo partido, descartou ontem qualquer possibilidade de concorrer no próximo ano ao governo de Minas Gerais, onde foi governador de 2003 a 2010.

A falta de um nome que pareça politicamente viável no Estado e a permanência de José Serra no PSDB levaram alguns analistas a acreditar que Aécio poderia abrir mão de uma eventual candidatura à Presidência em 2014 para garantir o Estado, segundo maior colégio eleitoral do país. No entanto, o presidente do PSDB disse que “no tempo certo” o partido terá o nome do “melhor candidato” para Minas. “A minha etapa em Minas já foi cumprida”, disse.

Aécio fez ontem uma palestra para investidores em Nova York, mesma cidade em que a presidente Dilma Rousseff, há cerca de duas semanas, visitou empresários e investidores para passar uma mensagem de tranquilidade sobre o ambiente de negócios do Brasil.

O discurso de Aécio foi bastante diferente. Ele acredita que a “herança bendita” deixada por Fernando Henrique Cardoso “foi embora”. Apesar de não se colocar como candidato à PresidênciaAécio disse que falaria, em portas fechadas a uma plateia de quase 600 investidores, sobre as dificuldades por que passa o Brasil e também sobre como o PSDB, o maior partido de oposição, tem uma agenda nova para o país, inclusiva ao setor privado.

De acordo com investidores que participaram da palestra e preferiram não se identificar, a mensagem do senador foi crítica ao atual governo, mas positiva sobre o país, principalmente se houver uma mudança na agenda, de forma a ser menos intervencionista na economia do que o atual governo de Dilma.

Em entrevista à imprensa antes da palestra, promovida pelo banco BTG PactualAécio disse que faria um diagnóstico claro sobre a situação atual do país.

Ele criticou a não realização de reformas e disse ter havido uma aposta por parte do governo de que o crescimento econômico seria sustentado apenas com base no consumo. E a “intervenção absurda permanente” e cada vez maior do governo em setores da economia, que criou insegurança e, consequentemente, levou ao afastamento dos investidores privados.

“A agenda do PSDB, ao contrário, é a agenda da estabilidade, do crescimento, da responsabilidade fiscal, sem maquiagem de números, como vem fazendo o PT. É essa agenda que vai nos permitir chegar no segundo turno e, espero eu, vencer as eleições“, disse.

Aécio afirmou ainda que em encontros com empresários em Nova York, tem sido recebido em um ambiente de “pouco crédito em relação ao Brasil e ao que faz o atual governo”.

Durante a palestra, ele teria dito, segundo um investidor, que a aliança entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no PSB, seria positiva pois ampliaria as chances de Dilma não vencer as eleições do ano que vem.

Apesar de considerar a aliança entre Marina e Campos “surpreendente” em um primeiro momento, Aécio acredita que isso trará vigor à oposição. “Estamos falando de dois nomes que vieram das costelas do PT, ambos foram ministros do governo Lula, e hoje atuam no campo oposicionista”.

“Acho que a presença tanto de Eduardo como de Marina no campo oposicionista deve ser saudada por nós como algo que prenuncia o fim desse ciclo de governo do PT“, disse a jornalistas.

Aécio Neves afirma que Marina ainda está no páreo

Aécio: para o senador, Marina será sempre um nome à disposição, independentemente até da sua própria vontade ou do que pretenda Eduardo.

Eleições 2014

Fonte: Folha de S.Paulo

Aécio põe em dúvida candidatura de Campos

Tucano diz que Marina ainda pode entrar no páreo em 2014 e vê PT derrotado por ruptura com governador do PSB

Em Nova York, senador afirma que PSDB terá ‘palanque sólido’ em São Paulo, com Alckmin e Serra juntos

Entrevista com Aécio Neves

O senador mineiro e presidenciável tucano, Aécio Neves, disse que o PT sofreu uma derrota dupla ao não inviabilizar a candidatura de Marina Silva à Presidência –o que ele não descarta– e ao perder o governador Eduardo Campos (PSB) para o campo da oposição.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista à Folha concedida em Nova York, onde Aécio faz hoje uma palestra para investidores:

A dobradinha de Marina e Eduardo Campos foi uma surpresa?
Aécio Neves – Não há por que não admitir que foi uma surpresa. Claro que a surpresa da decisão leva a todo o tipo de avaliação, mas o que é muito claro é que temos hoje dois ex-ministros do presidente Lula no jogo eleitoral atuando no campo da oposição. São muito bem-vindos.
Em uma eventual candidatura do PSB, o PT sofre uma derrota neste primeiro momento, porque trabalhou neste último ano para inviabilizar uma candidatura da Marina. E, por meio do presidente Lula, para a cooptação do Eduardo ao campo governista. Não aconteceu nenhuma dessas duas questões.
Nas conversas com o Eduardo, fica muito claro esse distanciamento em relação ao governo. Confio que, naturalmente, durante o processo eleitoral, o nosso antagonismo em relação ao governo é o que vai nos aproximar.

O senhor diz que o PT teve essa dupla derrota, mas eles dizem que um candidato da oposição a menos os favorece.
Eles queriam que a Marina não estivesse no jogo. Ninguém pode dizer que amanhã não será candidata. E nós sempre tivemos uma preocupação com a manutenção da candidatura do PSB.
Sempre pairou uma certa dúvida, se ia até o final, se o presidente Lula faria um apelo e Eduardo sairia do jogo. Hoje, a candidatura do PSB, se não é uma certeza, pelo menos avançou muito nessa direção.
No campo do PSDB, todos os passos que nós tínhamos de dar e os riscos que podíamos ter de algumas saídas não existem mais. O Serra fica no partido, e isso é importante dentro do PSDB, candidato ou não. O Álvaro Dias, também. O PSDB manteve-se unido, e a hora é de construir o nosso discurso, que não será mais esse discurso que o PT propõe de “nós contra eles”.

O senhor acredita mesmo que Marina vai ser vice?
Não é uma travessia simples. Ela diz que sim, mas vai ser sempre um nome à disposição independentemente até da sua própria vontade ou do que pretenda o Eduardo.
Marina e Eduardo são figuras políticas respeitáveis, que já estiveram no governo e por isso talvez conheçam muito bem e tenham mais razões ainda para estarem contra.
 
Na conversa em que se aproximaram, Campos aceitou dialogar com a garantia clara de que Marina fosse só a vice. Nessa conversa que o senhor teve com ele, no fim de semana, isso não foi comentado?
Não chegamos a falar disso. Mas a política é o imponderável. Muitas vezes a sua intenção hoje não se realiza amanhã por absoluta desconexão com a realidade.

O sr. precisa de um palanque forte em São Paulo. Como fica? A Marina sobe com Alckmin nesse palanque?
(Risos) Olha, em relação à Marina eu não sei dizer. O nosso palanque em São Paulo se solidifica com a presença do Serra e com a candidatura do Geraldo. Quem tem hoje um palanque sólido em São Paulo somos nós. Os outros vão ter de construir.

Para Aécio, Marina fortalece oposição

Aécio diz que meta é acabar com o “ciclo perverso do PT no Governo”. Para ele, Marina “contribui para o debate de ideias e propostas”.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Para Aécio Neves, objetivo maior é juntar forças para encerrar ‘o ciclo perverso’ do PT

De Nova Iorque, o tucano disse estar “gostando do jogo”, apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas

“Papo reto? Eu e ninguém esperávamos essa reviravolta”. Assim o presidente do PSDB e presidenciável, Aécio Neves (MG), reagiu ao anúncio da criação da chapa Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede). De Nova Iorque, onde participa de um seminário com investidores estrangeiros, Aécio disse estar “gostando do jogo” e que, apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas e melhores palanques, ele tem que torcer para fortalecer a oposição para chegar lá na frente.

— Acho a novidade extremamente positiva. Quem comemorou a derrota da não criação da Rede é que tem que se preocupar. Cada vez mais as oposições colocam como objetivo maior se unir para encerrar o ciclo perverso do PT no Governo. Nós nos aproximamos nesse propósito do antagonismo a esse modelo que está aí — comentou Aécio Neves.

No PSDB, a avaliação é que, com a nova chapa, os quase 20 milhões de votos do capital eleitoral de Marina ficam na oposição, e não vai se dividir, como aconteceu em 2010, no segundo turno das eleições, onde seus votos foram para Dilma Rousseff e José Serra.

— Marina não sair e os votos dela migrarem para Dilma seria o pior dos mundos — disse um tucano do entorno de Aécio.

Na avaliação do próprio Aécio, com essa coligação, os votos ficam “do lado de cá ” da oposição.

Outra avaliação é que, frustrado, o presidente do PPS, Roberto Freire, poderá voltar a se aproximar do PSDB, com quem tem coligações em vários estados para a eleição proporcional. Aécio vai procurar Freire assim que retornar ao Brasil. Os tucanos consideram que, num primeiro momento, Eduardo Campos vai faturar com a aliança com Marina, mas a médio prazo, será muito pressionado se não crescer nas pesquisas de intenção de votos e Marina continuar num patamar muito alto. Se isso acontecer, avaliam, as cobranças serão fortes para que Marina, e não ele, seja o candidato a presidente.

Em nota, a presidência do PSDB, que tem Aécio à frente, disse considerar que a decisão da ex-senadora de se manter em condições de participar das eleições de 2014, filiando-se ao PSB, “é importante conquista do Brasil democrático”. “É também uma reposta às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede”, segue a nota.

O PSDB afirmou, ainda, acreditar que a presença de Marina Silva no pleito “fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas”.

Para Aécio, Marina fortalece oposição

Aécio diz que meta é acabar com o “ciclo perverso do PT no Governo”. Para ele, Marina “contribui para o debate de ideias e propostas”.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Para Aécio Neves, objetivo maior é juntar forças para encerrar ‘o ciclo perverso’ do PT

De Nova Iorque, o tucano disse estar “gostando do jogo”, apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas

“Papo reto? Eu e ninguém esperávamos essa reviravolta”. Assim o presidente do PSDB e presidenciável, Aécio Neves (MG), reagiu ao anúncio da criação da chapa Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede). De Nova Iorque, onde participa de um seminário com investidores estrangeiros, Aécio disse estar “gostando do jogo” e que, apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas e melhores palanques, ele tem que torcer para fortalecer a oposição para chegar lá na frente.

— Acho a novidade extremamente positiva. Quem comemorou a derrota da não criação da Rede é que tem que se preocupar. Cada vez mais as oposições colocam como objetivo maior se unir para encerrar o ciclo perverso do PT no Governo. Nós nos aproximamos nesse propósito do antagonismo a esse modelo que está aí — comentou Aécio Neves.

No PSDB, a avaliação é que, com a nova chapa, os quase 20 milhões de votos do capital eleitoral de Marina ficam na oposição, e não vai se dividir, como aconteceu em 2010, no segundo turno das eleições, onde seus votos foram para Dilma Rousseff e José Serra.

— Marina não sair e os votos dela migrarem para Dilma seria o pior dos mundos — disse um tucano do entorno de Aécio.

Na avaliação do próprio Aécio, com essa coligação, os votos ficam “do lado de cá ” da oposição.

Outra avaliação é que, frustrado, o presidente do PPS, Roberto Freire, poderá voltar a se aproximar do PSDB, com quem tem coligações em vários estados para a eleição proporcional. Aécio vai procurar Freire assim que retornar ao Brasil. Os tucanos consideram que, num primeiro momento, Eduardo Campos vai faturar com a aliança com Marina, mas a médio prazo, será muito pressionado se não crescer nas pesquisas de intenção de votos e Marina continuar num patamar muito alto. Se isso acontecer, avaliam, as cobranças serão fortes para que Marina, e não ele, seja o candidato a presidente.

Em nota, a presidência do PSDB, que tem Aécio à frente, disse considerar que a decisão da ex-senadora de se manter em condições de participar das eleições de 2014, filiando-se ao PSB, “é importante conquista do Brasil democrático”. “É também uma reposta às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede”, segue a nota.

O PSDB afirmou, ainda, acreditar que a presença de Marina Silva no pleito “fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas”.

Eleições 2014: Ibope revela 50% de indecisos

2014: A um ano da eleição para presidente da República, cerca de metade dos brasileiros não tem certeza de em qual candidato votaria.

2014: Marina no páreo muda panorama

Fonte: O Estado de S.Paulo

Incerteza ainda atinge metade dos eleitores

A presença ou não de Marina Silva na corrida sucessória de 2014 afeta mais as especulações sobre a eleição do que o processo eleitoral em si. Para grande parte dos brasileiros, a sucessão presidencial só será uma questão a tomar-lhes o tempo quando a campanha chegar à TV, daqui a dez meses. Até lá, é um problema imposto apenas àqueles que são abordados pelos pesquisadores.

A um ano da eleição para presidente da República, cerca de metade dos brasileiros não tem certeza de em qual candidato votaria. Confrontados pelo Ibope com os nomes dos principais presidenciáveis, 47% dos eleitores não puderam declarar ao certo se votariam em algum deles. A saber: Dilma RousseffAécio NevesMarina SilvaEduardo Campos e José Serra.

Outros 7% disseram que votariam “com certeza” em mais de um desses nomes – o que é um outro sinal de quão certa é sua intenção de voto. Sobram assim apenas 46% de eleitores que declaram estar fechado com apenas um candidato. Mas a taxa é ainda menor.

Descontem-se os 3% que votariam com certeza apenas em Serra (que, ao ficar no PSDB, abre mão de disputar a Presidência – salvo se Aécio não puder concorrer) e restam 43% de eleitores certos de que votariam em apenas um dos presidenciáveis.

Deles, 29% declaram certeza de votar só em Dilma, 7% em Marina, 5% em Aécio e 1% em Eduardo. Qual a garantia de que é isso que vai de fato acontecer, daqui a um ano? Nenhuma.

Em 2009, também a um ano da eleição presidencial que elegeria Dilma, era Serra quem mais tinha eleitores certos: 15%. Apenas 10% tinham certeza de votar na petista. Outros 10% estavam certos de que votariam em Ciro Gomes, que nem foi candidato.

Com ou sem Marina no páreo, muitas certezas vão se diluir e se transformar até a hora de o eleitor digitar o número de seu candidato na urna.

2014: PSB apoiará candidato de Aécio em Minas

2014: opção é pelo palanque duplo que sirva tanto ao governador do Pernambuco, Eduardo Campos, como ao senador Aécio Neves.

Eleições 2014

Fonte: Estado de Minas 

PSB admite adotar palanque duplo

Na falta de um nome que aceite e seja viável para disputar o governo de Minas Gerais, o PSB já fala na possibilidade de não ter candidato próprio no estado, que é o segundo colégio eleitoral do país, e adotar um palanque duplo, que sirva tanto ao governador do Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), como ao senadorAécio Neves (PSDB). A tese foi admitida ontem pelo próprio Campos, que esteve em Belo Horizonte para a filiação do presidente do AtléticoAlexandre Kalil. Segundo o pernambucano, o partido pode caminhar para um entendimento dentro do grupo que reelegeu o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, desde que tenha espaço na chapa majoritária com vaga de vice-governador ou senador.

“Vamos discutir no campo político que estamos inseridos, que é o que elegeu o Marcio e o governadorAnastasia. Nesse campo podemos ter uma candidatura do nosso partido ou de outro partido, essa decisão não foi tomada ainda”, afirmou o Campos, presidente nacional do PSB. Segundo ele, o partido é “diferente de outras legendas” e demonstrou, ao longo de sua história, que não precisa ser o nome principal da chapa para fazer aliança. “Nós gostamos de ser apoiados, mas sabemos apoiar. O importante é o interesse de Minas”, disse.

Na visita ao principal reduto de Aécio Neves, com quem tem proximidade, Eduardo Campos fez questão de ressaltar que a relação de amizade com o tucano é antiga e independe de os dois estarem na mesma trincheira. Ele afirmou, porém, que o palanque duplo vai ocorrer em alguns estados e indicou que Minas Gerais pode ser um deles. Em discurso aos socialistas que acompanharam as últimas filiações para as eleições de 2014Campos falou na construção de uma “ampla frente” que sirva aos cenários regional e nacional e voltou a sinalizar o trabalho por uma aliança com o grupo de Aécio. ”Saberemos caminhar sem desfazer alianças que foram importantes para o partido ontem e que vão ser amanhã”, reforçou.

Passado. Ao lado de Lacerda, que acompanhou a coletiva e com quem havia se reunido minutos antes, Eduardo Campos falou sobre a candidatura do prefeito usando o tempo passado. Segundo ele, é um nome que tem todos os atributos, e o partido tem toda uma torcida por ele. “Claro que o partido olha para um estado como Minas, que tem um filiado como o Marcio, qualquer um gostaria que acontecesse (a candidatura ao governo). Só que o Márcio, com justa razão, tem focado no trabalho dele”, disse.

O prefeito também reafirmou a pouca disposição de disputar o governo e afirmou ser possível uma aliança com o PSDB. “A probabilidade de que eu venha a ser candidato ao governo do estado é muito pequena mesmo, por vários motivos, entre eles, a minha própria disposição. Mas é importante que o debate continue e, em fevereiro ou março, teremos a posição absolutamente definitiva”, disse.

Alternativa. Aos militantes do PSBEduardo Campos disse que o partido não está entre os que acham que o atual governo não fez nada, mas também discorda de quem acha que ele fez tudo. Ele afirmou ainda que o PSB ajudou o Brasil a melhorar na última década. “Não dá para dizer que somos maiores ou melhores do que outros, mas podemos afirmar que o PSB vai ser uma alternativa para que o Brasil siga em frente mudando”, disse. Segundo o pré-candidato, a primeira alteração que o brasileiro quer ver é na política, com o fim das velhas raposas e dos acordos que deixam o povo brasileiro de fora. “O Brasil merece o respeito da classe política e é em nome desse respeito que estamos reunindo pessoas de bem para discutir o Brasil”, afirmou. O governador classificou Minas como um estado estratégico e disse que as filiações de Kalil e de cerca de 30 nomes ontem fortalecem a legenda.

Aplaudido pela torcida organizada do seu time e pela militância, que o anunciou com gritos de “senador do Brasil é o Kalil“, o cartola afirmou que a dificuldade na política vai ser aprender a ser liderado. O novo político afirmou que não tem pretensões de disputar nenhum cargo específico, mas de servir à legenda. Ele foi apontado por Eduardo Campos como um nome que pode disputar qualquer cargo majoritário e afirmou que, na política, seu papel será discutir questões que influenciem a vida das pessoas. Começou criticando os preços, que considera abusivos, do refrigerante e do pão de queijo no aeroporto de Confins. Kalil disse ser amigo de Aécio Neves, mas negou qualquer influência do tucano na sua filiação.

Mudança nos portos

A Presidência da República confirmou ontem a saída de Leônidas Cristino da Secretaria de Portos. No lugar dele, assume o economista Antonio Henrique Pinheiro Silveira, atual secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. A escolha segue a decisão da presidente Dilma Rousseff nomear interinos para as pastas que ficarem vagas até o final do ano, evitando, assim, antecipar o tabuleiro da reforma ministerial. Cristino deixa o cargo depois de o presidente do PSBEduardo Campos, anunciar que o partido deixará os cargos que ocupada no governo.

2014: PSDB de São Paulo focado em Aécio

PSDB: fato de Serra ter ficado no partido criou clima de alívio no PSDB paulista, segundo Milton Flávio, presidente do PSDB da cidade de SP.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

PSDB de São Paulo se sente ‘aliviado’ com decisão de Serra

“Agora, o nosso papel será o de fortalecer os dois em torno de um só objetivo, que é derrotar o governo de Dilma”, diz presidente regional do partido

A decisão do ex-governador José Serra de permanecer no PSDB, e não se lançar no projeto de disputar a presidência da República pelo PPS, deixou os tucanos aliviados. Afinal, a decisão poderia dividir os votos tucanos e prejudicar a candidatura do senador mineiro Aécio Neves, hoje virtual candidato do partido a presidenteSerra continuou nesta quarta-feira sem dar entrevistas e apenas postou um suscinto recado na sua página no Facebook:

“Gostaria de agradecer a acolhedora repercussão à minha nota de ontem (de que ficaria no partido para derrotar o PT). Vamos em frente”, disse Serra, sem dizer se vai empenhar-se na candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ou se permaneceu com o objetivo de viabilizar sua candidatura, torcendo para um fracasso do senador mineiro.

— Hoje, é notório no partido que o candidato a presidente é o senador Aécio, mas enquanto ele não tiver oficializado a candidatura, o que deve acontecer por volta de março do ano que vem, tudo será possível. Serra é preparado para a disputa, embora hoje essa hipótese seja difícil de ser elencada dentro do partido — disse o vice-presidente nacional do PSDBAlberto Goldman, ligado a Serra.

Para ele, “todos os filiados ao partido podem pleitear a vaga que hoje é de Aécio“.

— De repende não é Aécio e nem o Serra, podendo ter um terceiro nome. Ainda está cedo para essa definição — disse Goldman.

O fato de Serra ter ficado no partido, criou um clima de “alívio” no PSDB paulista, segundo Milton Flávio, presidente do partido na cidade de São Paulo.

— Pacifica o partido. Serra é um grande quadro e pode agora disputar outros cargos. O José Anibal, a quem sou ligado, também gostou da decisão (Anibal é desafeto de Serra, com inúmeras disputas internas na legenda). Portanto, o anuncio de Serra dá maior segurança e unidade ao partido. Como chegamos a um consenso no caso de Serra ficar na legenda, vamos ter outros consensos em torno de eventuais candidaturas ao Senado (Serra pode ser candidato, assim como o próprio Anibal, que já mostrou interesse na vaga, o que prenuncia nova disputa entre os dois por uma única vaga) — explicou Milton Flávio.

Para o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB do Estado de São Paulo, a decisão de Serra fortalece não só os tucanos, mas a própria oposição.

— Se tivéssemos uma candidatura do PSDB (Aécio) e outra do Serra (PPS), dividiríamos a oposição, enfraquecendo-a. Agora, o nosso papel será o de fortalecer os dois em torno de um só objetivo, que é derrotar o governo de Dilma — disse Nogueira.

Goldman denuncia cooptação de Dilma

O vice-presidente nacional do PSDBAlberto Goldman, denunciou ontem que o PT e a presidente Dilma Rousseff estão “tentando comprar” o apoio do Solidariedade do deputado Paulo Pereira da Silvia, o Paulinho, líder do novo partido aprovado esta semana pelo TSE.

— Eles (petistas) estão tentando comprar o apoio do Solidariedade, que por ora está demonstrando que apoiará a candidatura de Aécio a presidente. Eles já mostraram no passado (mensalão e aloprados) que podem fazer de tudo pelo poder. Eles não tem escrupulos. Querem afetar nossa base de apoio que já tem o PPS e o DEM e que agora poderia ter o Solidariedade — denunciou o vice-presidente nacional do PSDB.

2014: Aécio, Campos e Marina defendem aumento de produtividade

2014: os três pré-candidatos sublinharam a necessidade de o Brasil estabelecer regras claras para atrair mais investimentos.

Eleições 2014

Fonte: Valor Econômico 

Pré-candidatos confrontam receitas

Prováveis adversários da presidente Dilma Rousseff na eleição de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), a ex-senadora Marina Silva (sem partido-AC) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) levaram ontem a empresários, em diferentes momentos, discursos semelhantes nas prioridades e diversos nos caminhos para aumentar a produtividade no país.

Em evento promovido pela revista “Exame”, os três pré-candidatos sublinharam a necessidade de o Brasil estabelecer regras claras para investimentos, de o governo desenhar outra relação política com aliados, que não seja apenas baseada na ocupação de cargos e, consequentemente, profissionalizar o setor público, que consideram loteado.

“Você acha que dá para fazer diferente com as velhas raposas políticas se apossando de partes do Estado?”, questionou Campos, numa fala que resumiu o ímpeto dos três presidenciáveis.

senador Aécio Neves, primeiro a participar do evento, afirmou que o Brasil tem quatro desafios principais para aumentar produtividade: simplificar o sistema tributário, aumentar a qualidade da educação, abrir a economia e elevar o investimento em inovação. ”Em um eventual governo do PSDB, vou reduzir o número de ministérios atuais para algo como 22 pastas”, disse.

Aécio também criticou a postura que considera intervencionista do atual governo. “Na última semana, observamos a presidente Dilma Rousseff ter que ir a Nova York para garantir que Brasil cumpre contratos”. E continuou, dizendo que “o governo hoje atrapalha o ambiente de negócios mais do que ajuda. Setor privado não é adversário, é parceiro fundamental”.

senador pregou ainda que o ensino médio no país seja mais direcionado às necessidades dos mercados locais, com “currículos regionalizados” e que o Bolsa Família, em que pese já estar adequado à “paisagem social” brasileira, precisa de mais fiscalização. Para Aécio, uma saída para o programa seria estender o benefício a pais de família durante os seis primeiros meses em um novo emprego. “Muitos deixam de aceitar um trabalho por medo de perder o benefício, de ser mandado embora dois meses depois”, justificou.

Em palestra esvaziada pela própria ausência de sua palestrante, que estava em Brasília e falou aos presentes por videoconferência, a ex-senadora Marina Silva pregou a necessidade de se criar um “novo acordo político” no país. Para ela, as manifestações populares, que perderam força nos últimos meses, continuam na ordem do dia.

“Um grupo significativo está se desvencilhando dessa ideia do poder pelo poder. Está sendo gerado um novo sujeito político. Esse novo sujeito político não é dirigido pelos meios clássicos, pelos partidos, pela academia”, afirmou a ex-senadora. “Estamos saindo do ativismo dirigido para o autoral, que não precisa de porto, mas de uma âncora. O porto está atracado ao continente, que é o sindicato, o partido. A âncora depende de si mesmo”, continuou.

Marina afirmou que o Brasil precisa ter posição em relação a temas como energia renovável, por exemplo, para criar uma agenda que não se interrompa em função do partido que esteja no governo. Sobre a demora na concessão de licenças ambientais, reclamação corrente dos empresários, Marina esfriou ânimos ao dizer que “não se pode confundir agilidade com flexibilização”.

Já Campos fez uma avaliação mais política, na qual afirmou que o PT entrou em um período de “fadiga de poder”, o que indica a necessidade de novas práticas e grupos políticos na gestão federal. Seu partido fez parte da coalizão governista desde 2003 e recentemente entregou os cargos que tinha no governo para discutir o lançamento de candidatura própria à sucessão presidencial.

“As forças políticas envelhecem, como as pessoas envelhecem, como os métodos de uma empresa envelhecem. Quando um partido chega ao governo, acha que vai ficar ali para sempre. É o caminho para ele perder o fio-terra, o link com a sociedade”, avaliou Campos. “O PSDB construiu um processo importante na vida democrática do Brasil e agora está descolado desse sentimento. O que está acontecendo com o Partido dos Trabalhadores também é o processo da fadiga de poder. De 10 anos com equívocos, mas também com acertos que não se deve deixar de reconhecer”, continuou.

Para Campos, “há uma agenda a ser construída e nenhum partido tem essa agenda, isso é conversa. É o debate com a sociedade que vai construir a agenda de reformas, de um salto na qualidade do serviço público brasileiro”.

Por isso, o governador avaliou que a próxima eleição não vai se resumir ao embate de situação versus oposição. “A questão brasileira é muito mais complexa do que uma posição bipolar”. Outra mudança será, acredita, no parlamento. “Acho que vem um vento de mudança forte no legislativo”.