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  • Minas em Pauta no Twitter

    Erro: Assegure-se de que a conta Twitter é pública.

Aécio lembra um ano da morte do pai: “ele jamais se acanhou em se dizer político, no orgulho comovente de quem crê que a missão pública está imbuída de um inabalável sentido ético”

Fonte: Artigo de Aécio Neves – Estado de Minas

Meu pai

Consola-me a ideia de que, afinal, apostar no bem e na decência não é uma causa perdida para quem elegeu a política como caminho

Um ano atrás, exatamente em 3 de outubro, com o caloroso apoio de milhões de mineiros, fui eleito senador da República. Um ano atrás, no mesmo dia, perdi meu pai.

Não cabe aqui, neste espaço de debate público, enaltecer qualidades pessoais e virtudes privadas. Recorro, porém, à generosa compreensão de quem me lê para compartilharmos uma reflexão: a de como extrair de uma perda dolorosa como essa um fio de esperança para o futuro.

Alguém já disse que a gente envelhece de fato no dia em que perde o pai. É uma estranha sensação, a de ver ceder o sólido esteio paterno, em especial quando a trajetória de pai e filho tem tanto em comum. Sabemos sobejamente que um dia a dor virá. Contudo, nunca estamos suficientemente preparados para ela. A morte, em qualquer circunstância, é cruel e incompreensível.

Parlamentar por quase 30 anos, Aécio Cunha deixou a quem o conheceu – e não apenas a mim e às minhas irmãs – o legado de uma convicção irrestrita nos valores da política. Sim, deputado de muitos mandatos, ele jamais se acanhou em se dizer político, no orgulho comovente de quem crê que a missão pública está imbuída de um inabalável sentido ético. Em trincheira partidária diferente de meu avô materno, Tancredo, esmerou-se, assim como ele, no exercício da negociação e da tolerância, sem nunca abrir mão de suas ideias.

Escuto em muitos jovens de hoje a voz de um ceticismo profundo, a descrença nas instituições democráticas, o cansaço diante da trapaça e da esperteza, e, nessas horas, a memória de meu pai me acode e me agasalha, na lembrança de sua militância doce, jovial e bem-humorada, movida a otimismo e paixão. É como se ele continuamente me soprasse aos ouvidos o conselho da perseverança, apesar de tudo.

Ao perceber, um ano atrás, naquele dia em que uma vitória nunca foi tão triste, e ao continuar colhendo hoje demonstrações de como as pessoas o amavam e respeitavam, consola-me a ideia de que, afinal, apostar no bem e na decência não é uma causa perdida para quem elegeu a política como caminho.

Mais do que isso, herdei dele o mais firme, o mais autêntico sentimento de família e é nesse exemplo que me espelho no convívio com minha filha de 18 anos. Somos três gerações diferentes, a do meu pai, a minha, a de Gabriela, e é compreensível que cada um de nós tenha sido e seja fiel ao espírito de seu tempo. No entanto, acredito, com toda a fé deste mundo, que há princípios permanentes na construção da vida familiar e na condução da experiência humana. Valores que para muitos podem parecer anacrônicos como a amizade, a solidariedade e a honradez – valores que aprendi com meu pai e que, espero, minha filha possa aprender comigo.

PT Censura em Minas: imprensa mineira se cala em meio às denúncias que envolvem pessoas ligadas ao partido

Fonte: Blog Tudo o que eu sei!

O deputado e a agressão, o prefeito e a Justiça e o frei e o bafômetro: é a censura do PT à imprensa em Minas

O frei Cláudio van Balen, pároco da Igreja do Carmo, em Belo Horizonte, não passou pelo teste do bafômetro semana passada numa blitz da Lei Seca. O padre alegou que havia bebido vinho na hora da comunhão, é o que registra a coluna do jornalista Ancelmo Gois, de O Globo, em sua edição do dia 27/09/2011, sob no título de “Deus castiga”.Se o leitor buscar alguma coisa sobre isso nos jornais mineiros não vai encontrar um registro sequer sobre o assunto. Mas por que o caso recebeu a atenção de um jornal carioca? Ele recebeu destaque porque o frei em questão é uma das mais destacadas lideranças da igreja progressista em Minas, com intensa participação política junto ao Partido dos Trabalhadores. Além é claro de não ser tão comum assim, o fato de um padre tomar bomba no teste do etilômetro.

O caso do deputado brucutu não é muito diferente, com o repeteco do mais absoluto silêncio por parte da “mídia”. No dia 22/09, o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) agrediu um servidor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, durante o exercício das suas funções. Apesar do fato ter sido documentado em vídeo, os jornais e as emissoras de rádio e TV não abordaram o fato.

Nem mesmo a manifestação do Sindicato dos Servidores da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (Sindlegis) repudiando a agressão e exigindo a apuração da agressão foi notícia em Minas.

Veja o vídeo que mostra a agressão do Deputado Rogério Correia (PT/MG) a um servidor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais:

Outro caso emblemático vivido pela imprensa mineira, nos últimos dias, diz respeito ao prefeito de Nova Lima, o petista Carlinhos Rodrigues. Ele recorreu à justiça e conseguiu impedir a circulação edição de nº. 65 da revista Viver Brasil, que trazia denúncias de irregularidades praticadas por Carlinhos na prefeitura da cidade.

Novamente a imprensa em Minas ficou calada, nem uma nota ou repercussão do caso. Mesmo com a manifestação pública de repúdio de importantes entidades que lutam pela defesa da liberdade de imprensa no Brasil (Veja aqui: Abraji condena censura judicial a revista de MG; Em Minas Gerais, revista é obrigada a recolher edição).

A omissão da imprensa em Minas sobre os fatos graves relacionados ao PT é preocupante e parecem não ocorrer por coincidência. Infelizmente!

Link da matéria: http://tudooqueeusei.blogspot.com/2011/10/o-frei-e-o-bafometro-o-deputado-e.html

Palavra do Governador: Anastasia apresenta medidas do Governo de Minas para se proteger da crise econômica mundial

Governador Antonio Anastasia fala sobre as medidas contra a crise adotadas em Minas Gerais

Em entrevista para o programa “Palavra do Governador”, Antonio Anastasia apresenta as medidas que enviou para a análise da Assembleia Legislativa que objetivam proteger Minas da crise econômica mundial.

As propostas incluem aumento do ICMS de cigarros e bebidas, redução da alíquota de produtos populares, criação do Fundo de Erradicação da Miséria e da Taxa de Fiscalização de Recursos Minerais.

O programa pode ser visto aqui.

Em entrevista à Rede TV, Aécio Neves critica falta de gestão do Governo do PT e diz que Planalto não conseguirá fazer as reformas

Fonte: É Notícia – Rede TV 

Aécio Neves, senador (PSDB-MG)

Aécio Neves, senador (PSDB-MG) é o entrevistado do programa É Notícia. Ele também foi governador de Minas Gerais e presidente da Câmara dos Deputados. Na entrevista, o neto do ex-presidente Tancredo Neves fala sobre o início da vida política e afirmou que o PT deixou de ter um projeto de país para ter um projeto de poder.

Tucano conta pela primeira vez que teve convite de Miguel Arraes, avô do atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para disputar as eleições presidenciais. Aécio também disse que nenhum candidato vai impor vontade próprio no PDSB. Aécio falou que a agenda do Governo Dilma é a mesma que foi iniciada na gestão de Fernando Henrique Cardoso. “É preciso avançar”, disse.

Aécio Neves falou de alianças políticas, abertura da Copa do Mundo de 2014 e criticou o governo em relação a falta de eficiência na gestão. Ele comentou ainda que a faxina realizada por Dilma foi apenas ‘reativa’,  já que foi uma reação do Governo do PT à pressão da imprensa e da sociedade. Para o senador ainda faltam medidas eficazes para reduzir o lastro de corrupção na máquina administrativa. O aparelhamento da máquina administrativa também foi duramente criticada. “O PT não tem um projeto de governo, tem é um projeto de poder”, lamentou.

Sobre a abordagem, durante a campanha eleitoral de 2010, de temas conservadores e ligados à religião, o senador foi enfático: ”Eu não gostei. Eu acho que aquilo não fez bem para o PSDB. Não fez bem, não apenas no quesito eleitoral. Fez mal no quesito político, porque nas eleições, ou se ganha ou se perde. Mas, a derrota política, muitas vezes é mais grave e de mais difícil superação do que a derrota eleitoral. Ali, nós acabamos perdendo politicamente, porque o PSDB é sempre um partido moderno, o PSDB é um partido de vanguarda, o PSDB é um partido que olha para o futuro e aquilo não casou”.

Vídeo 1: http://www.redetv.com.br/video.aspx?222339

Vídeo 2: http://www.redetv.com.br/video.aspx?222340

Vídeo 3: http://www.redetv.com.br/video.aspx?222341

“Concentração dos recursos nas mãos da União é uma herança maldita do regime militar” criticou Paulo Guedes em O Globo

Fonte: Artigo Paulo Guedes – O Globo

A União deve ceder

Como aponta o senador Aécio Neves, “a raiz dos grandes problemas brasileiros é a crescente e absurda concentração de poder financeiro e político no governo federal. Nós precisamos resgatar a Federação”

A próxima batalha na guerra dos royalties de petróleo deve ocorrer nesta semana. O Congresso pode derrubar o veto de Lula à emenda que deflagrou uma guerra federativa, propondo a redivisão dos royalties de uma forma devastadora para as finanças dos estados produtores. O autor da emenda, deputado Ibsen Pinheiro, é mesmo um desafortunado em questões orçamentárias. Acusado de enriquecimento ilícito por uma CPI que investigava fraudes com recursos do Orçamento da União, teve seu mandato cassado em 1994. O Supremo Tribunal Federal encerrou o processo contra Ibsen em 1999.

A guerra dos royalties é mais um fruto da profunda insatisfação com o atual regime de distribuição dos recursos orçamentários entre as unidades da Federação. É o resultado de um vácuo na atuação do Congresso em relação à necessária reforma fiscal. Como aponta o senador Aécio Neves, “a raiz dos grandes problemas brasileiros é a crescente e absurda concentração de poder financeiro e político no governo federal. Nós precisamos resgatar a Federação”. Descentralizar recursos e atribuições entre os entes federativos é uma exigência de nossa democracia emergente.

A concentração dos recursos nas mãos da União é uma herança maldita do regime militar que a social-democracia brasileira não teve a coragem de enfrentar com reformas. Preferiu aliar-se a conservadores e oportunistas, recorrendo a contribuições não compartilhadas com estados e municípios de modo a concentrar o poder político, “comprando” apoio parlamentar. Não é, portanto, acidental a degeneração de nossas práticas políticas.

A emenda é um colossal retrocesso em relação ao acordo prévio de Lula com os governadores dos Estados produtores em 2010, pelo qual o governo federal reduzia pela metade sua fatia nos royalties, permitindo aumentar substancialmente a parte dos demais Estados e municípios, descentralizando recursos sem arruinar as finanças dos estados e municípios produtores. Lula estava certo: a União deve ceder. Agora, o governador Sérgio Cabral pede responsabilidade ao Congresso e alerta que “Dilma terá tragédia eleitoral no Rio”.

“O absolutismo do Antigo Regime desabou, mas permaneceram seus alicerces: a concentração de recursos e a centralização administrativa sobreviveram à monarquia, facilitando a ressurreição do despotismo”, advertia Alexis de Tocqueville, em seu clássico “O Antigo Regime e a Revolução” (1856).

Vocalista do Capital Inicial defende jovem na política e critica defesa do PT pelo controle da imprensa: “Não sei o que eles têm em mente, se é algo à la Stalin”

Fonte: Julia Duailibi – Estado de S.Paulo

No palco do Rock, o grito de Dinho pela liberdade de imprensa

Experiente líder do Capital Inicial revitaliza debate sobre a politização dos jovens 

Em 1985, o Brasil assistia à primeira edição do festival de música Rock in Rio. No quinto dia do encontro, 15 de janeiro, enquanto bandas como AC/DC e Barão Vermelho se revezavam no palco da Cidade do Rock, o País vivia um momento de otimismo: Tancredo Neves e José Sarney eram eleitos pelo Colégio Eleitoral presidente e vice-presidente do País, depois de duas décadas de ditadura.

Passados quase trinta anos e seis eleições diretas para presidente, José Sarney voltou a aparecer como protagonista político na quarta edição brasileira do festival. Mas, dessa vez, as menções ao presidente do Senado ocorreram em contexto menos elogioso e de maneira mais direta.

“Essa daqui, velho, é para as oligarquias, cara, que parecem ainda governar o Brasil. Que conseguem deixar os grandes jornais brasileiros censurados durante dois anos, como o Estado de S. Paulo. Cara, coisas inacreditáveis… Essa daqui é para o Congresso brasileiro. Essa daqui é em especial para o José Sarney. Isso daqui se chama Que País é Este”, anunciou o vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, para uma multidão de cem mil pessoas, no dia 24.

Expoente da geração dos anos 80 do rock nacional, que usou a música como forma de protesto político, Dinho referia-se à censura de 793 dias a que o Estado está submetido desde que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal proibiu o jornal de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

Aos 47 anos, o músico cantou o clássico de Renato Russo, escrito em 1978, época em que o País vivia uma asfixia política e se preparava para ingressar no cenário de instabilidade econômica dos anos 80. Na plateia do Rock in Rio, milhares de jovens de uma outra geração. Pessoas que nasceram quando já se podia votar para presidente. Jovens que ouviram falar de “plano econômico”, “Cruzeiro” ou “Cruzado” pelos livros escolares e que usam as mídias sociais como forma de protesto, principalmente em questões comportamentais. Enquanto Dinho cantava para essa plateia, a multidão gritava: “Ei, Sarney, vai tomar…”.

Dinho, que diz já ter cogitado se candidatar e conta preferir ler a cobertura jornalística nacional à cultural, conversou sobre política com o Estado na sexta-feira, no Rio: “Está se caminhando para um Brasil moderno enquanto formas muito arcaicas de fazer política continuam enraizadas. Não é possível que o Brasil moderno possa coexistir com o Brasil desses coronéis e oligarcas neandertais”. Em seguida, ponderou: “Neandertais no sentido antigo, não no cerebral”.

Ele diz que são “alarmantes” as agressões à liberdade de imprensa na América Latina. “Quando se resumia a países menores, você conseguia caracterizar como, talvez, um espasmo patrocinado pelo Hugo Chávez (presidente da Venezuela)”, disse. “Mas fica mais grave quando você pega um país com as proporções da Argentina, país que até há pouco tempo era o mais desenvolvido da América do Sul. Aí começo a ficar preocupado. E o mais grave é que a Cristina (Kirchner, presidente) vai se reeleger”, completou.

Para o músico, “historicamente a América Latina tende a caminhar em manada”. “O que acontece num país frequentemente acontece nos outros: o regime militar, a redemocratização e até os movimentos de independência, se quiser ir mais longe”, avaliou. “Congressos do PT falando em controle da imprensa, em regulamentar a imprensa… Não sei o que eles têm em mente, se é algo à la Stalin. O que querem exatamente? A mim parece que as leis existem para coibir abusos: se você se sentir insultado, afrontado ou lesado por alguma notícia”, completou.

Geração. O jornalista e crítico musical Arthur Dapieve diz que a politização foi um marco da geração de Dinho, a dos anos 80, principalmente entre bandas como Legião Urbana e Plebe Rude. “A politização caiu muito com a democratização. Mais fácil ser politizado quando há um antagonista claro, como os militares, a ditadura”, disse. “Os jovens da atualidade não passaram por hiperinflação, por privações maiores, grande crises econômicas. E aquela coisa: se a economia vai bem, eles não veem maiores razões para protestar. Mesmo que façam coro com o Dinho na hora que toca Que País é Este. Há um certo entorpecimento que a boa fase econômica cria. Não só nos jovens, mas com boa parte da população”, avalia.

Para a secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, ligada à Presidência da República, não dá para fazer uma comparação entre as gerações. “Hoje a juventude tem um conjunto de pautas, e os grupos se articulam em favor das suas demandas. Não são bandeiras únicas. Então, aparentemente, dá a impressão de que há um processo de desmobilização”, afirmou. “Há jovens que não se organizam mais pelo sistema tradicional de partidos, sindicatos ou movimento estudantil. Mas a partir de seu grupo cultural, de sua comunidade, do movimento de periferia, nos grupos GLBT”, declarou.

Líder do movimento estudantil dos caras-pintadas, que foi às ruas pedir a queda de Fernando Collor em 1992, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) diz que a geração dele “não era melhor” do que a atual: “Essa é uma geração mais antenada, que aceita mais diversidade e tem mais senso ético. Não é correto dizer que está na rua ou é alienada. Para aglutinar, precisa de crise. Felizmente, não temos mais isso”, afirmou.

As conjunturas econômica, política e até educacional pesaram em outros lugares do mundo e levaram, neste ano, milhares de jovens, de realidades díspares, às ruas da Grécia, da Espanha, do Chile e, inclusive, em Wall Street, coração financeiro dos Estados Unidos. A “primavera árabe”, que derrubou ditadores do Oriente Médio, tornou-se símbolo político desses movimentos. Em reportagem publicada na semana passada, o New York Times disse que os jovens desta geração vão para as ruas porque não têm fé nas urnas e porque veem com “desconfiança e até desprezo os políticos tradicionais e o processo político democrático”.

O sociólogo Gabriel Milanez, da empresa de tendências Box 1824, coordenou a pesquisa O Sonho Brasileiro, com pessoas entre 18 e 24 anos, concluída em 2011 (leia acima). “Hoje a noção de política do jovem é menos partidária. Ele não pensa política pelo viés do partido ou da política institucional de Brasília. Expandiu a noção política para outras esferas.”

Veterano. Dinho Ouro Preto também acha que os jovens hoje são mais “despolitizados”. “Eles cresceram num País muito diferente do nosso. Isso favorece um distanciamento, ao menos dos garotos de classe média. Aliado ainda à percepção de que o País está crescendo, talvez os torne mais egoístas”, afirmou o músico. Ainda assim, ele diz que, como “veterano”, leva para a plateia “os temas políticos da semana”.

Foi o que fez no Rock in Rio, sábado passado. “Mas você pensa em falar alguma coisa e na hora não sai como você quer. Você está emocionado, tem muita gente gritando. Então, você acaba não sendo tão eloquente quanto gostaria de ter sido”, afirmou.

“Gostaria de ter dito mais. Você acaba soltando um apanhado do que gostaria de dizer. Não consegue o mesmo foco que seria necessário. Mas é um show de rock, não é um comício. O seu coração vai a 180 batimentos por minuto, sei lá a quanto vai”, contou.

As declarações do músico lhe renderam críticas. No Maranhão, Estado de Sarney, o deputado estadual Magno Bacelar (PV) disse que pedirá uma moção de repúdio contra Dinho. “Muitos dos metaleiros vão ali drogados, maconhados”, declarou o parlamentar.

Dinho disse ter achado o episódio “engraçadíssimo. “O cara que falou isso é do PV! O PV, na verdade, não é nada do que eu achava. É do Zequinha (Sarney), filho do cara. Me interessei pelo PV por causa do Gabeira, mas percebi que é um partido muito heterogêneo”, afirmou. O músico conta que votou na última eleição em Marina Silva, do PV. No segundo turno, anulou o voto. “Sempre votei no Lula. Parei depois do mensalão. Não acho o Lula corrupto, eu faço uma boa avaliação do governo dele. Mas o grande erro foi a condescendência com aliados e com a coalizão que o sustentou”, disse.

Dinho diz que o próximo CD do Capital terá conteúdo político. A riqueza das Nações, em referência ao pai do liberalismo, Adam Smith, trará o verso “vamos fazer uma revolução”. Tema atual, com certa dose de saudosismo.

PSDB quer Aécio candidato à presidência em 2104, comenta Merval sobre pesquisa nacional encomenda pelo partido

Fonte: Artigo de Merval Pereira – O Globo

Linha dura no PSDB

Centralizar todas as campanhas partidárias na figura do senador e ex-governador de Minas Aécio Neves, transformando-o no virtual candidato da legenda para 2014, têm a ver com as constantes pesquisas que estão sendo realizadas para basearem um reposicionamento do partido
A Comissão Executiva Nacional do PSDB resolveu interferir diretamente na escolha dos pré-candidatos a prefeito nas eleições municipais do próximo ano, reservando para si a última palavra nos municípios com mais de 200 mil eleitores.

Ainda na próxima semana deverá ser divulgada resolução informando que, “conforme o caso”, poderá “orientar e intervir na escolha de pré-candidatos”, resguardando-se o direito de até mesmo “proibir” o prélançamento de candidaturas nos municípios.

A ideia central da decisão é que as discussões sejam ampliadas para que se possa buscar novas alianças, estabelecendo que não prevaleça apenas o controle local do diretório.

Na nota, a Comissão Nacional informará que vai avaliar a viabilidade política e eleitoral dos pré-candidatos, levando em conta a capacidade de fazer alianças novas, agregar apoio da sociedade.

Para que não reste dúvida sobre a disposição da direção do partido de ter um papel ativo e decisivo na escolha dos candidatos, a nota explicitará que, em caso de desobediência, poderá intervir ou até mesmo dissolver os órgãos municipais.

Essa decisão e outras mais, como a de centralizar todas as campanhas partidárias na figura do senador e ex-governador de Minas Aécio Neves, transformando-o no virtual candidato da legenda para 2014, têm a ver com as constantes pesquisas que estão sendo realizadas para basearem um reposicionamento do partido.

Na nota sobre as candidaturas municipais, haverá inclusive uma orientação para que, nos municípios onde haja propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, os pré-candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador difundam as diretrizes programáticas do partido.

O que o sociólogo Antonio Lavareda fez foi o que classifica de “auditoria de marketing”, que, mais que uma pesquisa, é um diagnóstico pós-eleitoral com o objetivo de fornecer subsídios para a reestruturação do organograma partidário de um modo geral e, em especial, da parte de marketing e comunicação.

Esse estudo mostra que há grande relação entre as eleições para prefeitos e vereadores e as das bancadas de deputados estaduais e federais subsequentes, por isso a decisão de unificar a linguagem política e de marketing, para colher os frutos dessa unidade mais adiante.

Nos governos estaduais há claro perfil ascensional do partido, mas para deputados estadual e federal tem havido declínio, assim como nas eleições para vereadores e prefeitos, o que se constitui na grande preocupação do partido, sendo necessário grande esforço para reverter o quadro já nas eleições 2012.

Num balanço das eleições 2008, o PSDB vem em segundo lugar, com 784 prefeitos eleitos. Em comparação com o primeiro turno de 2004, o PSDB perdeu 77 prefeituras.

Em 2000, ainda no segundo mandato do governo de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB elegeu 992 prefeitos. A situação mudou em 2004, já com Lula no Palácio do Planalto, com o PSDB iniciando sua trajetória de declínio, elegendo 870 prefeituras. Hoje o PMDB é o partido que tem mais prefeitos, com 1.177 em seus quadros, contra 788 do PSDB, o 2º colocado.

Quanto aos deputados federais, a bancada do PSDB é a terceira do Congresso, com 53 deputados. Desde a reeleição presidencial de Fernando Henrique, em 1998, o número de deputados federais eleitos pelo PSDB foi de 99 parlamentares para os 53 da última eleição, e pode passar a ser a quarta bancada, pois o novato PSD, que já surgiu com 50 deputados federais, está ainda aceitando adesões.

A direção nacional do PSDB considera que, embora cada estado seja uma realidade diferente, naqueles em que há um governador do partido, as negociações são mais autônomas, enquanto em estados como o Rio de Janeiro há uma preocupação devido à fraqueza institucional do partido e à importância que a política local tem no cenário nacional.

A aposta do partido era o atual prefeito carioca, Eduardo Paes, que chegou a ser secretário-geral nacional do PSDB até se transferir para o PMDB, com o apoio do governador Sérgio Cabral.

A direção nacional já interveio no diretório estadual para levantar uma ação local que pretendia punir os remanescentes da família do prefeito de Caxias, Zito, que deixou o partido.
Mas sua filha Andreia Zito e sua ex-mulher são deputadas bem votadas do partido e estavam sendo perseguidas pela direção local.

Há também a disputa pela candidatura à prefeitura do Rio, com a direção local querendo impor o nome do deputado federal Otavio Leite, e a vereadora Andrea Gouveia Vieira, sentindo-se alijada do processo, ameaçando sair do partido para o PV de Fernando Gabeira.

Em dois estados em que há governadores seus, as questões regionais também estão dificultando a unidade do partido. No Paraná, o ex-deputado federal Gustavo Fruet, que era um dos novos líderes da legenda, tendo se destacado na CPI dos Correios sobre o mensalão, acabou deixando o PSDB porque o governador Beto Richa não o apoiou para a prefeitura.

E, em São Paulo, a solução deve ser uma prévia entre os diversos candidatos, para cerca de 20 mil filiados do partido, embora o governador Geraldo Alckmin prefira lançar o deputado estadual Bruno Covas, neto de Mario Covas, dentro da disputa de caras novas que já tem o ministro da Educação, Fernando Haddad, candidato que Lula está impondo ao PT, e o deputado federal do PMDB Gabriel Chalita.

Mas as disputas não param por aí. O senador Aloysio Nunes reclamou pelo Twitter que o PSDB paulista o ignorou na campanha política que está sendo veiculada pela TV, embora ele seja o primeiro senador do partido há quase uma década. E reclamou também que o ex-governador José Serra foi outro deixado fora da propaganda do partido. Como se vê, a direção nacional do PSDB terá muito trabalho para unificar o partido na preparação para tentar retornar ao poder em 2014.

Mas pelo menos, após muitos anos, continua sem unidade, mas tem uma estratégia.