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Eleições 2014: por que o medo de Aécio Neves? – 02

Eleições 2014: prováveis candidaturas de Aécio e Eduardo Campos fazem com que Lula comece a abrir negociações na esfera federal.

Eleições 2014: Aécio Neves

Fonte: Jogo do Poder

As possíveis candidaturas de Eduardo Campos e Aécio Neves nas Eleições 2014  já deixam o bunker do PT em estado de alerta; Lula se apressa

 Eleições 2014: por que o medo de Aécio Neves?   02

Aécio Neves e as eleições 2014

As possíveis candidaturas de Eduardo Campos e Aécio Neves nas Eleições 2014 já deixam o epicentro do PT em estado de alerta. Percebendo o desgaste político e a inoperância gerencial do Governo Dilma Rousseff, o partido se assanha em colocar seus principais soldados nas ruas de forma antecipada. E o líder supremo dos petistas, o ex-presidente Lula, deve começar a entrar no jogo da partidarização do governo federal como forma de dominar a mesa de xadrez.

Leia abaixo íntegra do Editorial do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira (23/01) sobre Lula, Eduardo Campos, Dilma Rousseff, Aécio Neves e as Eleições 2014:

Martelo nos números

Cacique Lula

Depois de presidir reunião com secretários de Haddad, o ex-presidente segue na trilha do personalismo e anuncia ofensiva na esfera federal

Nas palavras do ex-ministro Paulo Vannuchi, atual membro da diretoria do Instituto Lula, o ex-presidente, a partir do próximo mês, irá “jogar toda a sua energia” no esforço de consolidar as alianças entre as forças que apoiam o governo Dilma Rousseff. A tarefa do líder petista seria identificar conflitos e procurar superá-los.

Lula não precisará de muito esfoço para cumprir a primeira parte da missão. Os conflitos já são, na maior parte, conhecidos. Os aliados, em especial os peemedebistas, queixam-se da rivalidade do PT e do tratamento dispensado pela presidente Dilma a suas demandas fisiológicas. O Planalto se mostraria mais rude e menos sensível do que desejariam.

Além disso, causam preocupação as ambições do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República. A candidatura do líder do PSB já em 2014 sem dúvida enfraqueceria a campanha pela reeleição de Dilma.

Para consolidar essas fraturas, a famosa lábia do ex-presidente não será suficiente. Ele terá de oferecer cargos, vantagens e até acenar com a longínqua possibilidade de apoiar um candidato não petista na disputa de 2018.

Nesse contexto, não é demais lembrar que Lula não ocupa cargo no governo. Embora nada o proíba de participar de articulações e defender teses e propostas, seria mais adequado que agisse com discrição e desse preferência aos caminhos institucionais, como o debate em âmbito partidário.

Em se tratando de PT, porém, não existe âmbito partidário. Ou, se existe, é integralmente preenchido pela figura de Lula. “Le parti c’est moi” (o partido sou eu) poderia ser seu lema, na pior tradição personalista da política brasileira. Na contramão da mudança de hábitos que o petismo outrora defendia, o ex-presidente comporta-se como um perfeito cacique.

O êxito na eleição da presidente Dilma e, a seguir, do prefeito Fernando Haddad, em São Paulo, parece ter reacendido em Lula a fagulha da onipotência. O revés no julgamento do mensalão, por sua vez, parece ter impulsionado a decisão de sugerir a todos que ainda está no controle.

Foi o que fez recentemente, numa cena constrangedora, ao presidir uma reunião de Haddad com secretários. Sem pudor em tratar seu “poste” como “poste”, assumiu o comando da mesa, apontou diretrizes e deu orientações ao afilhado e seus colaboradores.

Vai-se assistindo ao mesmo na esfera federal, onde agora se anuncia nova investida. Em ambas as circunstâncias, a interferência cria ruídos indesejáveis e apequena a figura dos governantes. A quem cabe a última palavra? Quem o primeiro escalão deve prestigiar em caso de divergências?

A pergunta pareceria absurda em qualquer democracia séria, mas é cabível nesse enredo em que o ex-presidente mostra-se tentado a continuar governando sem ter sido eleito. É um desserviço que Lula presta ao permitir que essas interrogações fiquem no ar.

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